capítulo 4 - A denúncia que coloca tudo em risco

969 Words
O silêncio caiu como uma lâmina. Luna sentiu o estômago despencar quando percebeu que todos os olhares na sala estavam voltados para ela. — Mantida contra a vontade…? — ela repetiu, a voz mais baixa do que pretendia. O funcionário parecia querer desaparecer. Adrian não disse nada de imediato. Isso foi o pior. Ele apenas virou o rosto lentamente para Luna, os olhos escuros, avaliando cada reação dela como se estivesse reconstruindo o quebra-cabeça inteiro em segundos. — Foi você? — ele perguntou. Não havia raiva na voz. Havia algo muito mais perigoso: controle absoluto. — Eu não fiz denúncia nenhuma — Luna respondeu rápido. — Nem sabia que isso era possível. Adrian a observou por mais alguns segundos. Então, virou-se para o funcionário. — Quem fez a denúncia? — Foi… foi anônima, senhor. Mas as autoridades estão a caminho. Disseram que precisam verificar as condições em que a senhora Vale está vivendo. Luna arregalou os olhos. — Senhora Vale… — ela murmurou, engolindo seco. Adrian respirou fundo. Uma única vez. Depois disso, ele entrou em ação. — Esvaziem a casa. — ele ordenou. — Agora. — O quê? — Luna reagiu. — Você vai me esconder?! Ele se virou para ela num movimento rápido. — Não. — disse, firme. — Eu vou te proteger. — Eu não pedi— — Não importa. — Adrian cortou. — Isso não é sobre você desafiar regras ou bancar a rebelde. Isso é sério. — E quando alguma coisa não é séria pra você? — ela retrucou. Ele se aproximou dela, a voz baixa, urgente. — Quando envolve meu nome, minha empresa… e você… tudo é sério. A palavra você ficou no ar tempo demais. Luna sentiu o impacto. — Você está com medo? — ela perguntou, provocando por reflexo. Adrian inclinou o rosto, os olhos cravados nos dela. — Não. — ele respondeu. — Estou com raiva. — De mim? — De quem ousou usar você contra mim. Aquilo a desarmou. Antes que pudesse responder, vozes ecoaram do lado de fora da mansão. Sirene distante. O coração de Luna começou a bater rápido demais. — Eles estão chegando… — ela sussurrou. Adrian segurou o braço dela. Não forte. Não violento. Mas firme o suficiente para que ela parasse. Ela olhou para a mão dele em seu braço. — Você acabou de quebrar a cláusula — ela disse. Ele não soltou. — Não. — Adrian respondeu, calmo. — Eu não toquei você sem consentimento. Ela engoliu seco. — Então solta. — Diga para eu soltar. Silêncio. Ela percebeu o jogo tarde demais. — Adrian… — Diga. A sirene ficou mais próxima. Luna fechou os olhos por um segundo. — …Solta. Ele soltou imediatamente. O olhar dele mudou. Algo que parecia… satisfação. — Ótimo. — ele disse. — Ainda estamos dentro do contrato. Ele virou-se para o funcionário: — Levem-na para o escritório interno. — ordenou. — Ninguém entra lá sem minha permissão. — Você não manda em mim! — Luna protestou. Adrian voltou-se para ela. — Hoje, manda sim. — ele disse. — Porque, se você abrir a boca na frente deles sem entender o jogo, vai destruir tudo. — Tudo o quê?! — Sua liberdade. A minha empresa. E o pouco controle que ainda existe entre nós. As portas da frente se abriram. Dois oficiais entraram. — Senhor Adrian Vale? — um deles perguntou. — Sou eu. — ele respondeu, impecável, frio outra vez. — Em que posso ajudar? — Recebemos uma denúncia de cárcere privado envolvendo sua esposa. Luna sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela olhou para Adrian. Ele não desviou o olhar dos oficiais. — Isso é um m*l-entendido. — disse. — Minha esposa está aqui por livre e espontânea vontade. Os olhos do policial se moveram para Luna. — Senhora Vale… isso é verdade? O coração dela martelava. Ela podia acabar com aquilo ali. Podia dizer não. Podia destruir o contrato. Podia ir embora. Ou… Podia mentir. Ela respirou fundo. Olhou para Adrian. Pela primeira vez, ele parecia… vulnerável. Apenas por um segundo. — É verdade. — Luna disse, enfim. — Eu estou aqui porque quero. O silêncio foi absoluto. Adrian virou o rosto para ela lentamente. Surpresa. Pura. Os policiais trocaram olhares. — Nesse caso, precisamos apenas registrar algumas informações. — disse um deles. — Senhora, se quiser sair, é livre para isso. Luna engoliu seco. Ela sentiu o peso da escolha. E respondeu: — Eu sei. Os policiais assentiram e começaram a anotar. Quando eles finalmente se retiraram, a casa voltou ao silêncio. Luna soltou o ar que estava prendendo. — Pronto. — ela disse. — Feliz? Salvei seu império. Adrian aproximou-se dela devagar. — Você não salvou meu império. — ele disse. — Então o quê? Ele parou diante dela, a poucos centímetros, os olhos intensos. — Você escolheu ficar. O coração dela falhou uma batida. — Não confunda as coisas — ela respondeu rápido. — Eu só não quis criar um circo. — Claro. — ele disse, mas havia algo novo em sua voz. — Foi exatamente isso. Ela deu um passo para trás. — Isso não muda nada. Adrian inclinou levemente a cabeça. — Muda tudo, Luna. Ela sentiu um arrepio percorrer o corpo. — Agora eu sei que você poderia ir embora… — ele continuou. — E mesmo assim ficou. — Não tire conclusões. — Já tirei. Ele se virou para sair, mas parou na porta. — A partir de hoje, — disse sem olhar para trás — a cláusula continua valendo. Luna cruzou os braços. — Ótimo. Ele completou: — Mas as consequências… também mudaram. Ela engoliu seco. — Que consequências? Adrian olhou por cima do ombro, o olhar escuro, intenso. — Agora, eu não vou apenas tentar te controlar. Vou proteger você. E isso… era muito mais perigoso.
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