MANHÃ DE GELO

492 Words
A cozinha já estava viva. Café passando. Talheres. O som baixo de rotina tentando fingir normalidade. Morgana entrou primeiro. Como se sempre fosse assim. Como se nada tivesse acontecido. Anna já estava sentada. Gianni também. Os dois olharam ao mesmo tempo. Mas por motivos diferentes. Anna… observando. Gianni… sentindo. — Dormiu? — Anna perguntou Simples. Mas não inocente. Morgana pegou uma xícara. — Dormi. Curto. Controlado. Mas Anna conhecia. E aquilo… não era “normal”. Era diferente. Sutil. Mas gritava pra quem sabia olhar. Gianni não desviava. Os olhos nela. Percorrendo. Procurando sinais. O machucado. A forma como ela se movia. Culpa grudada nele. — Tá doendo? A pergunta saiu baixa. Morgana olhou. Direto. — Nada que importe. Ele assentiu. Mas não acreditou. Nunca acreditava quando vinha dela. Silêncio. E então… Passos. Leon entrou. E o ar mudou. Na mesma hora. Ele foi direto até a mesa. Sem olhar ninguém primeiro. Mas quando olhou… olhou ela. Só um segundo. E já foi demais. Morgana desviou. Rápido. Erro pequeno. Mas Anna viu. Claro que viu. Gianni também. E aquilo… doeu. Leon sentou. — A gente precisa falar dos russos. Direto. Sem rodeio. Sem espaço pra outra coisa. Morgana agradeceu em silêncio. Território seguro. — Eles já sabem que a gente tá envolvido — ela disse Calma. Fria. Como se a noite não existisse. — Não só sabem — Leon completou — agora é pessoal. Gianni travou o maxilar. — Já era pessoal. Baixo. — Agora é guerra — Leon corrigiu Silêncio. Anna observando. Os três. Como peças que não estavam se encaixando direito. — E qual é o plano? Ela perguntou. Mas o olhar… não estava no plano. Estava na Morgana. Tentando entender. — A gente corta pela raiz — Morgana respondeu Direto. — Volkov. O nome caiu pesado. Gianni respirou fundo. — Eu vou junto. Leon nem pensou. — Não. Instantâneo. Cortante. — Eu comecei isso. — E já fez merda suficiente. Silêncio. Gianni levantou um pouco da cadeira. — Eu não sou criança, c*****o. Leon levantou também. — Então para de agir como uma. Tensão. Pesada. Quase estourando. — Chega. Morgana. A voz não foi alta. Mas foi suficiente. Os dois olharam. — A gente resolve isso junto. Ela disse. Firme. — Ou perde tudo separado. Silêncio. Anna respirou fundo. — Finalmente alguém sensato. Mas o olhar… ainda nela. Curioso. Desconfiado. — Você tá diferente hoje. Soltou. Como quem não quer nada. Mas queria tudo. Silêncio. Morgana nem piscou. — Tô machucada. Resposta pronta. — Não é isso. Anna inclinou levemente a cabeça. — É outra coisa. Gianni olhou. Leon ficou imóvel. Perigo. Morgana pegou a xícara. — Impressão tua. Simples. Encerrando. Anna não insistiu. Ainda. Mas guardou. E isso era pior. FINAL A mesa continuou. Planos. Nomes. Estratégia. Mas nada ali… era só sobre guerra. Porque agora tinha outra coisa no meio. Algo não dito. Algo que mudou tudo. E ninguém ali… sabia fingir tão bem quanto achava.
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