O Quase Casal

656 Words
No dia seguinte na escola, eu estava em um banco conversando com a Julia. Roberto chegou, viu nós dois, e me sorriu. Claro que eu sorri de volta. Julia ficou só nos observando. Alice ao ver a cena, veio correndo em minha direção. - Conta tudo! Que climinha foi esse que eu acabei de ver? Vocês estão namorando? – Perguntou Alice. - Ainda não! – Respondi olhando para o Roberto. Alice sentou no banco com a gente, e disse que a gente fazia um lindo casal, e eu tinha que parar de ser boba, e me entregar de vez nessa paixão. Durante a aula toda, eu fiquei pensando no Roberto, e imaginando o nosso primeiro beijo. De repente eu só ouvi uma voz me dizer: - Tamires, será que você pode nos explicar a matéria? - Perguntou a professora. Eu olhei para o Roberto, e rapidamente para ela novamente. - Desculpa, estava com a cabeça no mundo da lua, mas isso não irá se repetir. – Eu disse. - Acho bom! – Disse a professora. E voltou a explicar a matéria. - O que você tanto pensava na aula? – Perguntou Roberto. - Em você! – Eu disse. Roberto sorriu envergonhado. Era tão lindo quando ele ficava com vergonha, aquele sorrisinho tímido dele, que era um charme, e eu adorava. Ficamos flertando por alguns segundos. E pude sentir que quase rolou um beijo, se não fosse por começar a chover. - Partiu tomar banho de chuva? – Perguntou Roberto. - Simbora. – Eu disse. E ficamos ali debaixo da chuva, correndo, pulando, rodando, parecendo duas crianças que estavam vendo a chuva pela primeira vez. Enquanto tomávamos banho de chuva, eu e Roberto ficamos cantando e dançando, como se o tempo não tivesse passado pra gente, como se eu ainda tivesse dez anos, e ele onze. De repente Julia chegou, dizendo que mamãe estava me chamando. E lá se foi minha alegria... Tive que entrar. Me despedi do Roberto e fui para a minha casa. - Eu fico tão feliz de te ver assim tão bem com o Roberto. Estou louca que vocês fiquem juntos, e na realidade eu não sei o que impede vocês de namorarem. – Disse Julia. - Um, que se a nossa mãe descobrir ela me mata, e talvez te mate também por ser minha cúmplice. E dois... Bom, eu não sei lhe explicar. Eu amo o Roberto e sei que ele também me ama. Sabe Ju, quando eu estou ao lado dele, é como se o mundo não existisse e fosse apenas eu e ele. Mas toda vez que ele tenta me beijar, eu não consigo, eu travo. Sei lá, acho que me falta coragem. – Falei. Julia disse que eu tinha que parar de ser tão medroso, e aceitar logo essa paixão. Não conseguia entender como uma garotinha de apenas treze anos, que nunca teve um namorado, conseguia entender tão bem de relacionamentos. De fato, a minha irmã era fora de série. Contei para a Alice, para a Sandy e para o Maurício tudo que eu sentia pelo Roberto. - Ai que lindo! Acho que eu nunca ouvi palavras tão lindas assim. – Disse Sandy. - E vocês já estão namorando? – Perguntou Alice. - Ainda não! – Eu respondi. Na escola todo mundo já sabia que a gente se gostava, e alguns até chamavam a gente de ´´casalzinho´´ embora a gente nunca tivesse ficado. - Eu preciso te contar uma coisa! – Disse Roberto. - O que houve? - Perguntei preocupado. - Depois de amanhã eu irei viajar e ficarei duas semanas fora. - O que? Mas e a escola ? E eu? – Perguntei. - Quanto à escola depois alguém me passa as matérias. E quanto a você.... Bom, você tem duas escolhas... Ou me aguarda voltar, ou então... - Ou então o que? – Perguntei. - Ou então você vem comigo. – Ele disse.
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