Sobremesa

1552 Words
Laura narrando. Pego a mão da pequena, que anda pulando até chegarmos à escada, onde anda com cuidado: — Olivia, você sabe onde seu pai está? — pergunto, e ela assente. — Na sala de jantar, por aqui — ela me puxa e observo o lugar bonito e grande. Que trabalho deve dar para limpar! Um dia todo de faxina. Eu, que já odeio limpar minha casinha, imagino o trabalho que deve ser em um lugar grande assim. Tudo bem que recebo bem e poderia pagar alguém para limpar, mas tenho tanta dívida por financiamento estudantil. Graças a Deus, faltam apenas mais seis meses para pagar; aí, quem sabe eu consiga alguém, ou tome vergonha na cara e limpe sem achar r**m. — Já desceram? Eu ainda nem terminei — Andrew diz, colocando os pratos na mesa. — A ma... Laura ficou com vergonha e quis descer — ela fala, indo até ele, e eu a olho escandalizada. Mesmo convivendo muito, eu esqueço como crianças são sinceras. — Tudo bem, filha, vai lavar as mãos — ela assente, beijando sua bochecha. Dou licença para ela passar, mas sou surpreendida com ela parada me olhando. Ela me chama com o dedinho e me abaixo, ganho um beijo na bochecha e ela sai correndo, me deixando com um sorriso nos lábios. — Ela é um amor — falo para o Andrew, que me olha assentindo com a cabeça. Fico pensando na mãe dela. Ele falou que é solteiro, mas não comentou nada sobre sua ex-mulher. Ela deve ser muito linda, já que a Olivia é extremamente perfeita. — O que tanto pensa? — ele pergunta, perto demais de mim, me assustando um pouco. — Nada não, a comida está cheirando bem — falo, e ele sorri, indo até o forno. — Eu e a Olivia que fizemos. Espero que goste — ele tira com uma luva térmica. Me assusto com a Olivia me abraçando novamente, e ela ri. — Vamos comer, estou com fome — ela diz, e assinto. — Vou só lavar minhas mãos primeiro — falo, e ela me indica o caminho para o banheiro. Abro a porta, acendendo a luz, e olho chocada. Como uma casa pode ter até o banheiro chique? Lavo minhas mãos, sentindo o cheiro mais gostoso de sabonete do mundo. Meu Deus, eu quero ser rica. — Você é... — grito de susto e olho espantada para o Andrew, que ri se recostado na porta aberta. — Desculpa, você não fechou a porta, então achei que estava atenta. — E eu estou, sempre atenta — falo, e ele ri. Seco minhas mãos na pequena toalha e o olho incomodada por estar sendo vigiada. — Eu não vou roubar o sabonete, então não precisa ficar me encarando — falo, e ele sorri, vindo até mim devagar. — O que você ia me dizer mesmo? — Eu... — ele começa a falar e passa a mão devagar no meu rosto, olhando cada detalhe atento. — Você... — sussurro baixinho, hipnotizada pela sua beleza, mas fecho os olhos, voltando meu foco. — Vou deixar você lavar as mãos. Com dificuldade, dou a volta ao seu redor e ando apressada até estar sozinha. Me recosto em uma parede fria e respiro devagar, colocando a mão no pulso, sentindo meus batimentos acelerados. Se acalma, Laura, você não é bobinha para ficar assim desse jeito. Uma aproximação e eu já fico assim. Meu Deus, calma coração. — Se perdeu, Laura? — a Olivia pergunta, vindo e segurando meu braço. — Vamos para a mesa. Sabia que eu que fiz a comida? Meu pai me deixou ajudar, na verdade, mas está muito bom e... Assinto com a cabeça, começando a andar enquanto ela fala bastante sobre a refeição que preparou. Me sento no assento ao lado da Olivia, que continua contando tudo animada. — Você gosta de mousse de chocolate, né? Porque eu fiz um muito bom — ela começa a falar agora do doce, e sorrio olhando-a. — Eu amo, é minha sobremesa favorita — digo, e seu rosto se ilumina com o lindo sorriso que ela dá. — Vamos comer? — o Andrew pergunta, e a pequena bate palmas animada. — Quer que eu te sirva, filha? Ela entrega seu prato e abaixo a cabeça, envergonhada, pelo Andrew me encarando. Me sinto até desidratada. — Posso? — ele pergunta, e assinto com a cabeça, sem nem saber o que é. — Licença. Ele pega o prato à minha frente e pego a taça com água, bebendo cheia de vergonha. — Está bom — falo, e ele me olha feio, colocando um pouco mais de comida antes de me entregar. — É arroz de forno com camarão. Coma tudo — ele fala, mandão. A Olivia me olha esperançosa, e dou a primeira garfada tímida pelos olhares enquanto como. — Está muito bom — falo, e os dois sorriem, conhecidos, me fazendo segurar uma risada. — Eu que fiz — eles dizem juntos e se entreolham, me fazendo rir sem esconder. Na metade da sobremesa, já me sinto cheia e, pelo olhar do Andrew, ele percebe. — Por que não está comendo? — a Olivia pergunta, me olhando com a boca suja de chocolate. — Estou satisfeita — digo, e me aproximo, falando baixo, só para ela. — Acho que comi demais. Ela ri e pego um dos guardanapos, limpando-a com cuidado. Beijo sua cabeça loira, sem aguentar tanta fofura. — Posso comer então? — assinto com a cabeça, entregando o potinho, mas seu pai a encara. — Posso, papai lindo da minha vida? — Apenas hoje — ela sorri, comendo com pressa, e olho para os dois feliz por ver a relação deles. — Vou cuidar da louça — o Andrew avisa, se levantando, e me ergo também, pegando os pratos. — Pode deixar aí que eu cuido, Laura. — Eu te ajudo — falo, e, quando continuo pegando as coisas, ele relaxa os ombros, não me contrariando. O sigo até a cozinha, e ele me olha concentrado. — Você gosta de encarar, né? Parece até um doido — falo, e arregalo os olhos ao ver o que eu disse. Ele dá risada de mim, e coloco a mão na boca. — Me desculpa, senhor Andrew. — Ei, nada de voltar para o senhor — ele fala e me recosta na pia, ainda envergonhada. — Acontece, Laura, fica tranquila que você pode ser você comigo. — Você é um pouquinho adiantado, né? — falo, andando com pressa para o outro lado da cozinha quando ele tenta vir até mim. — Eu diria que sou sutil — ele fala, e dou risada. — Gostou do almoço? — Estava muito bom, desde a comida até a companhia — falo, e ele assente, vindo até mim e pegando minha mão. — Qual a melhor companhia, a minha ou a da minha filha? — ele pergunta, me olhando e levando minha mão até seus lábios, beijando-a. — A dela, é óbvio. Tem como resistir a tamanha fofura e educação? A Olivia é a coisa mais lindinha que já vi — falo, e ele ri, movendo a cabeça para trás. — Não gostou da minha nem um pouquinho? — ele pergunta, e finjo pensar. — Talvez um pouco, mas estava mais focada nela — ele solta uma risadinha, mas passa os dedos pelo meu rosto bem devagar. — Acho que teremos que marcar outro jantar então, mas dessa vez eu vou sem a minha concorrente — ele fala, e ergo a cabeça para olhá-lo melhor, graças à diferença de altura. — Não sei não — me afasto dele, andando para a mesa de jantar, e o observo congelado, como se não acreditasse no que eu disse. Não me leve a m*l, ele é realmente incrível, tem uma filha maravilhosa e parece ser um bom homem, mas acabei de conhecê-lo para aceitar tanto convite. — Terminou, Olivia? — o Andrew pergunta, sério, e ela assente, bebendo suco. — Laura, vamos brincar? Eu queria te mostrar o quintal. Temos um balanço lá. — Pequena, eu iria amar, mas tenho que ir para casa — falo, e ela me olha triste. — Mas quem sabe outro dia? — Tudo bem — ela fala triste e vem me abraçar. Dou vários beijinhos em sua cabeça, e ela dá um pequeno sorriso. — Você vai voltar, né? — Sim, eu vou levar ela, filha. Você ficará com a Esther, ok? Ela deve estar na biblioteca — o senhor emburrado diz, e ela assente com a cabeça antes de beijar meu rosto e sair. — Tchau, senhor Andrew. Obrigada pelo almoço — falo, enquanto andamos até a sala e pego minha bolsa. — Eu disse que vou te levar. Vamos — ele fala, sério, e apenas o sigo em silêncio. Melhor do que gastar dinheiro com o táxi, pelo menos. Assim que chegamos no endereço, olho para ele e agradeço. — Muito obrigada pelo almoço e pela companhia, Andrew — falo, e ele sorri. — Fico feliz que tenha gostado. Espero que possamos nos encontrar novamente — ele diz, e olho para ele, não sabendo o que dizer. — Vou ficar te devendo um jantar, então? — falo, e ele sorri, assentindo. — Isso mesmo — ele fala, indo embora e me deixando sozinha.
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