Caio levantou os seus olhos em minha direção.
-Porque está me olhando?
Mudei a direção do meu olhar e ele continuou o curativo.
- E se a gente morrer aqui? - Perguntei.
Ele soltou uma risada.
- Não seja boba, Zoe. É óbvio que não.
- Como você sabe?
- A gente está no ponto deles! - Ele disse me encarando firme.
- Eu estou com frio e quero a minha cama. - Falei me levantando com os pés doloridos.
Sutilmente tentei caminhar, e a dor era insuportável, mas eu preferiria tentar, do que estar ali.
Caio puxou os meus braços com forças.
- Será que dá para você se acalmar um pouco? Logo eles estarão aqui. - Bufei. - É sério Zoe, colabora.
Suas sobrancelhas se franziram e sua inquietude era nítida, então engoli o meu orgulho e me sentei na pequena pedra que estava em nosso lado. Já estava de noite e o vento forte começou a tomar conta do local, estávamos com muito frio, eu sinceramente só queria uma fogueira.
Olhei para o Caio com a lanterna, ele estava-se tremendo de frio. Peguei a minha mochila e tirei um casaco rosa que eu havia trazido, caso houvesse algum imprevisto. Passei em volta do seu corpo, fazendo automaticamente ele levantar os seus olhos em direção aos meus.
- O que você está fazendo?
- Você está com frio.
Continuei a agasalha-lo mas ele me deu uma leve empurrada.
- Zoe, você está louca? Quem tem asma aqui é você. Coloca a d***a desse casaco. - Disse ele tirando o casaco, mas rapidamente o impedi.
Não sei porque eu estava tão preocupada com ele, já que a recepção dele em relação a mim, foi h******l. Mas, deve ser porque eu sou uma boa pessoa.
- Para com isso! - Falei dando um t**a em sua mão, assim que ele tentava tirar o casaco.Tirei um casaco mais fino da minha bolsa e o coloquei, ele não era nada resistente ao frio.
- Coloque esse que eu estou. - Disse ele.
- Eu nem sinto tanto frio. Para de ser i****a. - Respondi seca. Caio me puxou forte para de baixo do casaco, para tentar aquecer nós dois.
- Porque está sendo legal? - Perguntei.
- A gente está perdido em uma p***a de uma floresta, sem um telefone e com frio. Porque eu teria que ser i****a agora Zoe?
A lanterna estava no chão, mas ajudava iluminar os nossos rostos, encarei os seus olhos, ele estava tremendo e parecia preocupado pelo fato de até agora ninguém nos achar. Nossos corpos estavam completamente grudados, quanto o casaco que nos cobria.
Tentei abafar as minhas mãos com o meu álito.
- Vamos tentar aquecer as nossas mãos, talvez ajude com o alito quente. - Falei.
Ele ajuntou as suas mãos junto com as minhas e tentamos esquentar as nossas mãos, até que o plano estava funcionando, pois aos poucos nossas mãos estavam ficando quentes. O vento começou a ficar mais gelado e Caio pegou as minhas mãos, colocando em seu bolso.
- Eles vão vir... Não vão? - Perguntei começando a ficar com medo.
- É claro que vão.
Já estava muito escuro e o tempo estava passando, o vento era gelado e a gente simplesmente estávamos sozinhos ali. Peguei a lanterna que estava jogada ao meu lado, quando de repente os meus olhos se arregalaram como nunca.
- Caio... - Cochichei congelada, mas agora eu não sabia se era do medo ou do frio.
- Que foi?
- Tem... Uma cobra do meu lado, em cima da lanterna...
Ele virou bruscamente para a cobra, e ela estava rastejando aos poucos, com aquela língua h******l para fora.
- m***a, merda... Não se mexe p***a, a gente não sabe se ela é venenosa.
Os meus olhos começaram a encher de lágrimas e medo, é o fim, eu sei que é o fim.
- Não se mexe Zoe. - Ele fala pegando lentamente um galho.
A cobra começa a se aproximar mais de mim. Sinto o meu coração querer saltar pela boca, os meus olhos se enchem mais de lágrimas. Caio pede silêncio com a boca e joga a cobra para longe com um galho. Eu pego a lanterna rapidamente e ele me ajuda se levantar me jogando em suas costas e andando para algum canto longe dali.
- Você está bem?
Eu começo a chorar como uma criança de 10 anos choraria. Não estou mais me importando se esse b****a esta vendo eu em prantos! Eu estou perdida em uma floresta com cobras e coberta de frio, eu realmente só quero chorar.
- Está tudo bem, para de chorar! - Diz ele com as suas duas mãos segurando o meu rosto enquanto olha no fundo dos meus olhos.
Choro desesperadamente e Caio pega o casaco rosa, colocando em mim e fechando o zíper. Acho que eu estou tão traumatizada que prefiro não questionar e só chorar.
- Zoe... - Ele tenta dizer, limpando as minhas lágrimas. - Por favor pare de chorar, isso não está ajudando.
CAIO
Tentei acalma-la entre os seus soluços. Por um momento fiquei com vontade de rir de como a sua cara de chorona parecia de uma menina assustada de 9 anos.
Ela tentou se acalmar e me encarou.
- Vai ficar tudo bem okay?
Ela concordou com a cabeça e continuou me encarando. Limpei as suas lágrimas e tentei ser legal, pra ver se aliviava a tensão. A lanterna conseguia iluminar os seus olhos castanhos claros, todo vermelho devido aos choros... Encarei a ponta do seu nariz avermelhado, devido ao frio e desci o meu olhar a sua boca... Ela também estava meio avermelhada, passei o dedo polegar em suas bochechas enquanto ainda permanecia encarando os seus lábios.
Zoe franziu as sobrancelhas e começou se aproximar um pouco mais. Porque de repente me deu uma vontade de...
- Achamos eles! Eles estão aqui!
Me soltei da Zoe rapidamente, como se eu estivesse acordado de algum "transe". Olhei para Jone estando um quanto aliviado.
- Oh Deus, finalmente achamos vocês. - Gritou Brenda.
- Vocês estão bem? - Jone disse apontando uma lanterna nos nossos rostos. Brenda pulou em meus braços, com a expressão aflita. Olhei para Zoe, que me encarava séria.
- Estamos bem. - Respondi afastando um pouco da Brenda.
- Vamos voltar para o acampamento! Está congelando e precisamos conversar sério.