Vozes Que Ainda Não Chegam Naquele dia, a fazenda acordou diferente. Ou melhor, Lúcia não acordou no horário de sempre. O sol já estava alto quando ela abriu os olhos, sentindo o corpo pesado, como se tivesse corrido uma longa distância durante a noite. Olhou para o relógio simples na parede e arregalou os olhos. — Meu Deus… onze horas… Aquilo nunca acontecia. Ramires — que era Lúcia na lida, no campo, no papel que o mundo conhecia — jamais deixava de sair cedo. Mas naquele dia, o corpo pediu pausa. A madrugada no veterinário, o susto com Diana, a tensão acumulada, tudo cobrou seu preço. Ela se sentou devagar na cama, respirou fundo e passou a mão pelo rosto. O quarto estava silencioso, iluminado pela luz clara do fim da manhã. Pela primeira vez em muito tempo, ela não se sentiu cul

