NARRAÇÃO DE MATHEUS MILLANI...
Parei meu carro no estacionamento da mansão, sempre achei exagero viver em uma mansão tão grande, mas nossa mãe gosta de impressionar à todos dizendo que até os filhos dela são bilionários, eu sendo um bom empresário e meu irmão um cirurgião de renome.
Descemos do carro e automaticamente um mordomo se aproximou pegando o casaco de que eu usava.
Marcos, meu irmão, entrou ansioso para se arrumar em seu quarto em minha mansão. Marcos usa um dos quartos de visita em minha casa destinado já para ele.
Fui para o banheiro do meu quarto e me olhei no espelho tirando minha camiseta e admirando as novas tatuagens que cobrem meu corpo.
Também estava satisfeito com o resultado dos exercícios na academia. Estou ficando imenso, muito forte! Isso assusta até os ricos bêbados que discutem em minha boate.
Tomei um banho e debaixo do chuveiro fechei os olhos me ensaboando e me lembrando do olhar da nova dançarina. Seus olhos fizeram me calar por alguns segundos, nenhuma mulher conseguiu me calar ao olhar sua beleza. Aquela conseguiu e apesar de saber que está ali ansiando e precisando de dinheiro, acredito que não será burra se acaso algum magnata oferecer mundos e fundos para que aceite passar a noite com alguns deles. O aviso já foi dado e a chance é única!
Saí do banho enrolado na toalha e abri meu guarda-roupas procurando a roupa ideal.
Coloquei uma calça Jeans escura, uma camisa social azul marinho, penteei meus cabelos lisos para atrás, ajeitei a barba, passei um perfume e coloquei o relógio prateado do meu falecido pai no pulso.
Saí do quarto e bati na porta do meu irmão ansioso e o apressando.
- Já estou indo. - Ouvi barulhos de beijos e entendi que estava ocupado com a empregada. Enviei uma mensagem para ele " Te encontro na boate."
Enviei aquela mensagem pois conheço o irmão que tenho. Quando ele se tranca no quarto com alguma mulher, ele esquece da vida e de qualquer coisa.
Entrei no carro blindado no qual meu motorista já me aguardava.
Durante o caminho aproveitei para monitorar as câmeras da boate e estava tudo tranquilo.
Olhei o corredor do interior da boate onde as mulheres se arrumam e percebi a nova dançarina passando junto com sua amiga, as duas estavam de sobretudo escondendo a roupa de dançarinas. Os cabelos dela chamam muita atenção, é lindo! Espero que não me arrependa. Espero que Bia esteja certa, pois só à contratei pois Bia disse que essa novata sabe dançar.
Chegando na boate avistei Poliana, a gerente da minha boate. Ela tem seus 40 e poucos anos e ajuda cuidando muito bem das garotas, as repreendendo quando fazem algo de errado.
Ela olhou-me sorrindo assim que saí do carro. Passei por ela olhando o celular e checando e-mails de sócios de outras empresas da Família.
- Boa noite Sr. Millani. As meninas estão quase prontas, as mesas estão completas e estamos organizando a fila do lado de fora, ainda temos problemas com a boate concorrente que reclama dizendo que a fila da sua boate atrapalha a boate deles.
- Estou pouco me importando com eles. Mande as meninas se adiantarem, os clientes estão aguardando. – Mandei, passando por ela e subi para área vip onde encontro com minha ficante e assisto a boate para certificar de que estejam fazendo tudo certo.
Fui até à sacada da área vip e olhei o palco vazio com alguns clientes assobiando e apressando as dançarinas. Senti os dedos quentes da minha ficante deslizarem sobre o meu peit0 bagunçando minha camisa social.
- Está cheiroso e gostoso como sempre. - A voz rouca e carregada de sedução de Michelle arrepiou-me. É uma mulher gostosa e malhada, cabelos ondulados e castanhos. Sua marca são seus lábios fartos com um batom sempre escuro. Me virei para ela deslizando meus dedos sobre seu pescoço e toquei em seu cordão de diamantes que eu mesmo havia lhe presenteado.
- Senti saudades. - Disse falando próximo do seu ouvido. Ela suspirou e disfarçou deslizando sua mão em meu p@u.
- Eu também estou com saudades. - Ri ao ouvir aquilo. Paramos de nos seduzir quando a luz do palco acendeu.
As mulheres entraram em grupos, cada uma vestida com fantasias diferente.
Policial, enfermeira, médica e até roupa de estudante colegial.
A música começou a tocar e todas dançaram no mesmo ritmo conhecendo bem a coreografia. Os clientes ficavam loucos quando elas abaixavam até o chão com as mãos no joelho e se arrastavam engatinhando em cima do palco. Naquele momento acontecia a chuva de dinheiro que as dançarinas tanto apreciam. Elas colocavam os dinheiros em seus decotes e cintura.
- Hoje eles estão animados. - Michelle minha ficante falou abraçada em minhas costas acariciando meu dorso, olhando o quanto os magnatas jogavam dinheiro para as mulheres.
- Que continuem assim. - Disse distraído até perceber que a novata não estava no palco. Já estava perdendo ponto.
- Com licença! - Disse irritado me desvencilhando de Michelle pronto para querer saber o porquê dela não obedecer e estar no palco assim como todas! Desci as escadas irritado até ouvir uma música diferente.
Aquela música americana não é estranha, mas não me recordo do nome, só sei que é romântica e lenta. As mulheres saíram do palco no momento que um arco era pendurado no alto do palco. Sobre ele aquela novata sentada se exibia na medida que ele descia do alto.
Creio que tenho perdido o ar ao admirar aquela beleza. Seu corpo brilhava, suas pernas cruzadas com uma meia-calça arrastão branca combinando com seu vestido branco me desconcertou. Peguei uma bebida que o garçom passou oferecendo e nem sequer me dei ao trabalho de ver que bebida era. Estava simplesmente hipnotizado assistindo-a sair do arco e começando à dançar de uma forma sedutora mas não vulgar. Seus passos, os movimentos com seus dedos, seu quadril em movimento simplesmente me fascinou e não conseguia parar de olhar!
Pensei ter sido apenas eu que me encontrava naquele estado até perceber o silêncio na boate. Todos os clientes simplesmente estavam calados, em silêncio, e em estado de torpor por admirar algo tão sublime no palco.
Assim que a música terminou, ela olhou todos ofegante, derramando suor pelo seu corpo. Bia entrou no palco e pegou um microfone segurando a sua mão.
- Boa noite queridos! Hoje quero apresentar a mais nova dançarina de nosso grupo, Yara Teixeira. - Ela levantou a mão de Yara fazendo todos a aplaudirem com força. Aplausos, assovios e até gritos eram ouvidos das bocas de todos que foram atingidos pelo seu encanto. Raramente isso acontecia. Os magnatas costumam ser contidos, não aplaudindo. Só me dei conta de meu estado de admiração quando me percebi aplaudindo e derramando a bebida em minha calça.
- Merda! - Resmunguei limpando minha calça desejando não manchar já que acabei de chegar.
- Quer ajuda Senhor? - Um garçom perguntou preocupado após assistir a minha desatenção.
- Não, está tudo bem. - Olhei Yara novamente no palco e seus olhos encantadores vieram em minha direção. Não quero passar uma imagem de bom patrão, ela é boa, mas precisa ser a melhor! Assenti olhando-a no meio dos clientes e me surpreendi quando ela sorriu. Disfarcei pigarreando e olhei para cima onde fica o acesso vip. Michelle encarava Yara e depois me fitava demonstrando um certo incômodo da nossa interação. Outra coisa que não tenho paciência, não tenho namorada justamente porque não gosto dessa sensação de propriedade que elas querem exercer sobre mim. É o meu trabalho e ciúmes não podem ser misturados e tão pouco meus sentimentos.
Subi para área vip e ela continuou olhando para o palco assistindo as próximas apresentações.
- Ela é muito bonita.
- Quem? - Perguntei tomando um gole da minha bebida e desconversando.
- Aquela que deixou você e todo o resto dos homens hoje hipnotizados.
- Se ela soube fazer isso, ótimo! Essa é a intenção, não quero uma mediana, eu quero a melhor. - Falei bebendo e olhando o palco.
- Só não gostei do seu olhar sobre ela, não me parecia um olhar de um patrão crítico.
- Se não gosta das minhas reações então recomendo não vir para minha boate. Odeio crises de ciúmes ainda mais em meu trabalho.
- Na verdade irei vir sempre. Não gosto de te deixar sozinho e isso não é crise de ciúmes. Só estou de olhos bem abertos ao que me pertence. - Ela sorriu e me deu um selinho mesmo contra minha vontade.
Respirei fundo bebericando meu drink. Odeio ciúmes, mas não estou disposto a discutir sobre isso agora.