Giulia passou a noite em claro. Não por medo — esse já havia se acomodado em algum lugar do corpo, como uma cicatriz antiga —, mas pela consciência pesada de que a decisão que precisava tomar não admitia meio-termo. Não havia retorno confortável. Não havia escolha segura. Apenas caminhos diferentes, cada um com um preço específico. Ela se levantou antes do amanhecer. O quarto ainda estava envolto na penumbra, silencioso demais para ser tranquilizador. Vestiu-se com cuidado, não para impressionar, mas para se sentir inteira. Prendeu o cabelo, lavou o rosto, respirou fundo diante do espelho. — Seja honesta — disse a si mesma. — Só isso. Saiu do quarto e percorreu o corredor com passos firmes. Encontrou Lorenzo na sala, já desperto, como se esperasse por ela. — Bom dia — ele disse, com

