Pensei que Roberto fosse tentar me beijar novamente, mas não tentou.
- Essa parte é legal. – Ele disse voltando a olhar para a TV.
- Já viu esse filme? – Perguntei.
- Já. É ótimo.
- E você entende espanhol?
- Entendo. Eu morei durante dois anos na Argentina, por conta do serviço do meu pai. Aí eu falo fluentemente. – Disse Roberto.
- Nossa, que legal. Eu entendo espanhol, mas não gosto muito, e falo mais ou menos, mas acho que dá pro gasto.
- Ah mas tá bom.
Continuamos vendo aquele filme. E quando eu percebi, havíamos pegado no sono. No dia seguinte ao acordar, vi que o Roberto não estava e percebi que ele havia deixado um bilhete que dizia ´´Fui trabalhar, não quis te acordar. Tenha um bom dia. Beijos.´´
Fiquei todo bobo ao ler aquilo, e me pus a lembrar do que ele havia dito na noite anterior.
‘’Ai ai Roberto, se você soubesse o tanto que eu te amo, e o quanto eu desejo provar o seu beijo.’’ – Pensei.
Depois de tomar café, eu fui dar uma volta. E em cada lugar que eu ia, imaginava o Roberto ao meu lado.
Depois de andar durante algum tempo, eu encontrei um lindo lugar, cheio de árvores e uma cachoeira. Me sentei em uma pedra que tinha ali e fiquei olhando a cachoeira. Resolvi então ligar pra Julia, dizer que eu havia chegado bem, como ela me pediu para fazer. O celular custou para pegar, tentei umas três vezes, e só na última funcionou. A ligação estava uma d***a, quase não conseguia ouvir o que ela dizia.
Contei a Ju que nós havíamos chegado bem, que o lugar era lindo, e nós estávamos em um hotel enorme e muito luxuoso, e que aos poucos a gente estava conhecendo o lugar.
- Acho que eu vou ficar morando aqui. – Eu disse rindo.
- Você nem é louco, se você ficar aí, eu vou até Cancún e te trago pelos cabelos. – Disse Julia brincando.
- Capaz que eu vou ficar aqui longe da minha pequena. Nunca que eu vou te deixar. Acho que o dia que eu me casar, te levarei comigo.
- Acho bom mesmo. – Disse Julia rindo.
Estava ali não fazia nem 24h e eu já estava morrendo de saudade da minha irmã. É que na verdade a gente nunca tinha se separado, éramos muito unidos. E essa era a primeira vez que eu viajava pra tão longe, por tanto tempo e sem ela.
Fiquei durante algum tempo falando com a Julia, porém a ligação estava muito r**m, e optei por desligar. Ah a Ju disse que a nossa mãe estava bem, e me mandando um beijo. Também estava morrendo de saudade da minha mãe. Assim que eu desliguei a ligação, Roberto me ligou, e a ligação estava muito boa, provavelmente porque a gente estava no mesmo país.
- Acho que me libero hoje até umas 15h. Irei almoçar por aqui mesmo. Almoça aí no hotel e põe na conta do quarto, que quando eu chegar eu pago. – Disse Roberto assim que eu atendi a ligação.
- Ok. – Eu disse.
- Quando eu chegar partiu dar umas voltas? – Ele me perguntou.
- Claro. – Eu respondi.
Depois de dar mais uma caminhada, eu voltei para o hotel. Almocei e fiquei no quarto vendo TV até o horário do Roberto chegar.
Era 15h20min quando ele chegou.
- Almoçou? – Ele me perguntou.
- Aham. A comida daqui é deliciosa, mas só não estava melhor porque você não estava comigo. – Eu disse.
- Ai linda. – Disse Roberto me dando um beijo na cabeça.
- Bom, amanhã eu trabalharei à tarde, então podemos almoçar juntos, ok?
- Ok! – Eu disse.
Fomos dar umas voltas e conhecemos mais alguns pontos turísticos. Era cada lugar mais lindo que o outro, que era impossível de não se apaixonar, e a cada coisa diferente que a gente via um mostrava para o outro. Algumas pessoas que viam a gente falando português, ficavam olhando pra nós, às vezes me sentia até um ET.
Andamos em um ônibus de turismo. Conhecemos alguns bairros bem chiques, outros nem tanto, lanchamos em uma lancheria, e tiramos muitas fotos de cada lugar que a gente passava.
Já era noite e resolvemos voltar para o hotel. Jantamos lá, e fomos para o nosso quarto.
- Sabe o que eu estou louco pra fazer? – Me perguntou Roberto.
- O quê? – Perguntei curioso.
- Partiu ir à praia?
- Mas eu te disse que eu esqueci minhas roupas de banho. – Eu disse.
- Mas quem disse que a gente vai tomar banho de mar? Vamos comigo?
- Partiu. – Eu disse.
E lá fomos nós para a praia às 22:30. Parecíamos dois loucos correndo pelas ruas à noite.
Ao chegarmos lá nos deitamos na areia da praia de frente para o mar, e escutando os barulhos das ondas, e olhando o céu totalmente estrelado. Até o céu estava lindo, de um jeito que eu nunca tinha visto. Talvez ele fosse tão lindo como naquele momento, mas talvez eu nunca tivesse reparado.
Depois de uns quinze minutos ali, Roberto se levantou.
- O que você vai fazer? – Perguntei.
Ele pegou um graveto que havia caído ali e escreveu na areia ´´Eu te amo´´. Fui até ele, peguei o graveto e escrevi também na areia ´´Eu também te amo´´. Ele então desenhou um enorme coração, e me puxou pela mão. Nos abraçamos e aí ele colocou a mão no meu pescoço, me deixando todo arrepiado. Percebi então que ele aproximou os seus lábios dos meus.
- Posso? – Ele perguntou.
Estava muito nervoso, coração acelerado, mas não podia perder aquele momento. Ficar com o cara que eu era apaixonado há anos e em um lugar tão lindo como aquele, é, parecia um sonho.
- Pode! - Eu respondi.
E pela primeira vez então a gente se beijou.