A rotina já não parecia tão sufocante. Pela primeira vez em muito tempo, acordei sem a sensação de urgência corroendo o peito. O restaurante novo estava funcionando com excelência, a imprensa tinha se acalmado, o nome "Hikari" ainda ecoava nos eventos mais chiques da cidade, mas o nosso restaurante concorrente já tinha conquistado seu próprio espaço — um espaço cheio de luzes, sabores e gente bonita que não fazia ideia do caos que existia por trás da fundação daquele negócio. Levantei sem despertador. A luz suave da manhã invadia meu quarto através das cortinas semiabertas. Espreguicei e fui até a varanda. O ar estava fresco. Tinha cheiro de jardim molhado e pão saindo do forno — o que fazia total sentido, já que Caio acordava todo dia às seis pra comer o pão que só ele comprava de uma pa

