Isabel Oliveira — Você já recebeu o seu pagamento, já fez seu trabalho. O que mais quer aqui? — Berenice me sibilou, puxando-me pelo braço com uma força desnecessária assim que a filha e o marido cruzaram o portão. — Só fiquei porque a sua filha implorou — rebati, sentindo o sangue subir. Ela soltou uma gargalhada seca, carregada de um veneno que parecia vir de gerações. — Evidente que é uma aproveitadora. Vá embora! Aqui não é lugar para gente da sua laia — ela me soltou com um empurrão. Meu braço reclamava do aperto, a pele marcada pelos dedos dela. — Eu vou, não se preocupe. Já vi que aqui o luxo não disfarça a podridão. Mas nem ouse me procurar se precisar de mim algum dia — dei as costas, o coração batendo na garganta. A verdade? Eu olhava para fora e só via um breu desgramado, u

