Laura narrando.
Pego a mão da pequena, que anda pulando até chegarmos à escada, onde anda com cuidado:
— Olivia, você sabe onde seu pai está? — pergunto, e ela assente.
— Na sala de jantar, por aqui — ela me puxa e observo o lugar bonito e grande.
Que trabalho deve dar para limpar! Um dia todo de faxina. Eu, que já odeio limpar minha casinha, imagino o trabalho que deve ser em um lugar grande assim. Tudo bem que recebo bem e poderia pagar alguém para limpar, mas tenho tanta dívida por financiamento estudantil. Graças a Deus, faltam apenas mais seis meses para pagar; aí, quem sabe eu consiga alguém, ou tome vergonha na cara e limpe sem achar r**m.
— Já desceram? Eu ainda nem terminei — Andrew diz, colocando os pratos na mesa.
— A ma... Laura ficou com vergonha e quis descer — ela fala, indo até ele, e eu a olho escandalizada. Mesmo convivendo muito, eu
esqueço como crianças são sinceras.
— Tudo bem, filha, vai lavar as mãos — ela assente, beijando sua bochecha.
Dou licença para ela passar, mas sou surpreendida com ela parada me olhando. Ela me chama com o dedinho e me abaixo, ganho um
beijo na bochecha e ela sai correndo, me deixando com um sorriso nos lábios.
— Ela é um amor — falo para o Andrew, que me olha assentindo com a cabeça.
Fico pensando na mãe dela. Ele falou que é solteiro, mas não comentou nada sobre sua ex-mulher. Ela deve ser muito linda, já que a
Olivia é extremamente perfeita.
— O que tanto pensa? — ele pergunta, perto demais de mim, me assustando um pouco.
— Nada não, a comida está cheirando bem — falo, e ele sorri, indo até o forno.
— Eu e a Olivia que fizemos. Espero que goste — ele tira com uma luva térmica.
Me assusto com a Olivia me abraçando novamente, e ela ri.
— Vamos comer, estou com fome — ela diz, e assinto.
— Vou só lavar minhas mãos primeiro — falo, e ela me indica o caminho para o banheiro.
Abro a porta, acendendo a luz, e olho chocada. Como uma casa pode ter até o banheiro chique?
Lavo minhas mãos, sentindo o cheiro mais gostoso de sabonete do mundo. Meu Deus, eu quero ser rica.
— Você é... — grito de susto e olho espantada para o Andrew, que ri se recostado na porta aberta.
— Desculpa, você não fechou a porta, então achei que estava atenta.
— E eu estou, sempre atenta — falo, e ele ri.
Seco minhas mãos na pequena toalha e o olho incomodada por estar sendo vigiada.
— Eu não vou roubar o sabonete, então não precisa ficar me encarando — falo, e ele sorri, vindo até mim devagar.
— O que você ia me dizer mesmo?
— Eu... — ele começa a falar e passa a mão devagar no meu rosto, olhando cada detalhe atento.
— Você... — sussurro baixinho, hipnotizada pela sua beleza, mas fecho os olhos, voltando meu foco. — Vou deixar você lavar as
mãos.
Com dificuldade, dou a volta ao seu redor e ando apressada até estar sozinha.
Me recosto em uma parede fria e respiro devagar, colocando a mão no pulso, sentindo meus batimentos acelerados. Se acalma,
Laura, você não é bobinha para ficar assim desse jeito. Uma aproximação e eu já fico assim. Meu Deus, calma coração.
— Se perdeu, Laura? — a Olivia pergunta, vindo e segurando meu braço. — Vamos para a mesa. Sabia que eu que fiz a comida?
Meu pai me deixou ajudar, na verdade, mas está muito bom e...
Assinto com a cabeça, começando a andar enquanto ela fala bastante sobre a refeição que preparou. Me sento no assento ao lado da
Olivia, que continua contando tudo animada.
— Você gosta de mousse de chocolate, né? Porque eu fiz um muito bom — ela começa a falar agora do doce, e sorrio olhando-a.
— Eu amo, é minha sobremesa favorita — digo, e seu rosto se ilumina com o lindo sorriso que ela dá.
— Vamos comer? — o Andrew pergunta, e a pequena bate palmas animada. — Quer que eu te sirva, filha?
Ela entrega seu prato e abaixo a cabeça, envergonhada, pelo Andrew me encarando. Me sinto até desidratada.
— Posso? — ele pergunta, e assinto com a cabeça, sem nem saber o que é. — Licença.
Ele pega o prato à minha frente e pego a taça com água, bebendo cheia de vergonha.
— Está bom — falo, e ele me olha feio, colocando um pouco mais de comida antes de me entregar.
— É arroz de forno com camarão. Coma tudo — ele fala, mandão. A Olivia me olha esperançosa, e dou a primeira garfada tímida
pelos olhares enquanto como.
— Está muito bom — falo, e os dois sorriem, conhecidos, me fazendo segurar uma risada.
— Eu que fiz — eles dizem juntos e se entreolham, me fazendo rir sem esconder.
Na metade da sobremesa, já me sinto cheia e, pelo olhar do Andrew, ele percebe.
— Por que não está comendo? — a Olivia pergunta, me olhando com a boca suja de chocolate.
— Estou satisfeita — digo, e me aproximo, falando baixo, só para ela. — Acho que comi demais.
Ela ri e pego um dos guardanapos, limpando-a com cuidado. Beijo sua cabeça loira, sem aguentar tanta fofura.
— Posso comer então? — assinto com a cabeça, entregando o potinho, mas seu pai a encara.
— Posso, papai lindo da minha vida?
— Apenas hoje — ela sorri, comendo com pressa, e olho para os dois feliz por ver a relação deles.
— Vou cuidar da louça — o Andrew avisa, se levantando, e me ergo também, pegando os pratos.
— Pode deixar aí que eu cuido, Laura.
— Eu te ajudo — falo, e, quando continuo pegando as coisas, ele relaxa os ombros, não me contrariando.
O sigo até a cozinha, e ele me olha concentrado.
— Você gosta de encarar, né? Parece até um doido — falo, e arregalo os olhos ao ver o que eu disse. Ele dá risada de mim, e coloco a
mão na boca. — Me desculpa, senhor Andrew.
— Ei, nada de voltar para o senhor — ele fala e me recosta na pia, ainda envergonhada. — Acontece, Laura, fica tranquila que você
pode ser você comigo.
— Você é um pouquinho adiantado, né? — falo, andando com pressa para o outro lado da cozinha quando ele tenta vir até mim.
— Eu diria que sou sutil — ele fala, e dou risada.
— Gostou do almoço?
— Estava muito bom, desde a comida até a companhia — falo, e ele assente, vindo até mim e pegando minha mão.
— Qual a melhor companhia, a minha ou a da minha filha? — ele pergunta, me olhando e levando minha mão até seus lábios, beijando-a.
— A dela, é óbvio. Tem como resistir a tamanha fofura e educação? A Olivia é a coisa mais lindinha que já vi — falo, e ele ri,
movendo a cabeça para trás.
— Não gostou da minha nem um pouquinho? — ele pergunta, e finjo pensar.
— Talvez um pouco, mas estava mais focada nela — ele solta uma risadinha, mas passa os dedos pelo meu rosto bem devagar.
— Acho que teremos que marcar outro jantar então, mas dessa vez eu vou sem a minha concorrente — ele fala, e ergo a cabeça para
olhá-lo melhor, graças à diferença de altura.
— Não sei não — me afasto dele, andando para a mesa de jantar, e o observo congelado, como se não acreditasse no que eu disse.
Não me leve a m*l, ele é realmente incrível, tem uma filha maravilhosa e parece ser um bom homem, mas acabei de conhecê-lo para
aceitar tanto convite.
— Terminou, Olivia? — o Andrew pergunta, sério, e ela assente, bebendo suco.
— Laura, vamos brincar? Eu queria te mostrar o quintal. Temos um balanço lá.
— Pequena, eu iria amar, mas tenho que ir para casa — falo, e ela me olha triste. — Mas quem sabe outro dia?
— Tudo bem — ela fala triste e vem me abraçar. Dou vários beijinhos em sua cabeça, e ela dá um pequeno sorriso. — Você vai
voltar, né?
— Sim, eu vou levar ela, filha. Você ficará com a Esther, ok? Ela deve estar na biblioteca — o senhor emburrado diz, e ela assente
com a cabeça antes de beijar meu rosto e sair.
— Tchau, senhor Andrew. Obrigada pelo almoço — falo, enquanto andamos até a sala e pego minha bolsa.
— Eu disse que vou te levar. Vamos — ele fala, sério, e apenas o sigo em silêncio. Melhor do que gastar dinheiro com o táxi, pelo
menos.
Assim que chegamos no endereço, olho para ele e agradeço.
— Muito obrigada pelo almoço e pela companhia, Andrew — falo, e ele sorri.
— Fico feliz que tenha gostado. Espero que possamos nos encontrar novamente — ele diz, e olho para ele, não sabendo o que dizer.
— Vou ficar te devendo um jantar, então? — falo, e ele sorri, assentindo.
— Isso mesmo — ele fala, indo embora e me deixando sozinha.