ORGULHO E RUÍNA

636 Words
A porta se abriu antes que Leon precisasse tocar. Já estavam esperando. Isso nunca era bom sinal. A casa dos Gonzales não estava silenciosa. Estava… tensa. Como se o ar tivesse sido mexido por mãos erradas. Leon entrou sem diminuir o passo. Olhar direto. Frio. Pronto pra resolver. Ou destruir. Gianni estava no meio da sala. Andando de um lado pro outro. Energia demais pra caber no próprio corpo. Cabelos negros desalinhados. Olhos claros. Aqueles olhos azuis que nunca conseguiam esconder nada por muito tempo. Ele parou quando viu o irmão. Por um segundo… só um… pareceu um garoto esperando aprovação. — Eu resolvi — ele disse. Rápido demais. Antes de qualquer pergunta. Leon nem diminuiu o ritmo. — O quê. Não foi pergunta. Foi aviso. Gianni sustentou o olhar. Forçando firmeza onde ainda faltava peso. — Eu fui até eles. Silêncio. Um segundo. E tudo mudou. — Você fez o quê. Agora sim. Baixo. Perigoso. Gianni deu um passo à frente. — Eu não fiquei esperando ordem, eu fiz o que precisava ser feito— Leon avançou. Rápido. Sem aviso. A mão dele agarrou a gola da camisa do irmão e o empurrou contra a parede. O impacto foi seco. — — Você não pensa? — a voz saiu baixa, mas carregada de algo muito pior que grito — ou você só resolve provar que é burro na prática? Gianni travou o maxilar. Mas não recuou. Nunca recuava. — Eu resolvi um problema. — Você criou um. Silêncio. Pesado. — Quem — Leon perguntou. Agora mais frio. Mais controlado. O tipo de controle que vem depois da explosão. Gianni hesitou. Erro. Leon apertou mais. — Quem você matou. Um segundo. Dois. E então: — O filho dele. O ar mudou. De novo. — De quem. A voz agora… baixa demais. Gianni sustentou. Dessa vez sem fugir. — Volkov. Silêncio. Completo. Se alguém ali ainda não tinha entendido o tamanho da merda… entendeu agora. Leon soltou ele de uma vez. Como se tocar já fosse demais. Virou de costas. Passou a mão pelo rosto. Devagar. Um riso curto escapou. Sem humor. Só incredulidade. — Você matou o único filho de um russo que acabou de entrar no nosso território… sem ordem… pausa — e achou que isso ia me deixar orgulhoso? Gianni respirou fundo. Tentando não perder o pouco de posição que ainda tinha. — Eu achei que você ia parar de me tratar como criança. Leon virou. Rápido. Olhar afiado. — E resolveu provar isso começando uma guerra? Silêncio. — Eu consigo lidar com guerra — Gianni respondeu — eu não preciso que você segure minha mão o tempo todo. Erro. Leon se aproximou devagar. Dessa vez sem agressividade. O que era pior. — Você não entende o que fez. — Eu entendo sim. — Não. Mais perto agora. — Você não entende porque você não pensa no depois. Gianni sustentou o olhar. Mas agora… já não era tão firme. — Eu pensei. — Pensou no quê? Silêncio. Nada. Leon assentiu de leve. Como quem confirma o óbvio. — Exato. O ar ficou pesado. De novo. — Agora a gente não tem mais um problema — Leon continuou — a gente tem um motivo pra guerra. Gianni desviou o olhar por um segundo. Pequeno. Mas suficiente. E foi aí que Leon viu. Não arrependimento. Mas… dúvida. — Você fez isso pra quê? — ele perguntou, mais baixo agora Silêncio. E então veio. Não inteiro. Mas o suficiente. — Pra você me ver. Aquilo ficou no ar. Pesado. Errado. Leon fechou os olhos por um segundo. Só um. Quando abriu… o controle estava de volta. Mais frio. Mais distante. — Parabéns. pausa — Agora todo mundo vai ver você. Silêncio. — Porque quando o Volkov vier… ele vai vir por você. E dessa vez… Gianni entendeu.
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