Quando percebi já estava disposta em frente ao grandioso espelho de ouro delicadamente ornamentado, vestindo um longo vestido branco tomara que caia com rendas construindo a imagem de flores do campo na bainha e pedras preciosas que se espalhavam pelo tecido se originando no b***o e parando em minha cintura, uma gigantesca calda e fios de ouro por todo tecido. O cômodo assemelhava-se a um camarim, com muita luz vinda de uma janela que ocupava toda a parede a minha esquerda. Havia muitas mulheres ao meu redor, todas muito atarefadas. Carregando coisas de lá para cá, arrumando meu cabelo, unha, maquiagem e vestido. Para ser honesta, não tinha quase nenhuma noção do que ocorria ali. Minha mente vagava em meio a ansiedade que me dominava. Estive esperando por este momento a vida toda. Minha imagem de vez em quando me trazia de volta a realidade. Deslumbrando me com o acréscimo de um adorno. Nunca estive tão bela. Porém, nunca passei tanto tempo sendo arrumada e recebendo tantos tratamentos de beleza diferentes, as preparações começaram a dias e já estava disposta ali a horas. Meus pés chegavam a doer pelas longas horas de pé. Entretanto não me atrevia a mover um músculo, já que quando fazia isso uma das costureiras alfinetava-me e murmurava um “fique quieta”. Alguns bons minutos mais tarde uma das tecelãs colocou sobre minha cabeça um tecido fino, transparente e gracioso que julguei ser o véu.
—Pronta! —ela disse e todas suspiram de alívio, incluindo a mim.
—Está belíssima, senhorita Delacour— disse a mais jovem entre as costureiras com um olhar deslumbrado. Está inocente não parecia compreender bem minha posição.
—Ela é uma Bieber agora—Disse seriamente a carrancuda idosa que atuava como cabeça na organização do evento.
—Ela se casará com o velho Bieber? Soube que acabou de ficar viúvo—a dama que acabou de fazer minhas unhas comentou.
—O velho Bieber não, o jovem, o General—a senhora disse e a informação acarretou uma mudança brusca na atmosfera da sala. Notei os olhares se voltarem para mim com uma certa inveja e empatia, além de uma obvia busca por confirmação.
Na realidade não tinha conhecimento sobre com que Bieber especificamente me casaria. Analiso o desenho da cabeça de leão em meu ombro direito. A marca tatuada em minha pele era um símbolo do fato de que agora pertencia a família eternamente. Então incapaz de fornecer qualquer detalhe. Me calo. Apesar de nenhuma delas dizer mais nada, não é difícil perceber pelos múrmuros que se sucederam e pelas feições das muitas mulheres ali que a figura que em minutos se tornaria meu marido era altamente conhecido e possuía grande dualidade ao seu respeito. Não conseguia julgar completamente, mas percebi que ele parecia ser de certa forma temido e admirado. Entregaram-me um buquê com flores, rosas douradas para ser exata. Uma espécie geneticamente alterada. E o buquê era envolvido em um tecido similar ao meu vestido. Relaxei levemente quando Kaliti apareceu. Ela me acompanharia até o altar e é a única pessoa meramente conhecida para mim ali. Kaliti esteve cuidando da minha preparação nos últimos dias e por mais que só tivéssemos uma relação de cordialidade me sentia mais tranquila com sua presença. Quando ela começou a me guiar para fora do cômodo meus dedos começaram a tremer e a suar frio. Jamais havia visto meu noivo e depois daqui seria eternamente dele. Tinha muitas dúvidas em mente sobre sua pessoa. Mas jamais se passou pela minha cabeça fugir. Sou uma Noiva fui criada e educada para isto.
Andamos pelo glorioso centro de eventos em passos lentos. O que ajudava a analisar o local mesmo com a visão levemente prejudicada pelo véu. Conseguia ver que o salão era abundante em mármore e a decoração continha muitas faixas douradas e estatuas de leões. Muitas flores perfumavam o espaço, mas tinham tantos tipos que não consegui identificar cada um. Havia muitas longas fileiras de cadeiras acolchoadas de couro. Numa contagem rápida conclui que estavam naquela tarde pacientemente me aguardando cerca de mil convidados. Estes vindos dos 5 reinos, exibiam suas marcas de família. E reconheci as mais famosas das famílias nobres ali. Logo a minha frente estavam os Boston com a reconhecível marca da rosa em suas bochechas esquerdas. Conforme caminhava localizei a família Rossi e o desenho de gavião em vista frontal em suas clavículas. As roupas sempre escolhidas de forma a deixar as tatuagens a visíveis. Conforme caminhava os muitos convidados se viravam para encarar-me de uma forma que me fazia me sentir pequena. Nenhum deles me parecia nem mesmo minimamente amigável.
Seguia o caminho definido previamente pelo tapete vermelho. Sentindo me cada segundo mais nervosa. Até finalmente visualizar no fim do corredor um homem de costas. Ele usava um terno branco por suas costas estava disposto um leão dourado rugindo majestosamente, com olhos de diamantes vermelhos. Aquela única peça parecia custar mais que todo o instituto onde cresci. Cada passo faz meu coração dar um salto com a proximidade. Quando atingimos o fim do tapete conforme as tradições Kaliti oferece minha mão ao desconhecido. Meu olhar se volta para ele, em uma busca de capturar cada detalhe possível de sua face. Esquecendo me completamente do meu nervosismo anterior ao cruzar o olhar com ele. Seus olhos eram de um castanho claro que lembrava um caramelo. Transmitindo-me certo conforto. Seus cabelos tinha um loiro escuro. Sua aura é marcante e imponente e sua face era no mínimo deslumbrante. Sua mão alcança a minha e noto como sua mão é grande e áspera. Seu toque é firme e nos guia ao padre. Esse que se quer tinha notado a presença em minha determinada busca por detalhes de meu noivo. O padre iniciou um longo discurso, mas não prestei atenção em uma palavra. Estava totalmente focada nele.
Quando o discurso terminou ambos nos ajoelhamos e conforme a tradição duas crianças um menino e uma menina se aproximam e colocam em nossos braços braceletes de ouro que ficavam logo abaixo da tatuagem de leão no meu ombro direito e no braço esquerdo dele, na mesma altura. Após isto, a cerimônia acabou e logo estávamos em uma festa. Fomos orientados a ir para uma mesa sob um palco de forma que ficávamos visíveis para o grande salão. Ainda não havíamos trocado uma única palavra
Após alguns minutos, o véu e o buquê já não se encontravam comigo e representantes de cada família nobre se direcionam a nós com presentes. Notei que era um momento muito aguardado já que muitos pareceram se mover no salão em busca de uma melhor visão. As famílias nobres pareciam se desafiar em quem daria o melhor presente. Os Boston nos presentearam com uma pintura de valor inestimável que datava de antes da corrupção e os Rossi com capas de tecido fino de sua autoria com o leão Bieber bordado em fios de prata, os Macmillan com um cavalo e uma égua sangue puro e os Kuma com um colar de pérolas belíssimo. E as famílias não nobres deixaram seus presentes também. Mas diria que o presente mais surpreendente veio depois. Quando as demais acabaram de nos presentear um homem moreno caminhou até nossa mesa no ombro esquerdo ele exibia por um corte no terno n***o a figura do leão. “Um parente” pensei, mas não sabia exatamente quem era até suas palavras preencherem o ambiente.
—Amado irmão, trago a você e sua adorável esposa o que espero ser o mais agradável presente— Ele disse fazendo uma leve reverência.
—Prossiga, Jason! —Ouvi Bieber dizer e me espantei com a rouquidão e profundidade de sua voz. Passamos todo aquele tempo em silêncio. E foi animador finalmente ouvi-lo.
—Se me permitir? — o irmão dele se aproximou de mim me oferecendo a sua mão.
O gesto foi estranho e deixou o clima do salão todo tenso. Pude ver um sorriso irônico se formar no rosto de uma mulher morena que tinha na face a tatuagem de uma rosa. Pela primeira vez vi certa irritação na figura do meu marido, porém ele fez um gesto de que não se importava. Peguei a mão de seu irmão e ele me guiou ao meio do salão. Um empregado se aproximou com uma caixa grande de veludo.
—Não precisa ficar nervosa, isso é apenas para mostrar a eles que uma nova Era começou—ele sussurrou ao pé do meu ouvi de forma que os cabelos dispostos naquele local se arrepiaram. Ele abriu a caixa retirando dali uma coroa.
—A coroa dê Elizabeth segunda, que você minha cara seja tão poderosa quanto ela. E que seu reinado dure tanto quanto o dela— ele disse colocando a peça sobre minha cabeça.
A atmosfera havia mudado novamente. Meu olhar percorreu o salão. Viam nas faces um misto de admiração e raiva. Escuto as palmas. Algumas pessoas fazem reverencias, outras cochicham.
—Bem-vinda a família Bieber, Stefany—Ouso Jason dizer.
Há muitos anos os laços familiares perderam seu valor. Porém, quando a humanidade se viu a beira de seu fim foram as famílias que sobreviveram. Uma família forte, criou um clan forte e a união dos clans um reino. Cada clan porém buscou manter sua família de origem como líderes. E com isso os membros das famílias foram marcados para deixar claro aos demais suas posições. As únicas capaz de fazer parte de famílias das quais não nasceram eram as “noivas”.
Jason Bieber
—Explique-me Tayler, quando sai do reino para uma pequena expedição estava tudo na mais completa ordem. Mas quando retorno, meu irmão mais novo ganhou uma Noiva e me usurpou o trono. Então meu caro preciso que me explique—digo me servindo de uma no dose de conhaque ainda irritado e sento em uma das poltronas.
—Sejamos sinceros que sua “pequena expedição” te deixou fora do reino por 5 anos. Nesse tempo seu irmão John participou de duas batalhas importantes e assumiu a posição de General. De acordo com o antigo rei, ele mereceu um presente— ele disse se jogando em uma das poltronas ao meu lado.
—E porque ele não lhe deu terras, um castelo? Mas uma Noiva? Como eles puderam concordar com isso? — As palavras amargas e raivosas saiam de mim como se não conseguisse mais guardá-las.
—Desculpe-me, por que isso lhe incomoda tanto? —Tayler disse e me lembrei que ele era um plebeu e com isso não devia compreender o que era uma Noiva.
—Meu cara amigo devo lhe explicar como funciona a política, já que você não é letrado. Bem as eras funcionam da seguinte forma. Primeiro temos a era dos Kuma, depois dos Boston, aí viemos nos os Bieber, depois os Rossi e por fim os Macmillan. Assim funciona a ordem de herança do trono para que cada clan fique feliz. Porém existem excessões a linha de sucessão. A linha muda caso a família não possuir um herdeiro pronto durante sua era ou se alguém da família possuir uma Noiva. Então meu querido irmão ao ganhar uma Noiva agora, não apenas roubou o trono dos Boston, como também roubou de mim já que a próxima era seria o meu reinado. Mas agora...— tomo mais um longo gole da minha bebida—está tudo perdido—conclui amargamente.
—Está dizendo que noivas roubam a linha de sucessão? Por que?—Tayler questionou.
—Plebe! devia estudar—digo irônico.
—Estamos ocupados de mais trabalhando nas minas—ele disse irritado.
—Não precisa ficar na defensiva. Não estou falando de noivas e sim Noivas. Dizem as lendas que são belas damas que possuem poderes mágicos e são abençoados por Deus— Ri.
—Poderes mágicos? Bem bela ela é. Desculpe, mas a mulher do seu irmão é muito gostosa— Taylor riu.
Umedeço os lábios com a língua com a imagem da doce Stefany sendo guiada ao centro do salão pela minha mão. Sua pele que parecia cetim e os olhos azuis claros e profundos. Os longos cabelos castanhos em liso perfeito. Como feita esculpida pelos melhores. Beleza digna de uma rainha. Eu jamais cobicei nada do meu irmão. Mesmo que verdadeiramente jamais nos entendemos. Mas geralmente a inveja partia dele para mim e não o contrário.
—Eu me questiono. Se digamos, ela decidi-se que não quer ficar com ele. Uma mulher divina como você disse. Poderia escolher se divorciar e casar novamente? — Ele questionou.
—Bem se o casamento não gerar herdeiros. Acredito que sim—disse com tédio e foi quando a luz se acendeu em minha mente.
Era isso. A forma de trazer de volta o trono que me foi roubado. Mas vou precisar de tempo. Vou precisar que eles não tenham nenhum filho antes que eu tenha chance de roubar o coração da jovem.
Stefany Bieber
Eu estava nervosa. Sabia o que viria após o casamento e parte de mim queria recuar. Mas devo admitir que outra parte, a que olhava de r**o de olho para meu marido que se encontrava ao meu lado na carruagem, não queria. Ele é tão belo. É como se sua presença me atraísse como um imã. A atmosfera ao nosso redor não era necessariamente a melhor. Porém parte de mim gostava de imaginar que ele estava tão nervoso e ansioso quanto eu. Observei a paisagem da janela mudar e o grandioso castelo se formar no horizonte. Nossa! Ele morava ali? Nos moraríamos ali? Quando chegamos, Bieber me abandonou na carruagem e fez seu caminho para dentro sem olhar para trás. Senti-me perdida e me apressei para segui-lo.
—Espere!—chamei.
Mas ele nem se quer se virou. Então apressei os passos. Mas ainda me mantinha muito atrás já que as suas pernas eram maiores. Passávamos apresados pelos corredores. O que me incomodou, afinal cada canto daquele castelo parecia uma obra de arte, mas não pude admirar nada. Então ele subitamente parou, me fazendo quase esbarrar nele. O encarei confusa. Estávamos no meio do corredor da zona leste, imagino.
—Seu quarto fica nesta porta a direita—ele disse distante em sua voz rouca.
E meu olhar foi instintivamente para porta indicada em uma parede azul esverdeado com detalhes em ouro. Ouro era abundante por todo o castelo.
—Mas e você? —questionei ainda mais confusa.
—Precisamos deixar algo bem claro. Eu não a quero. Toda esta cerimônia é apenas formalidade para mim. Não tenho nenhum interesse em uma Noiva— suas palavras frias por algum motivo me feriram como adagas lançadas ao meu peito. E então sem mais nenhuma palavra ele seguiu pelo corredor até a última porta e a trancou atrás de si.
Após longos segundos encarando a porta fechada me movo para a única coisa que me restou. O quarto a direita, é muito bonito e luxuoso. As paredes tinham um tom esverdeado elegante e os móveis pareciam realmente dignos da nobreza. A cama era o ponto alto, abundando em conforto. Sentei-me e minha mente vagou. Como fui tola. O que esperava? Um marido amoroso? O homem se quer me conhecia. Claro que me lembrava das aulas no instituto. “vocês serão amadas por seus maridos como as joias mais preciosa que eles possuem”. No fim eram apenas mentiras para fazer jovens como eu se casarem com o homem que o Estado mandasse. Uma amargura começou a crescer rapidamente em mim. Lutei para expulsá-la do meu coração. Talvez ele só precise de tempo. É isso! Tempo.
[...]
Quando dei por mim acabei dormindo do jeito que estava mesmo. No dia seguinte, acordo sentindo um desconforto. O vestido de casamento não era muito agradável para se deitar. Estava com dor em vários pontos. Mas estava decidida que ontem, ou a ausência do deveria ter acontecido ontem, não me atormentaria mais. Levantei e fiz minha higiene matinal. Por fim terminei vagando pelo castelo caçando o refeitório, ou onde é que o café da manhã estivesse sendo servido.
—Perdida? —escuto uma voz familiar é um sorriso surge em meu rosto a encontrar descendo as escadas a figura de Jason.
O irmão do meu marido é a melhor pessoa para encontrar. Ele não parecia do tipo que zombaria da minha incapacidade de encontrar o que provável era o local mais movimentado do castelo no momento.
—É tão evidente? —questionei de forma humorada. E ele fez seu caminho em minha direção com um sorriso astuto. Senti-me m*l-vestida assim que o observei com mais atenção enquanto o mesmo se aproximava. Jason era ainda mais alto que o irmão. Parecia alguns anos mais velho. Definitivamente um homem elegante. Apesar de muito diferente do irmão. Afinal seus cabelos e olhos eram escuros como a noite. E ele parecia gostar da cor já que se encontrava usando apenas preto. A atmosfera ao seu redor não era majestosa e sim de mistério. Quase como se o seu sorriso bondoso escondesse algo. Porém, naquele momento resolvi espantar tudo isso porque no fim, além de meu marido, ele era o único rosto minimamente familiar ali.
—Por que John deixou sua bela esposa perdida? — ele disse de forma humorada, mas a palavra Bela me chamou atenção. Podia ser ridículo. Mas aquele foi o momento em que descobri o nome daquele com quem me casei. Na cerimônia esperei ansiosa pelo momento de apresentação. Porém, ele nunca veio.
—Ele deve ter muito o que fazer—disse mais para mim mesma do que para ele. Para John eu poderia desaparecer e ele não perceberia.
—O que seria mais importante que sua mulher? —ele questionou com um sorriso de lado. Encantador, mas enigmático. Minha boca se abriu e fechou buscando uma resposta, mas não a tinha.
—Venha, eu não ligo de levá-la— ele passou seus braços por meus ombros me guiando.
Era um gesto estranho. Homem algum devia me tocar além de que um educado beijo nas costas da mão. Mas perante sua naturalidade no gesto, imaginei ser uma espécie de costume local. E como minhas opções era permanecer perdida ou segui-lo acabo não recuando de seu toque. Devo admitir que a proximidade me fez analisar a face de Jason com mais cuidado e devo admitir que ele possuía uma beleza sombria. Caminhamos pelo castelo com Jason indicando portas e lugares e me dizendo do que se tratavam.
—Aquele é o salão do jantar e aqui minha cara o salão de café— ele disse parando em frente a uma porta aberta.
—Muito obrigada— disse me afastando dele.
—Não tem de que. Mas se me permite dizer se tivesse acabado de me casar pode apostar que demoraria um longo tempo para me desvincular de minha esposa—suas palavras eram amáveis mas havia malicia em seu olhar de forma que me fez me arrepiar. Repreendi o ato mentalmente mesmo que ele não tenha sido premeditado. Incapaz de dizer qualquer coisa assisti Jason desaparecer.
John Bieber
Cavalguei até o Castelo Scarlet assim que amanheceu. Buscando a figura excêntrica de Aley. Fiz meu caminho ignorando os empregados até a estufa.
—Aley? —chamei.
—Olá meu querido—ele disse se aproximando alegre ao me ver.
—Já disse para não me chamar assim—disse me sentando em um dos bancos ali dispostos.
—O que o trás aqui? Imaginei que não o veria por um longo tempo— ele disse pensativo.
—Quero que desfaça o que fez! —disse sério.
—Muito tarde para pedir isso, não? — ele disse.
—Não finja que não pedi milhares de vezes antes—disse.
—Pensei que mudaria de ideia ao vê-la— ele disse pensativo.
—Não mudei. Eu salvo sua vida e você me traz problemas—digo transbordando em raiva.
—Eu lhe retribui com o que lhe faltava— Aley disse.
—Eu já tinha poder e status não precisava de uma coroa— disse.
—Então é isso que lhe incomoda. Para mim, isso é m***r dois coelhos com uma única cajadada— o rei disse retirando um lenço do bolso e tossindo nele.
—Tudo me incomoda. A forma que Jeffrey me trata. E que os outros me tratam. Agora não sou apenas o sanguinolento também um usurpador do trono. Trono esse que você sabe que eu não desejo—digo.
—Então a jovem não lhe incomoda—ele diz sorrindo sorrateiro.
—Como me conhecendo pode acreditar que uma menina com algo divino pode se relacionar comigo—disse.
—Ela é angelical. No momento que a vi sabia que seria perfeita para você—ele disse. Parecia não me ouvir.
—Entenda de uma vez por todas. Eu não quero me casar! —disse.
—Você já está casado—ele apontou o bracelete de ouro em meu braço.
—Mas até que eu seja coroado, você ainda tem autoridade para anulá-lo—Disse lhe entregando o bracelete.
—Por que quer se divorciar? —ele diz.
—Porque não queria me casar para começo de conversa—disse.
—Quero dizer o que no casamento lhe incomoda? Não me diga que a moça. Você m*l teve tempo de conhecê-la. E duvido que se quer tentou. Trocou quantas palavras com ela? Bem, se o que quer é retornar a passar seus dias sozinho na floresta caçando, ou treinando ou na guerra. Sabe aprecio o que fez pelo país na guerra, mas isso não lhe trouxe nada—ele disse.
—Me fez quem eu sou—disse.
—Um homem temido—ele disse.
—Respeitado! —rebati.
—Cheio de sangue nas mãos e completamente sozinho—ele disse.
—Estou bem sozinho—disse.
—Sabe, os melhores líderes são aqueles que não pretendiam liderar. Você foi a guerra para fugir da vida fútil de sua família. E se mostrou um líder tão bom que em apenas 5 anos assumiu o cargo de general. Me diga outro como você? —ele disse.
—Por que um casamento? —disse.
—Já lhe disse. Dois coelhos com uma única cajadada. Além de que eu ainda sigo as leis— Aley sorriu doce. Esse Velho.
—Como você está? — questiono ao vê-lo levar o lenço novamente a boca.
—Estou morrendo, lentamente—ele diz com naturalidade.
—Não fale assim—disse incomodado.
—Não se preocupe estarei bem para lhe passar a coroa—ele disse e revirei os olhos.
Aley Kuma, um homem estranho. Des que o conheci a única coisa que sempre retornava à minha mente é que o mundo era injusto. O rei passou a vida tentando um herdeiro. Seu nome estaria na história marcado como Aley, o infértil. Mesmo que tenha feito tanto pelo povo e pela nação. Ele não teve o que mais desejou. Enquanto isso meu pai teve 12 filhos dos quais ele não liga para nenhum. Aquele que mais teve sua atenção foi o primeiro. Jason! Todos os seguintes tiveram que se contentar com uma paternidade de m***a. Passei apenas poucos anos com Aley mas diria que o mesmo me conhecia muito melhor que meu próprio pai. Minha mãe era uma figura tão desprezível que sua morte em minha infância se quer me fez falta. As muitas madrastas não foram de forma alguma mais importantes. E tirando meus dois irmãos mais novos poderia dizer que preferia distância de minha família.
Após um café da manhã, que insistiu que eu tomasse, volto cavalgando para o castelo. Ao deixar o Maximus no estábulo, o alimento e sigo para o castelo. No caminho, paro algum tempo com o olhar sobre o bracelete dourado. “Você já está casado”, “você m*l a conheceu”. Aley estava certo em uma coisa. Não era a moça que me incomodava necessariamente. Mas a ideia de estar caindo na armadilha que bolaram para mim. Eu sabia que Aley não queria me livrar da solidão. Ele queria que mostrasse minha masculinidade. Queria que eu desse o que Jeffrey queria e o que todos na sociedade queriam. Filhos. Uma Noiva. O poder mágico e sagrado que ele buscava. Um velho t**o correndo atrás de lendas. Uma mulher e um homem capaz de gerar aquele que seria o grandioso rei que acabaria com a guerra. Me lembro de suas palavras como se as estivesse ouvindo agora “Sabe Bieber, você parece ter o mesmo que seu pai” Aley disse e eu quase vomitei com a ideia de ter algo em comum com Jeffrey. “Estou falando que ambos possuem uma masculinidade fértil” ele disse. Na hora pareceu perdido e estranho. Mas eu sabia o que ele queria dizer com isso agora. Eu não cairia na armadilha. Não seria como Jeffrey. Não tinha intensão alguma de deixar uma mulher entrar em minha vida. Eu já tinha problemas demais. E não a rebaixaria a ser o que eles querem que ela seja. Ela também não merecia. Tinha olhos inocentes. Uma mulher criada como uma joia não devia ter um marido como eu. Alguém que já matou porque queria esquecer os próprios problemas. Que as trevas abraçam como uma amiga. Que é incapaz de dormir porque os fantasmas o perseguem. Estava pronto para subir diretamente para meu quarto quando vejo Jason descendo as escadas acompanhado de Stefany. Noto seus braços ao redor do ombro dela. Não é difícil perceber suas segundas intenções. E algo no fundo da minha mente se incomoda. Mas ela não parece incomodada. Então permaneço parado e antes que eles me notem desvio meu caminho.