Atena narrando...
Tenho hoje e amanhã de folga, já que paguei o dia da menina no trabalho, e a gente tem uma folga por semana.
Ligo pra Carla, que logo atende. Ela também está de folga no sábado...
Ligação on...
Carla: Oooii
Atena: Vamos pra praia?
Carla: Fecho! Vamos. Tô precisando queimar a rabeta. — sorri
Ligação off
Conversamos mais um pouco e combinamos o lugar onde a gente ia se encontrar, na praia aqui em São Conrado.
Peguei minha bolsa, guardei o celular, fechei o portão de casa e entrei no Uber.
Atena: Bom dia.
Motorista: Bom dia.
(...)
Sinto o contato da minha pele com a água, é tão relaxante. Não tem como não amar a praia — minha calma é aqui.
Jogo o cabelo pra trás e saio da água, correndo das ondas.
Sento na cadeira ao lado da Carla.
Atena: A água está ótima, você deveria entrar.
Carla: Tenho pavor do mar. — ri
Atena: Sério?
Carla: Sim. Quando era pequena, morria de medo. Uma vez me afoguei, acho que me traumatizou um pouco. E ainda tive febre à noite, suei frio, sonhei com sereias.
Atena: Mó neurose... Eu amo a praia, me acalma demais. — ela sorri
Enchi meu copo de cerveja, coloquei uma batatinha na boca e tomei um gole.
Deitei a cadeira e fiquei pegando uma marquinha.
Carla: Vamos lá pra casa? Hoje tem baile, vai uma galera. A gente curte bastante. Você dorme lá em casa. Amanhã você não trabalha, e eu só vou trabalhar à noite.
Pensei por uns segundos.
Atena: Sei não... nunca fui de curtir baile. — tomei o resto da latinha de cerveja.
Carla: É legal, só curtir com a galera certa.
— Assenti.
Atena: Tá bom, eu vou... tô bem desativada mesmo. Mas vamos passar no meu apê antes.
Carla: Mermão, cê tá parecendo um camarão! — tocou no meu rosto, e eu ri, sentindo arder.
Pagamos as contas e nos arrumamos pra ir embora.
Fomos lá em casa, arrumei minha bolsa e partimos pro Vidigal.
Chegando na casa dela, fui tomar banho pra começar a me arrumar.
Saí do banheiro enrolada, sequei o cabelo, separei minhas coisas na cama.
Vesti a roupa e fiz uma maquiagem leve — não gosto de nada muito forte.
Fiz cachos nas pontas com a chapinha que eu trouxe. Passei perfume e pedi pra Carla tirar umas fotos minhas.
Fiquei mexendo no celular, tirando foto, até que a Carla ficou pronta.
Ela fechou a porta e fomos subindo o morro até chegar na quadra.
Não sou muito de frequentar baile, mas também não sou patricinha por causa disso.
Minha família é de classe média. Não me dou muito bem com eles e nunca fui de ter muitos amigos, nem de fazer amizade fácil.
A amiga mais próxima que tenho hoje é a Carla.
Saí dos meus devaneios quando a Carla começou a me apresentar pro pessoal que ela conhece.
Ela é totalmente o oposto de mim: vive sorrindo, faz amizade fácil, é o exemplo de amor em pessoa.
Ela me entrega um copo de uísque com gelo, depois vem com Red Bull.
Atena: Vai me deixar doidona. — ela ri
Carla: Ok, Flayslane! — rimos — Um brinde à fraca do rolê! — gargalhei
Atena: É? Vamos ver quem cai primeiro. — brindei com ela e tomei um gole generoso.
Curti bastante o baile. Dancei com a Carla, bem de boas.
Juninho: Falaa, minha morena preferida! — chegou abraçando a Carla.
Carla: Chega mais, meu parceiro! — fez toque com ele — Sumido, hein?
Juninho: Muito corre pra fazer, n**a. Sem tempo, hermana. — eles riram.
Carla: Vou te apresentar minha amiga... Atena, esse é o Juninho. Mas alguns chamam ele de Zoio. — sorri.
Juninho: Satisfação! Se é chegada da minha morena, é minha também, fechou? — ri e concordei.
Ele fez toque comigo e me deu um abraço.
Juninho: Bora colar lá em cima, pô.
Carla: Não sou muito chegada, cê sabe.
Juninho: De boa, tu sabe que é nós... diz que demorô?
Carla: Tá, vamo marcar um dez.
Subimos as escadas e chegamos no "camarote".
Bem mais organizado que lá embaixo. Tinha open bar e até comida.
Vários caras que pareciam ser envolvidos — armados até os olhos do cu.
Grudei na Carla. Juninho fez toque com uns caras até chegar no “chefe”, como ele chamou o Neurótico, com o Gordão ao lado como sempre.
Olhei pra eles, mas sem encarar muito. Meu olhar caiu lá pra baixo, onde eu deveria estar.
Tava me sentindo incomodada com o cheiro forte de droga e aqueles caras intimidando com fuzil na mão.
Neurótico: Olá, minha enfermeira. — olhei pra ele e arqueei a sobrancelha.
Atena: Iae, chefe... — falei em tom de deboche.
Ele sorriu sem mostrar os dentes e tragou o cigarro de maconha, apagando em seguida.
Juninho: Vocês se conhecem?
Neurótico: Ela que me atendeu quando fui baleado. Tua mina? — nos encarou sério.
Atena e Juninho: Não!
Juninho: Não, chefe, ela é...
Carla: É minha namorada! — me puxou pro lado dela, segurei o riso.
Neurótico: Hum... entendi. — falou sério, nos encarando.
Gordão: Tem certeza? — intimidou ela.
Carla: Por que tá tão interessado? — fuzilou ele.
Baixa que é tiro.
Atena: Acho que vou ao banheiro, amorzinho.
Carla: Vou com você, meu anjo.
Entramos no banheiro gargalhando.
Carla: A cara de decepção deles!
Atena: Parecendo invasão, tiro pra todo lado! — ri, me olhei no espelho e fiz um dois com a mão e um biquinho.
Rimos. Ela entrou na cabine, e eu disse que ia pegar cerveja.
Saí do banheiro e fui jogada na parede.
Fechei os olhos e senti o cheiro forte de perfume masculino.
Neurótico: Lésbica? — ele riu, debochado — Não gosto de mentiras...
Encarei ele.
Atena: Não é mentira...
Neurótico: Tá de caô? — apertou meu queixo.
Atena: Ela não vai gostar quando sair.
Neurótico: A Globo perde essa atriz. — me puxou pra um corredor escuro — e eu ganho...