cap 03 a globo perder e eu ganho

1004 Words
Atena narrando... Tenho hoje e amanhã de folga, já que paguei o dia da menina no trabalho, e a gente tem uma folga por semana. Ligo pra Carla, que logo atende. Ela também está de folga no sábado... Ligação on... Carla: Oooii Atena: Vamos pra praia? Carla: Fecho! Vamos. Tô precisando queimar a rabeta. — sorri Ligação off Conversamos mais um pouco e combinamos o lugar onde a gente ia se encontrar, na praia aqui em São Conrado. Peguei minha bolsa, guardei o celular, fechei o portão de casa e entrei no Uber. Atena: Bom dia. Motorista: Bom dia. (...) Sinto o contato da minha pele com a água, é tão relaxante. Não tem como não amar a praia — minha calma é aqui. Jogo o cabelo pra trás e saio da água, correndo das ondas. Sento na cadeira ao lado da Carla. Atena: A água está ótima, você deveria entrar. Carla: Tenho pavor do mar. — ri Atena: Sério? Carla: Sim. Quando era pequena, morria de medo. Uma vez me afoguei, acho que me traumatizou um pouco. E ainda tive febre à noite, suei frio, sonhei com sereias. Atena: Mó neurose... Eu amo a praia, me acalma demais. — ela sorri Enchi meu copo de cerveja, coloquei uma batatinha na boca e tomei um gole. Deitei a cadeira e fiquei pegando uma marquinha. Carla: Vamos lá pra casa? Hoje tem baile, vai uma galera. A gente curte bastante. Você dorme lá em casa. Amanhã você não trabalha, e eu só vou trabalhar à noite. Pensei por uns segundos. Atena: Sei não... nunca fui de curtir baile. — tomei o resto da latinha de cerveja. Carla: É legal, só curtir com a galera certa. — Assenti. Atena: Tá bom, eu vou... tô bem desativada mesmo. Mas vamos passar no meu apê antes. Carla: Mermão, cê tá parecendo um camarão! — tocou no meu rosto, e eu ri, sentindo arder. Pagamos as contas e nos arrumamos pra ir embora. Fomos lá em casa, arrumei minha bolsa e partimos pro Vidigal. Chegando na casa dela, fui tomar banho pra começar a me arrumar. Saí do banheiro enrolada, sequei o cabelo, separei minhas coisas na cama. Vesti a roupa e fiz uma maquiagem leve — não gosto de nada muito forte. Fiz cachos nas pontas com a chapinha que eu trouxe. Passei perfume e pedi pra Carla tirar umas fotos minhas. Fiquei mexendo no celular, tirando foto, até que a Carla ficou pronta. Ela fechou a porta e fomos subindo o morro até chegar na quadra. Não sou muito de frequentar baile, mas também não sou patricinha por causa disso. Minha família é de classe média. Não me dou muito bem com eles e nunca fui de ter muitos amigos, nem de fazer amizade fácil. A amiga mais próxima que tenho hoje é a Carla. Saí dos meus devaneios quando a Carla começou a me apresentar pro pessoal que ela conhece. Ela é totalmente o oposto de mim: vive sorrindo, faz amizade fácil, é o exemplo de amor em pessoa. Ela me entrega um copo de uísque com gelo, depois vem com Red Bull. Atena: Vai me deixar doidona. — ela ri Carla: Ok, Flayslane! — rimos — Um brinde à fraca do rolê! — gargalhei Atena: É? Vamos ver quem cai primeiro. — brindei com ela e tomei um gole generoso. Curti bastante o baile. Dancei com a Carla, bem de boas. Juninho: Falaa, minha morena preferida! — chegou abraçando a Carla. Carla: Chega mais, meu parceiro! — fez toque com ele — Sumido, hein? Juninho: Muito corre pra fazer, n**a. Sem tempo, hermana. — eles riram. Carla: Vou te apresentar minha amiga... Atena, esse é o Juninho. Mas alguns chamam ele de Zoio. — sorri. Juninho: Satisfação! Se é chegada da minha morena, é minha também, fechou? — ri e concordei. Ele fez toque comigo e me deu um abraço. Juninho: Bora colar lá em cima, pô. Carla: Não sou muito chegada, cê sabe. Juninho: De boa, tu sabe que é nós... diz que demorô? Carla: Tá, vamo marcar um dez. Subimos as escadas e chegamos no "camarote". Bem mais organizado que lá embaixo. Tinha open bar e até comida. Vários caras que pareciam ser envolvidos — armados até os olhos do cu. Grudei na Carla. Juninho fez toque com uns caras até chegar no “chefe”, como ele chamou o Neurótico, com o Gordão ao lado como sempre. Olhei pra eles, mas sem encarar muito. Meu olhar caiu lá pra baixo, onde eu deveria estar. Tava me sentindo incomodada com o cheiro forte de droga e aqueles caras intimidando com fuzil na mão. Neurótico: Olá, minha enfermeira. — olhei pra ele e arqueei a sobrancelha. Atena: Iae, chefe... — falei em tom de deboche. Ele sorriu sem mostrar os dentes e tragou o cigarro de maconha, apagando em seguida. Juninho: Vocês se conhecem? Neurótico: Ela que me atendeu quando fui baleado. Tua mina? — nos encarou sério. Atena e Juninho: Não! Juninho: Não, chefe, ela é... Carla: É minha namorada! — me puxou pro lado dela, segurei o riso. Neurótico: Hum... entendi. — falou sério, nos encarando. Gordão: Tem certeza? — intimidou ela. Carla: Por que tá tão interessado? — fuzilou ele. Baixa que é tiro. Atena: Acho que vou ao banheiro, amorzinho. Carla: Vou com você, meu anjo. Entramos no banheiro gargalhando. Carla: A cara de decepção deles! Atena: Parecendo invasão, tiro pra todo lado! — ri, me olhei no espelho e fiz um dois com a mão e um biquinho. Rimos. Ela entrou na cabine, e eu disse que ia pegar cerveja. Saí do banheiro e fui jogada na parede. Fechei os olhos e senti o cheiro forte de perfume masculino. Neurótico: Lésbica? — ele riu, debochado — Não gosto de mentiras... Encarei ele. Atena: Não é mentira... Neurótico: Tá de caô? — apertou meu queixo. Atena: Ela não vai gostar quando sair. Neurótico: A Globo perde essa atriz. — me puxou pra um corredor escuro — e eu ganho...
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