OLHARES QUE TRAEM

553 Words
O silêncio na sala não era silêncio. Era o que sobra depois de um erro grande demais. Gianni ainda estava onde Leon o deixou. Respiração pesada. Tentando se manter firme. Tentando parecer algo que ainda não era. Leon estava de costas. Mãos apoiadas na mesa. Cabeça baixa por um segundo a mais do que deveria. A porta abriu. Morgana entrou. Sem pressa. Sem anúncio. E em segundos… leu tudo. O ar carregado. A distância entre eles. O jeito que Gianni segurava a própria postura. O jeito que Leon não se movia. — Cheguei tarde ou bem na hora? A voz saiu calma. Leon virou o rosto de leve. — Depende do que você quer ver. Ela avançou. Devagar. — Problema novo… ou consequência? Gianni olhou pra ela. E ali… a postura falhou. Só um pouco. Mas o suficiente. — Eu resolvi — ele disse. Rápido demais. Morgana parou. Virou pra ele. E o olhar mudou. Não ficou mais frio. Ficou… conhecido. — Resolveu o quê, pirralho? Aquilo. Simples. Quase leve. Mas quebrou alguma coisa. Gianni engoliu seco. Porque não importava quantos anos passassem… quando ela falava assim… ele voltava. — Eu fui até eles. — Quem. — Os russos. Silêncio. Leon soltou um riso curto. — Ele resolveu começar uma guerra. Morgana voltou o olhar pra Gianni. Mais atento agora. Mas ainda sem dureza. — E você foi sozinho? — Fui. Agora mais firme. Tentando recuperar espaço. Ela deu um passo mais perto. Sem ameaça. Sem pressa. — E? Um segundo. Dois. — Eu matei o filho dele. Silêncio. Morgana não reagiu na hora. Só respirou. Pensou. — De quem? — Volkov. Agora sim. Uma mudança sutil. Olhar mais focado. Mais estratégico. Mas não raiva. Não julgamento. — Certo… Ela assentiu de leve. Como quem organiza o problema. — Você não facilitou nada pra gente. Não foi ataque. Foi constatação. Gianni deu um passo à frente. — Eu resolvi. — Não — ela disse, calma — você acelerou. Aquilo bateu. Mas não destruiu. Ainda. Ela suspirou de leve. Quase imperceptível. — Vem cá… Deu mais um passo. Ficando perto dele. Mas não como ameaça. Como… alguém que já esteve ali antes. — Você achou mesmo que ele ia ficar orgulhoso? Baixo. Quase gentil. Erro. Gianni sustentou o olhar. Mas agora… exposto. — Eu não fiz por isso. Mentira m*l construída. Morgana inclinou levemente a cabeça. E o canto da boca subiu. Quase triste. — Fez sim. Silêncio. — E agora a gente vai ter que lidar com isso. Ela deu um leve toque no braço dele. Rápido. Quase automático. Fraternal. Mas pra ele… não era só isso. Nunca foi. Leon viu. Cada detalhe. E foi ali… que algo nele mudou. Não era mais só irritação. Era outra coisa. Mais silenciosa. Mais perigosa. Ele se afastou da mesa. Devagar. — Chega. A palavra veio firme. Sem espaço. Passou entre os dois. Quebrando a proximidade. — Isso não é mais sobre o que você quis provar. olhar rápido em Gianni — É sobre o que a gente vai ter que sustentar agora. Silêncio. Morgana cruzou os braços. Agora mais fria. De volta ao lugar de sempre. — Então fala. Leon olhou pra ela. Um segundo a mais. Diferente do olhar que deu pro irmão. — Reunião. Curto. Direto. — Agora. E dessa vez… ninguém discutiu.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD