POV Isadora A primeira coisa que senti foi o cheiro. Desinfetante. Estéril. Frio. Depois, o toque leve do lençol nos meus braços, o peso do curativo no tornozelo, o gosto metálico da boca seca. Eu estava viva. Outra vez. Contra todas as probabilidades. E por um instante, desejei não estar. Abri os olhos devagar, piscando contra a claridade suave. O teto branco me encarava de volta. Por um segundo, pensei que ainda estava lá. Presa. Deitada no colchão sujo daquele cativeiro maldito. Mas havia algo diferente. A luz aqui não machucava. O ar não cheirava a mofo. Não havia som de correntes. Virei o rosto devagar. E vi ele. Sentado numa cadeira ao lado da maca. Cotovelos nos joelhos, mãos entrelaçadas, olhos fixos em mim. Olhos verdes. Intensos. Esmeraldas cravadas num rosto duro demais p

