POV Cael O cheiro de desinfetante da enfermaria ainda estava no ar quando saí. A imagem dela, desacordada, marcada, pálida... ficou presa no fundo da minha mente como uma cicatriz aberta. Fechei a porta devagar, como se qualquer barulho mais alto pudesse quebrar o frágil fio de vida que ainda restava nela. Max, meu melhor amigo, meu braço direito, era a única pessoa em que confiava nesse lugar, ele me esperava no corredor, encostado na parede, celular na mão e cara de quem sabia que algo grande estava pra acontecer. — E aí? — perguntei, direto. — Tô com um vídeo — ele disse, balançando o aparelho antes de me entregar. — Captura da câmera de segurança de uma casa na zona média. Bairro Arvoredo. Duas da manhã. Olha isso. Peguei o celular. A imagem não era perfeita, mas o suficiente pra

