NARRAÇÃO DE YARA
Bia havia me levado até um prédio elegante e confesso que fiquei muito nervosa depois de escutar um pouco do que ela me falou a respeito do meu futuro empregador. Tenho que procurar não olhar em seus olhos e responder somente o necessário.
Subimos de elevador até o último piso e quando chegamos no corredor a caminho do seu escritório, já era possível ouvir gritos vindo do lado de dentro da sala. Bia olhou-me um pouco insegura com minha reação, mas me mantive calada olhando para o segurança que permanecia parado em frente como uma estátua à porta do escritório do tão temido Matheus Millani. Quer dizer, Sr. Millani.
Assim que chegamos mais próximo, o segurança bateu na porta do escritório no momento em que houve um breve silêncio. Logo em seguida ele entrou no escritório e pude ver uma loira de lingerie preta, agachada de joelhos como uma pr0stituta.
Depois que o segurança a arrastou para fora do escritório, ele nos ordenou para que entrássemos e assim fizemos.
De cara eu entrei de cabeça baixa evitando sua raiva já que segundos antes ele estava gritando e xingando. Ele foi ditando o que eu deveria fazer e fui acatando, mas quando ele mandou olhar nos olhos da pessoa, levantei meus olhos com coragem para olhar em seu rosto pela primeira vez. E que surpresa a minha. Ele é lindo! Barba bem-feita, um brinco em uma orelha e tatuagens pelo pescoço e braço. Notei, pois, ele havia puxado a manga da sua camisa social branca destacando uma tatuagem que cobria todo o braço. Seu peit0ral definido se destacava na camisa apertada.
Ele é forte e lindo!
Sua boca é carnuda, nariz fino e um olhar másculo carregado de poder. Ele apertava a mandíbula me encarando. Matheus Millani não aparenta ter nem 30 anos. Cara de homem novo. Eu apostaria no máximo 26 anos.
Quebrei o silêncio perguntando pelo salário e ele deu um sorriso de lado relaxando na poltrona e suspirou mostrando seu peito inflar sobre a camisa apertada. Quando ele disse que iria me pagar cinco mil..., quase surtei! Eu vou dar o meu melhor e me dedicar ao máximo! Poderei pagar um plano de saúde para minha mãe além de garantir todos os meses os seus medicamentos sem sofrimento.
Assim que finalizou suas orientações, me liberou. Contive a emoção até encontrar com Bia no corredor. Afirmei com a cabeça mordendo os lábios com tanto brilho nos olhos! Ela me abraçou forte e gargalhamos em comemoração.
- Vamos! Precisamos comemorar. - Bia segurou em minha mão e saímos daquele prédio elegante.
Me levou até um barzinho apresentável, porém me preocupei ao olhar aquele ambiente.
- Eu não bebo. - Falei preocupada. Duas coisas que nunca fiz nada vida, beber e trans@r. Sei que é um absurdo uma mulher de 24 anos dizer que nunca trans0u, mas é a pura verdade. Nascer e viver sobre os olhares de pais rigorosos e religiosos implicam em uma vida sem muitas aventuras e prazeres.
- É só um drink para brindar! Relaxa Yara. Hoje é um dia especial. O primeiro dia da sua nova vida! - Bia praticamente arrastou-me para dentro do barzinho e me fez sentar de frente para uma bancada que tinha um barman.
- Oi Bia! Como está? - Pelo visto Bia também conhece o barman. Ele é muito bonito, forte, dos olhos claros e queixo quadrado. Talvez eu esteja deslumbrada naquela Cidade e qualquer homem em si me desperte a atenção.
- Oi Dani! Estou bem, essa é a minha amiga Yara. Ela foi contratada para dançar na boate. - Aquele homem olhou-me em simpatia e estendeu sua mão. Apertou minha mão sorrindo e senti um breve calafrio. Sua mão áspera e grande mostra que ele trabalhava de verdade.
- É um prazer, me chamo Daniel. Parabéns pelo emprego! Essas vagas são muito disputadas. À noite eu trabalho no bar da boate, por isso conheço a Bia muito bem.
- Que bom! E normalmente essa boate fica muito cheia? - Perguntei sentindo um frio na barriga ao me imaginar dançando para muita gente. Espero ao menos que seja um tipo de boate no qual as mulheres ficam dançando enquanto os clientes ficam distraídos conversando ou jogando. No entanto notei o olhar do Daniel para Bia depois da minha pergunta, deixando a entender que talvez eu esteja equivocada sobre o real ambiente que estou me colocando.
- Este é o lugar mais requisitado no meio da alta sociedade...Fazem fila para entrar! Os magnatas amam a boate. Sr. Mateus Millani deve estar p0dre de rico!
- Uau. - Disse sentindo meu semblante cair. O medo se fez presente. Medo de tropeçar e cair, medo de muitos olhares sobre mim. Acho que minha ficha foi caindo conforme fui imaginando a situação. Senti Bia tocar sobre minha mão me despertando dos meus pensamentos.
- Amiga, o primeiro dia é sempre assustador. Mas eu tenho certeza de que você vai tirar de letra! - Forcei um sorriso agradecida por ela tentar me animar.
- Bom! Dani, queremos uma dose de tequila para cada uma! Precisamos comemorar.
- É pra já! - Daniel deu um tapinha na bancada empolgado e serviu as doses em dois copinhos de vidro. Peguei um deles e outro ficou com Bia. Simbolizamos a nova fase batendo nossos copos um no outro.
- Ao sucesso!
-Ao sucesso... - Confirmei mesmo angustiada e brindamos. Olhei aquela bebida e virei em minha boca engolindo de vez. Assim que o álcool bateu em minha garganta o gosto do arrependimento veio junto com aquele sabor terrível de álcool que queimava o peit0 e depois o estômago.
Tossi desacreditada em como Bia conseguia beber aquilo sem se abalar. Eles riram ao ouvir minha tosse e uma quase ânsia!
- Podíamos combinar de sair depois da boate. Normalmente a boate fecha às 02:00 da manhã, sei lá! Não terá muita coisa aberta, mas podemos arranjar algo para fazer... - Daniel sugeriu e Bia segurou em minha mão, pegando sua bolsa sobre a bancada.
- Nada disso! Precisamos descansar pois amanhã cedo teremos aula de dança. Até logo Dani! – Bia praticamente pagou e me arrastou para fora da boate.
- Não se envolve com ele! É sério, evite confusões. Qualquer funcionário ou cliente da boate não existe para nós! Devemos sempre respeitar as regras do Sr. Millani.
- Entendi. Pode deixar e obrigada pelo conselho! - Fomos para o apartamento que a partir de agora dividirei com Bia.
Comemos algo, descansei um pouco e depois nos trocamos colocando uma roupa de exercícios. Ela me apresentou um salão de dança com paredes de espelhos. Estava animada em treinar as danças com minha amiga assim como fazíamos antigamente. Enquanto Bia escolhia a música eu me alongava me preparando. Amarrei meus cabelos em um r**o de cavalo alto e assim que ela escolheu a música " Read All About it" nos animamos para começar o treino.
Entrei no ritmo dançando e expondo o dom que carrego. Cada passo ao ritmo da música lenta, olhava meus dedos e meus movimentos pelo grande espelho. É simplesmente mágico dançar e sentir que todos os problemas sumiam quando mergulhava ao som da música e o corpo fazia o que tinha que fazer!
Ficamos vários minutos em treino, só paramos depois de ficarmos completamente suadas, minhas bochechas estavam coradas pelo esforço da dança, precisava urgentemente tomar uma ducha para o primeiro dia. Notei que Bia não desviava por um minuto os olhos de mim e isso me constrangia.
- Oi? - Perguntei ofegante tirando minhas sapatilhas de ballet rosa bebê.
- Yara, houve um momento em que eu não consegui treinar. Você simplesmente arranca suspiros ao dançar, você sempre foi boa, mas agora está encantadora. - Ri constrangida, e senti um pouco de exagero.
- Claro que não...
- Sim! Você com certeza será a cereja do bolo naquela boate.
- Por falar em Boate, preciso te pedir um favor Bia! Se por acaso meus pais te ligarem querendo saber como estou diga que estou bem e que trabalho de garçonete com você! Nada de Boate e tão pouco dança...
- Eu sei! Relaxa, conheço seus pais e lembro como eles achavam errado e perca de tempo as suas danças. - Sorri constrangida por ela se lembrar de coisas que me entristeceram na adolescência.
- Aah! O professor de dança me ligou e disse que já enviou as roupas que iremos usar, eu tomei a inciativa de falar o seu número. A roupa está na sala, dentro de uma bolsa de roupas de grife. A sua bolsa está o seu nome!
- Está bem. Vou lá ver!
- Aproveita pra tomar um banho e se vista logo, temos pouco tempo. - Assenti e corri para a sala. Havia duas bolsas e uma delas estava escrito o meu nome. Peguei ansiosa e abri louca para ver a roupa.
Meu rosto corou quando percebi ser um vestido de cetim branco e solto, porém curto. Também havia um laço que amarrava minha cintura, uma meia-calça arrastão branca com uma sandália Scarpam branca. Me sentei no sofá segurando aquela roupa um tanto chamativa me perguntando se estava certa em prosseguir com aquela decisão.
Bia apareceu na sala pegando sua sacola e sorriu olhando a roupa em minha mão.
- Olha, pegaram leve contigo! Deve ser por ser o primeiro dia. - Ela mostrou sua roupa, uma fantasia de enfermeira totalmente sexualizada e tão pequena que parecia não ser possível cobrir as partes mais importantes.
- Bia do céu!
- São só roupas, pense assim. Ninguém te toca e depois que você sai da boate com seu bolso cheio a vergonha some. Agora corre para se arrumar. Não se esqueça da maquiagem. - Respirei fundo e fiz o que Bia pediu.
Tomei uma ducha rápida e coloquei aquele vestido, incrível como meu corpo ficou lindo nele! Moldava minha cintura, o decote nos meus sei0s me constrangeu afinal nunca fui de expor meu corpo.
A bainha do vestido batia acima da minha coxa, fiz questão de colocar um short branco bem curto para ficar menos indecente. Coloquei o salto e quando abri a porta Bia já me aguardava segurando sua bolsa de maquiagem. Meu rosto corou ao ver minha melhor amiga com uma roupa bem sensual de enfermeira.
- Venha! Eu vou te ajudar. - Ela me maquiou com delicadeza enquanto mantive meus olhos fechados. Suspirei nervosa sentindo-a ligar a prancha de cabelo e alisar meu cabelo que já era liso. Como ele é pesado a prancha deixava meus cabelos mais bonitos e brilhosos.
Depois que finalmente ela terminou, a ouvi comemorando e mandando que abrisse os olhos. Assim o fiz, perdi a fala. Estava irreconhecível! A maquiagem estava de arrancar suspiros. Não estava pesada e nem leve, estava no ponto certo! Meus cabelos os coloquei de lado gostando do que via.
- Vamos! Matheus Millani odeia atrasos! - Colocamos um sobretudo para esconder aquela roupa até chegar na boate.
Saímos às pressas até o estacionamento e entrei no carro da Bia.
- Preparada?
- Sim. Eu acho... - Ri sentindo meu coração socar meu peit0 não sabendo o que esperar