No dia seguinte na escola, eu estava em um banco conversando com a Julia. Roberto chegou, viu nós dois, e me sorriu. Claro que eu sorri de volta. Julia ficou só nos observando.
Alice ao ver a cena, veio correndo em minha direção.
- Conta tudo! Que climinha foi esse que eu acabei de ver? Vocês estão namorando? – Perguntou Alice.
- Ainda não! – Respondi olhando para o Roberto.
Alice sentou no banco com a gente, e disse que a gente fazia um lindo casal, e eu tinha que parar de ser boba, e me entregar de vez nessa paixão.
Durante a aula toda, eu fiquei pensando no Roberto, e imaginando o nosso primeiro beijo. De repente eu só ouvi uma voz me dizer:
- Tamires, será que você pode nos explicar a matéria? - Perguntou a professora.
Eu olhei para o Roberto, e rapidamente para ela novamente.
- Desculpa, estava com a cabeça no mundo da lua, mas isso não irá se repetir. – Eu disse.
- Acho bom! – Disse a professora.
E voltou a explicar a matéria.
- O que você tanto pensava na aula? – Perguntou Roberto.
- Em você! – Eu disse.
Roberto sorriu envergonhado. Era tão lindo quando ele ficava com vergonha, aquele sorrisinho tímido dele, que era um charme, e eu adorava. Ficamos flertando por alguns segundos. E pude sentir que quase rolou um beijo, se não fosse por começar a chover.
- Partiu tomar banho de chuva? – Perguntou Roberto.
- Simbora. – Eu disse.
E ficamos ali debaixo da chuva, correndo, pulando, rodando, parecendo duas crianças que estavam vendo a chuva pela primeira vez.
Enquanto tomávamos banho de chuva, eu e Roberto ficamos cantando e dançando, como se o tempo não tivesse passado pra gente, como se eu ainda tivesse dez anos, e ele onze. De repente Julia chegou, dizendo que mamãe estava me chamando. E lá se foi minha alegria... Tive que entrar. Me despedi do Roberto e fui para a minha casa.
- Eu fico tão feliz de te ver assim tão bem com o Roberto. Estou louca que vocês fiquem juntos, e na realidade eu não sei o que impede vocês de namorarem. – Disse Julia.
- Um, que se a nossa mãe descobrir ela me mata, e talvez te mate também por ser minha cúmplice. E dois... Bom, eu não sei lhe explicar. Eu amo o Roberto e sei que ele também me ama. Sabe Ju, quando eu estou ao lado dele, é como se o mundo não existisse e fosse apenas eu e ele. Mas toda vez que ele tenta me beijar, eu não consigo, eu travo. Sei lá, acho que me falta coragem. – Falei.
Julia disse que eu tinha que parar de ser tão medroso, e aceitar logo essa paixão.
Não conseguia entender como uma garotinha de apenas treze anos, que nunca teve um namorado, conseguia entender tão bem de relacionamentos. De fato, a minha irmã era fora de série.
Contei para a Alice, para a Sandy e para o Maurício tudo que eu sentia pelo Roberto.
- Ai que lindo! Acho que eu nunca ouvi palavras tão lindas assim. – Disse Sandy.
- E vocês já estão namorando? – Perguntou Alice.
- Ainda não! – Eu respondi.
Na escola todo mundo já sabia que a gente se gostava, e alguns até chamavam a gente de ´´casalzinho´´ embora a gente nunca tivesse ficado.
- Eu preciso te contar uma coisa! – Disse Roberto.
- O que houve? - Perguntei preocupado.
- Depois de amanhã eu irei viajar e ficarei duas semanas fora.
- O que? Mas e a escola ? E eu? – Perguntei.
- Quanto à escola depois alguém me passa as matérias. E quanto a você.... Bom, você tem duas escolhas... Ou me aguarda voltar, ou então...
- Ou então o que? – Perguntei.
- Ou então você vem comigo. – Ele disse.