O QUE SOBRA DO HOMEM

622 Words
MORGANA A corda não incomodava. Já esteve pior. O sangue seco no canto da boca… também não. O que incomodava… era o silêncio dele. Volkov não fazia perguntas à toa. Ele observava. Esperava. — Você não parece preocupada — ele disse Morgana ergueu o olhar. Devagar. — Eu não tô. Silêncio. Ele inclinou levemente a cabeça. — Confiança. Ela deu um meio sorriso. Sujo. — Experiência. Silêncio. — Ele vai vir. Aquilo não foi pergunta. Foi certeza. Morgana não respondeu. Mas não precisou. 🩸 LEON A porta não abriu. Quebrou. Madeira estilhaçando. Os homens lá dentro nem tiveram tempo. Dois tiros. Limpos. Sem hesitação. Corpos no chão antes do som terminar de ecoar. Leon não parou. Outro corredor. Outro homem. Um disparo. Depois outro. E silêncio. Ele não limpava o sangue. Não olhava pra trás. Só avançava. Um deles tentou correr. Erro. Leon segurou pela gola. Jogou contra a parede. — Onde. O homem tremia. — Eu não sei— O tiro veio antes da frase terminar. Leon soltou o corpo como se não valesse nada. E seguiu. 🩸 MORGANA Volkov se aproximou. Sem pressa. — Você não tem medo dele? Morgana riu. Baixo. — Tenho. Silêncio. Ele parou. Interessado. — E mesmo assim espera? Ela inclinou o rosto. — Eu não espero. pausa — Eu sei. Silêncio. E ali… pela primeira vez… Volkov entendeu que aquilo não era arrogância. Era conhecimento. 🩸 LEON Mais sangue. Mais corpos. Um tiro falhou. O homem aproveitou. Avançou. Erro. Leon girou o corpo. Segurou o pulso. Quebrou. O estalo foi seco. O grito veio depois. Ele não terminou o movimento. A arma subiu. Disparo. Silêncio. A respiração dele estava pesada agora. Mas não desacelerava. Só ficava… pior. 🩸 MORGANA Volkov se aproximou mais. Agora perto o suficiente. — Você é perigosa. Ela sustentou o olhar. — E você fala demais. Silêncio. Ele sorriu. Pequeno. — Eu devia te matar. Ela inclinou levemente a cabeça. — Devia. Silêncio. — Mas não vai. Ele não respondeu. Mas não negou. 🩸 LEON A última porta. Trancada. Ele não tentou abrir. Dois passos atrás. Chute. A fechadura cedeu. A porta abriu com violência. E então… parou. Porque viu. Ela. Presa. Sangue no rosto. Mas de pé. E ele. Volkov. Os olhos de Leon mudaram. Não era mais raiva. Era ausência dela. Vazio. Perigoso. 🩸 SALA Silêncio. Volkov observou. Calmo. — Então você veio. Leon não respondeu. Nem olhou direito. Só confirmou o que importava: ela estava viva. Isso bastava. — Solta ela. A voz saiu baixa. Volkov sorriu. — Ou? Erro. Leon atirou. Sem aviso. A bala pegou de raspão. Volkov desviou. Rápido. Mas não rápido o suficiente. Leon já estava perto. Impacto. Os dois contra a parede. Briga curta. Suja. Sem técnica bonita. Só intenção de matar. Volkov tentou reagir. Leon não deixou. Golpe. Outro. Outro. Sangue. Muito. Até que… parou. Respiração pesada. E então virou. Morgana ainda presa. Ele se aproximou. Rápido. Cortou a corda. Ela se soltou. Silêncio. Eles ficaram ali. Um segundo. Olhos nos olhos. — Demorou — ela disse A voz fraca. Mas viva. Ele segurou o rosto dela. Firme. — Cala a boca. Mas não soltou. Nem rápido. Nem totalmente. Atrás deles… um som. Movimento. Volkov. Ainda vivo. Erro. Leon virou na hora. A arma subiu. Mas dessa vez… parou. Porque Morgana já estava na frente. A lâmina apareceu. Rápida. E entrou. Sem hesitação. Sem pausa. Sem piedade. Uma. Duas. Três. Até não precisar mais. Silêncio. Volkov caiu. E não levantou. 🩸 FINAL Respiração pesada. Sangue. Muito. Morgana se afastou um passo. Leon olhava. Sem falar. Sem interferir. Porque aquilo… ela precisava fazer. E ele sabia. Silêncio. — Agora acabou — ela disse Leon negou levemente. — Não. Olhar frio. — Agora começou.
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