Entre o Sonho e o Medo Naquela noite, Adrian dormiu diferente. O corpo estava cansado, mas a mente seguia desperta em algum lugar entre o que tinha vivido e o que ainda não sabia nomear. Quando finalmente adormeceu, Lúcia veio até ele em sonho. Ela estava sentada, com o violão apoiado no colo. O mesmo da noite anterior. O ambiente era indefinido, como costumam ser os sonhos — nem fazenda, nem cidade, apenas um espaço silencioso onde só os dois existiam. Lúcia tocava. E cantava para ele. A voz era ainda mais próxima, mais intensa. Não havia mais gente em volta, não havia vergonha nem timidez. Ela cantava olhando diretamente para Adrian, como se cada palavra fosse escolhida para ele ouvir. Ele tentou falar, mas não conseguiu. Apenas sentiu. O peito apertado, o coração acelerado, uma p

