A sala ainda carregava o peso do que tinha acontecido.
Gianni ferido.
Sangue no chão.
Erro no ar.
Leon estava de frente pra ela.
Perto demais.
— Você vai ficar fora — ele disse
Morgana nem piscou.
— Vai se f***r.
Silêncio.
Pesado.
— Isso não é negociação — ele retrucou
Ela deu um passo à frente.
Agora colada.
— Nunca foi.
Os olhos dele travaram nos dela.
— Você viu o que aconteceu.
— Eu resolvi o que aconteceu.
— Atiraram no Gianni, c*****o.
— E eu tava lá.
Silêncio.
— E se não tivesse? — ele cortou
Ela inclinou levemente o rosto.
— Mas eu tava.
Aquilo não acalmou.
Piorou.
Leon passou a mão pelo cabelo.
Irritado.
Frustrado.
— Você não entende—
— Eu entendo melhor do que você.
Silêncio.
— Isso aqui é guerra.
— Eu sei.
— Então para de agir como se fosse invencível.
Ela soltou um riso curto.
Frio.
— E você para de agir como se pudesse me controlar.
Aquilo acertou.
Direto.
Ele avançou.
Segurou o braço dela.
Forte.
— Eu não tô tentando te controlar.
Mais perto.
Mais baixo.
— Eu tô tentando não te perder, p***a.
Silêncio.
O mundo travou por um segundo.
Ela não puxou o braço.
Mas também não cedeu.
Os olhos dela ficaram nele.
Mais tempo.
Mais fundo.
Ali.
Nu.
Sem defesa.
— Tarde demais pra isso — ela disse, baixo
Mas não foi frio.
E isso foi pior.
Ele soltou o braço.
Como se tivesse percebido o que disse.
Erro.
Virou de costas.
Respiração pesada.
— Você vai mesmo assim, né?
— Vou.
Silêncio.
— Então vai.
Frio de novo.
Mas atrasado.
Ela passou por ele.
Sem encostar.
Mas deixando tudo ali.
🩸
A rua estava quieta demais.
Morgana percebeu antes de acontecer.
Sempre percebia.
Passos.
Errados.
Ela virou rápido.
Tarde.
Impacto.
Dois homens.
Treinados.
Ela derrubou o primeiro.
A lâmina entrou limpa.
O segundo veio por trás.
Golpe seco.
Ar faltando.
Ela reagiu.
Mas algo mudou.
Peso.
Número.
E então…
agulha.
Dor rápida.
Visão falhando.
Porra.
O mundo inclinou.
Última coisa que viu…
Olhos.
Observando.
Calmos.
Interesse.
E então…
escuro.
🩸
O corpo foi jogado sem cuidado.
Ela acordou devagar.
Mãos presas.
Cabeça pesada.
E ele.
Volkov
Sentado.
Calmo.
Como se aquilo fosse só mais uma conversa.
— Finalmente.
Silêncio.
Morgana não respondeu.
Só observou.
— Você é mais interessante de perto.
Ela cuspiu sangue de leve.
— Você fala demais.
Ele sorriu.
Pequeno.
— E você mata rápido demais.
Silêncio.
— Vamos ver quanto tempo isso dura.
🩸
Do outro lado…
Leon recebeu a mensagem.
Uma só.
“Pegaram ela.”
Silêncio.
Um segundo.
Dois.
E então…
algo quebrou.
Não foi controle.
Foi o resto dele.
A arma apareceu na mão como reflexo.
Os olhos…
não eram mais os mesmos.
— Onde.
A voz saiu baixa.
Mas não humana.
Quando responderam…
Ele já estava saindo.
Sem plano.
Sem estratégia.
Só direção.
E tudo que estivesse no caminho…
ia morrer.