Capítulo 1
Roger narrando
A vida é uma verdadeira roda gigante, um dia você está lá no alto, feliz comemorando por coisas boas que aconteceram na sua vida, no outro você está lá em baixo, triste, sem chão e com um vazio que nem mesmo o tempo será capaz de curar.
Eu peguei a minha bebê na palma da minha mão, tão pequena, tão lindinha, mas ela já estava sem vida.
Essa dor que eu estou sentindo, eu não desejo pra ninguém, nem mesmo as pessoas que me odeiam merecem sentir o que eu estou a sentir.
Minha alma está dilacerada e ver a Alícia chorando quando enterram a nossa bebê, acabou comigo.
É difícil de acreditar, mas eu amava essa bebê, mesmo sabendo recentemente da sua existência, eu a amava.
Mas agora eu precisava ser forte, meu filho ainda estava em coma e precisava ser forte por ele e pela Alícia.
— Tu não precisa ir pra nova Holanda por esses dias não mano, fica em casa e descansa um pouco.– o Talibã falou, eu vim entregar o dinheiro do rendimento do mês na casa dele.— A Thaís foi lá pro hospital ficar com a Alícia e você vai pra casa. – eu neguei com a cabeça.
— Eu preciso distrair um pouco a mente Talibã, trabalhar me ajuda bastante.– ele me olhou com um olhar penoso.
— Você não precisa ser forte o tempo inteiro Roger, eu sei que você deve tá sofrendo pra c*****o e por isso que eu estou mandando você ir pra casa agora.– eu bufei irritado.— Isso é uma ordem.– ele colocou a mão no meu ombro.— Não faça isso com você Roger, não se esqueça que o Alisson precisa do pai dele bem.– eu abaixei a cabeça.
— Eu não sei se ainda vou continuar sendo o pai do Alisson, pelo visto esse lugar já está tomado.– ele negou com a cabeça.
— Pai é quem cria Roger, olha mesmo que o Escobar seja mais presente na vida do Alisson, isso não vai mudar o amor que ele sente por você.– eu continuei de cabeça baixa.— Eu, mais do que ninguém entendo que você está sentindo, tu acha que eu fico tranquilo?– ele negou com a cabeça.— Eu fico o tempo todo pensando que em qualquer momento, o pai biológico da Suellen pode aparecer aqui.– ele fez uma pausa.— Mas depois eu lembro do amor e do vínculo que temos um com o outro e isso, laço sanguíneo nenhum pode mudar, eu sou o pai dela, sou eu quem estiver com ela em todos os momentos, mesmo quando eu estava preso, eu acompanhei cada fase do crescimento dela, então isso é ser pai de verdade, nada pode mudar o laço de amor que temos como pai e filha...
— Isso é verdade pai, eu não trocaria o senhor por nenhum outro pai nesse mundo.– a Suellen desceu as escadas e foi direto abraçar o pai.
Já tinha bastante tempo que eu não a via, a última vez que nos vimos foi na casa da Alícia, de lá pra cá, muita coisa aconteceu.
Mas ela estava linda e radiante, o sorriso dela iluminou o ambiente.
Depois de tudo que rolou eu não consigo mais olhar ela com outros olhos, mas ainda sim eu prefiro lutar contra as minhas vontades.
Naquele dia no carro, eu me afastei dela. Eu tive o bom senso de entender que eu sou cara de quase trinta anos e ela é mais nova do que eu.
Eu nunca fui um cara de ficar correndo atrás de novinha, mesmo eu querendo muito ficar com ela, ainda acho que ela precisa viver a vida dela.
Ela é mais nova que eu, além de ser a filha do meu chefe e a sobrinha da minha ex, isso não pegaria bem pra nós dois.
— Oouu..– o Talibã estalou o dedo na minha frente, me trazendo de volta pra realidade.— Tu tá viajando aí.– ele falou rindo.
— Desculpa.– neguei com a cabeça.
— Se liga, pode dar uma carona pra Suellen, ela vai no salão fazer as unhas, tu acredita que ela vai ter o primeiro encontro dela hoje.– ele falou fechando a cara.
— É mesmo, que legal.– ela abaixou a cabeça.
— Não é um encontro, vamos apenas passear no shopping.– ela deu de ombros.
— O garoto é o que... dois anos mais velho que você.– ela confirmou com a cabeça.— Mas ele deve ter mais ou menos o seu tamanho.– ele começou a rir.
— Ele é daqui da favela?– eu perguntei curioso.
— Ele é lá da Nova Holanda, é o filho do Taz.– o Taz é o gerente de uma das bocas lá da Nova Holanda.
— O muleque é firmeza, tenho certeza que ela está em boas mãos.– forcei um sorriso.— Eu já vou indo Talibã, vou acatar a sua ordem de ir pra casa descansar um pouco.– fiz um toque com ele.
— Sua mãe já voltou de BH?– eu neguei com a cabeça.
— Minha avó ainda não está bem e pra ser sincera nem sei se ela vai sair dessa.– minha mãe teve que viajar pra ficar um tempo com a minha avó, a velha está quase partindo.
Ela não queria ir por causa do Alisson, mas eu falei pra ir sim, poderia ser a última vez que ela via a mãe dela viva.
A situação da minha vó é tão grave, que se ela levantar os braços é bem capaz de Deus puxar ela com corpo e tudo pro céu.
Saí da casa do Talibã e esperei a Suellen, quando ela saiu, ajudei ela subir.
Fomos durante o caminho em silêncio, não demorou nada e chegamos no salão do Pink.
— Entregue Princesa.– ajudei ela descer da moto, eu já estava quase dando partida quando ela colocou a mão no guidão.
— Eu sinto muito por tudo que você e a tia Alícia estão passando, eu queria ir ter ido até você, mas achei melhor te dar espaço.– ela mordeu os lábios.— Sei que você disse eu preciso seguir a minha vida, mas não é isso quero, eu queria agora nesse momento poder está ao seu lado.– ela não falou mais nada e me abraçou.
Era tudo que eu estava precisando nesse momento, um abraço sincero.
Eu segurei o rosto dela e dei um beijo na testa dela.
— Você é uma menina de ouro Suellen e assim como eu estou precisando desse abraço, a sua tia também.– ela concordou com a cabeça.— Sobre o seu encontro, eu só quero que você seja feliz com alguém que possa te oferecer tudo aquilo que você merece.– uma lágrima começou a rolar pelo seu rosto, eu passei o polegar no local.— Mas nesse momento eu não posso ser essa pessoa...
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Nesse livro teremos metas, conto com vocês para nessa jornada ☺️
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