O reencontro não aconteceu por saudade. Giulia percebeu isso no instante em que ouviu o nome dele ser mencionado do outro lado da linha. Não foi o coração que reagiu primeiro, nem a memória, nem o vazio deixado pela ausência. Foi o instinto. Aquele mesmo que aprendera a ouvir quando a sobrevivência dependia disso. — Eles estão perguntando por você — disse a mulher, em tom baixo. — De forma organizada demais para ser coincidência. Giulia fechou os olhos. — Quem? — Gente que não pergunta sem motivo — respondeu. — E que não aceita silêncio como resposta. O peito de Giulia se apertou. — Quanto tempo eu tenho? — Pouco — veio a resposta. — E, desta vez, não é algo que você possa resolver sozinha. O silêncio que se seguiu foi pesado. Giulia desligou e ficou alguns minutos imóvel, encara

