capítulo 5- A noite em que quase passaram do limite

697 Words
A mansão parecia diferente depois da denúncia. Mais silenciosa. Mais fechada. Como se as paredes tivessem ouvido demais. Luna caminhava de um lado para o outro em seu quarto quando ouviu a batida na porta. Uma única batida. Controlada. Ela já sabia quem era. — Entra — disse, sem esconder a irritação. Adrian abriu a porta devagar. Sem paletó. Camisa social aberta no primeiro botão. O cabelo menos arrumado do que de costume. Aquilo… aquilo não deveria afetá-la tanto. — Precisamos conversar — ele disse. — Claro que precisamos — Luna respondeu. — Você quase me transformou em prova de um crime. — Você poderia ter ido embora — ele rebateu, calmo. — E não foi. — Não romantiza isso — ela disparou. — Eu fiquei porque quis evitar problemas. Adrian fechou a porta atrás de si. Não trancou. Mas o som do clique ecoou no quarto. — Você mentiu para a polícia — ele disse. — Por mim. — Não foi por você. — Ela cruzou os braços. — Foi por mim. — Foi por nós. — ele corrigiu. Ela riu, sem humor. — Não existe “nós”. Adrian se aproximou apenas o suficiente para invadir o espaço emocional dela — não o físico. — Existe um contrato — ele disse. — E agora existe algo mais. — Não começa. — Você sentiu também. — ele afirmou, não perguntou. O coração de Luna acelerou. — Sentir o quê? — O risco. — A escolha. — O momento em que você percebeu que podia ir… e ficou. Ela desviou o olhar. — Você está extrapolando. — Estou sendo honesto. — Adrian respondeu. — Algo que você exige, lembra? Luna respirou fundo. — Você não pode usar isso contra mim. — Não estou usando contra você. — Ele deu mais um passo, parando a centímetros dela. — Estou tentando entender. Ela levantou o rosto, desafiadora. — Entender o quê? — Por que você ainda está aqui. O silêncio caiu pesado entre os dois. Luna sentiu o calor da presença dele. A respiração controlada. O autocontrole quase… forçado. — Você gosta de controle — ela disse. — Mas isso aqui está fora do seu alcance. — Está mesmo? — ele perguntou, a voz baixa. Ela sentiu o arrepio percorrer a espinha. — Não se aproxime mais — Luna avisou. — Eu não toquei você. — Adrian respondeu, firme. — Ainda. O “ainda” ficou no ar. Perigoso. Ela deu um passo para trás. — Você está testando a cláusula. — Não. — ele respondeu. — Estou testando você. Luna sentiu a raiva e algo mais se misturarem. — Sai do meu quarto. Adrian hesitou. Foi quase imperceptível. Mas ela percebeu. — Essa é uma ordem? — ele perguntou. — É um limite. — ela respondeu. — E você disse que respeita limites. Os olhos dele escureceram. Ele respirou fundo. Uma vez. Duas. Então deu um passo para trás. — Muito bem. — ele disse. — Mas antes… Ele tirou o relógio caro do pulso e colocou sobre a cômoda. — O que é isso? — Prova de confiança. — Adrian respondeu. — Não vou vigiar você esta noite. — Você nunca vigiou— — Vigiei sim. — ele interrompeu. — Sempre vigio tudo. Luna engoliu seco. — Boa noite, Luna. — ele disse, finalmente. Quando estava prestes a sair, ela falou: — Adrian. Ele parou. — Se você tivesse tocado em mim hoje… — ela começou, a voz mais baixa — eu teria quebrado tudo. Ele virou o rosto lentamente. — Eu sei. — Então por que chegou tão perto? Os olhos dele a prenderam com intensidade. — Porque eu precisava saber… — ele respondeu — se você também sentiria dificuldade em me mandar embora. O coração dela quase parou. Adrian saiu do quarto. A porta se fechou. Luna ficou ali, sozinha, com a respiração irregular e a certeza incômoda de que: Ela não o odiava tanto quanto queria. E ele não era tão imune quanto fingia. Do outro lado da porta, no corredor escuro, Adrian encostou a testa na parede por um breve segundo. Apenas um. Controle não era mais o maior problema. Desejo era.
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