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Nem todo ouro tem valor

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Blurb

Gabrielle Goldman tem tudo . Nome, poder, e um império... mas nenhuma liberdade. Aos vinte anos, ela está prestes a herdar a corporação bilionária que seu pai construiu – desde que cumpra uma uma séria de exigências, sendo uma mais c***l que a outra. E ela não vê nenhum problema em cumprir com esses pré-requisitos, exceto por um: um casamento arranjado, forjado por contratos e mentiras, justamente com a pessoa que a abandonou anos atrás.

Como uma brincadeira c***l do destino, seu melhor amigo de infância e primeiro amor, Lucas Park, retorna após uma década afastado. O único homem capaz de se encaixar nas exigências do testamento. Passado claro, intenções nobres e o sobrenome certo. E mesmo que ele não seja a escolha dela, é a única forma dela garantir que a cláusula seja cumprida.

E é aí que tudo começa a desmoronar, quando surge uma nova escolha.

Quando Gadreel aparece do absoluto nada, se revelando ser tudo aquilo que todos desejam que ela mantenha distancia, ela se vê dividida entre as rédeas que nunca a libertaram... e o caos que finalmente a fez se sentir livre. Entre um homem que a idolatra e um homem que a vê. Entre o nome que ela usava e a mulher que exige emergir dos escombros sob ele.

No fim, ela terá que escolher entre ser quem realmente é e quem esperam que ela seja. Entre poder ou liberdade. Entre o amor e o conglomerado deixado por seu pai.

Ela não poderá ter os dois.

Este não é um romance sobre amor. É sobre o que resta depois que amar não é suficiente, e a única maneira é sobreviver à sua própria ruína.

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Sobre a posse absoluta do conglomerado
Art. Único: A herdeira terá posse absoluta, irrefutável e intransferível, após a maioridade de 21 (vinte e um) anos, sob o cumprimento das seguintes exigências: 1. A herdeira deverá ser apta ao cargo de CEO, tendo pleno conhecimento certificado das seguintes áreas: a. Administração de empresas e finanças corporativas b. Economia c. Engenharia d. Arquitetura e. Gestão de pessoas Essa foi a primeira das dez exigências de meu pai, nada fáceis de se cumprir. Ele era a pessoa que mais me conhecia no mundo, talvez soubesse mais de mim do que eu mesma, o que me deixava desconfortável, pois sabia exatamente como lidar com o meu narcisismo. Não pude conter o riso quando li pela primeira vez, na verdade, eu ri alto e tão descontroladamente, que senti cada músculo do meu corpo vibrar. Me obrigar a ser social mediante um documento era tão John. Ele sabia que eu não gostava de participar de eventos sociais, sabia que eu não gostava das pessoas da minha idade, assim como sabia que eu sairia viajando pelo país na primeira oportunidade que tivesse. Ele fez tudo o que pode para me obrigar a permanecer ali, em baixo das suas asas, mesmo após a sua morte. Confesso que não estava nem um pouco ansiosa para me tornar a mais jovem bilionária do país, mas seria a escolha certa a se fazer, afinal, eu seria incapaz de lidar com a possibilidade da queda do império que meu pai construiu, eu jamais faria com que tudo o que lutou, tudo pelo que passou, desmoronasse devido a meu egoísmo. Não era uma lista fácil, mas com certeza eu iria cumprir com maestria, afinal, ele havia me criado para essa função, havia me ensinado tudo o que eu sei, desde as escolhas das palavras até o movimento das mãos. Eu sempre fui uma argila crua, sendo moldada por John. Já estava na hora de queimar. Jullian, o encarregado deixado por meu pai, já havia dado um ultimato, aquele seria meu teste, a minha última oportunidade para me socializar formalmente, antes de ser dado a entrada no meu estágio na empresa. Era esse o plano dele, se eu não conseguisse permanecer numa festa i****a, por pelo menos duas horas, eu deveria ser a nova secretária do vice-presidente, uma vez que havia afugentado todos os candidatos. Eu não sabia qual era a pior opção, afinal, o vice-presidente era ele mesmo, então ao invés de vê-lo por alguns minutos do dia, passaria todas as horas ao seu lado. Com certeza eu conseguiria comportar-me numa festa fútil. Escolhi o curso de arquitetura como a minha primeira graduação. Segundo as regras de meu pai, eu deveria ter pleno conhecimento das outras áreas, mas não significava que precisaria tornar-me bacharel nelas todas. Então Jullian me ajudou a otimizar o meu tempo, me ajudando a escolher a área com que tive a melhor afinidade para me graduar, enquanto as demais, teria aulas particulares com doutores graduados pelas empresas de meu pai. Esse sistema de tutoria era benéfico para todos os envolvidos no programa. A nossa empresa pagava a formação dos profissionais treinees, e então, quando estivessem formados, eles se tornariam instrutores, formando assim um grupo bem seletivo de profissionais especializados, os melhores do país. Esse foi o segredo do sucesso de meu pai, investir em educação e lealdade. Eu via como tratar filhotes, que cresceriam sob o domínio do alfa. Estava na hora, seria a última festa do ano na universidade, a festa de natal que eu tanto odiava. Sempre detestei o natal. Na verdade, não gostava de nenhum evento que reunisse mais de cinco pessoas. Em geral, eu não gostava de pessoas. Elas são até divertidas, atiçam a minha curiosidade, mas tudo passa depois de algumas horas as observando. Os macacos do zoológico são mais interessantes, tão mais honestos. Tudo bem, eu iria conseguir. Abri a porta do táxi e desci. Na minha frente, havia um gramado completamente tomado por copos descartáveis e serpentinas brilhantes. Como era possível sujar o jardim de entrada de um pouco mais de trezentos metros, em tão pouco tempo? Ou estava tão atrasada assim? A festa estava marcada para as 10 p.m, e haviam se passado somente dez minutos. São essas atitudes que me fazem perder o interesse nas pessoas. Caminhei alguns metros, até encontrar os dormentes, que me levariam até a varanda da velha república. Não sei o que estavam pensando quando decidiram criar uma república para reunir idiotas cheio de dinheiro. A única explicação, era que seus pais os queriam fora de casa, então decidiram bancar festas todos os finais de semana, das quais eu nunca participava. Criar uma república para pessoas que moram na mesma cidade não faz sentido nenhum para mim. “É para incentivar o convívio e criar laços”, foi essa a resposta de Jullian, quando repeti inúmeras vezes que, uma vez que meu pai fazia doações para manter aquela parafernália, assim que eu assumisse, iria mandar derrubá-la. Cada um que fosse se divertir nas suas respectivas casas. Olhei pela janela vitoriana, a única com as persianas abertas, e no momento que percebi o número de pessoas ali dentro, quis dar meia volta e aceitar a proposta de Jullian. Pessoas completamente bêbadas, semi nuas, dançando ao som de uma música que nem sequer tinha notas musicais. Olhei para a roupa que eu vestia e ri. Como pude ser i****a em achar que realmente se tratava de uma festa natalina? Meu vestido vermelho, rodado e brilhante, muito brilhante, acompanhado de um escarpin preto de camurça. Os meus cabelos caiam longos cachos negros pelo decote tomara que caia, acompanhado de um minúsculo gorro natalino. Céus, eu poderia ser a própria mamãe Noel da festa. Tudo o que pude fazer, foi tirar aquele gorro ridículo, jogar no chão madeirado, e me virar. Estava pronta para ir embora quando a porta se abriu. — Jingle bells senhorita Gold — disse um sorriso presunçoso. Lucas Park, o típico herdeiro que toda garota sonha em ter como companheiro. Bonito, carismático e com uma conta cheia de dinheiro. Eu não me importava com a sua simpatia, tampouco precisava do seu dinheiro, a única razão para eu não raspar a sua cara no asfalto quente, é pelo simples fato que seria um desperdício. A sua simetria era assustadora quando observada por algum tempo. Com a sua descendência oriental, era quase impossível não olhar nos seus olhos escuros e profundos, o seu nariz levemente empinado e fino, a boca era grande com lábios volumosos. Era possível ter aqueles traços naturalmente? Se a inocência tivesse um rosto, aos vinte e três anos, com certeza seria aquele.

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