A madrugada avançava preguiçosa, como um velho arrastando os pés sobre o chão de mármore da mansão. Eu estava deitado havia horas, encarando o teto do quarto como se ele tivesse todas as respostas que eu não conseguia encontrar. Mas não tinha. E, pra piorar, cada vez que eu fechava os olhos, a cena da Claire dizendo que queria comprar minha parte do Hikari voltava como um filme maldito e repetitivo. Revirei na cama pela milésima vez. Peguei o celular, era 3h14 da manhã. Suspirei, levantei, arrastei os pés até a porta e fui em direção à cozinha com um pensamento simples: água. Só isso. Um copo d’água gelada pra ver se apagava o incêndio que queimava por dentro. Mas assim que dobrei o corredor da cozinha e me aproximei da sala de estar… parei. O cenário era tão surreal que por um segundo,

