A Força Silenciosa dos Dias Um mês. Parecia pouco quando contado em números, mas, dentro daquela casa, aquele mês tinha o peso de uma vida inteira reorganizada. Um mês desde que Samuel chegara, trazendo com ele noites curtas, dias longos e um tipo de amor que nenhum dos dois sabia explicar, apenas sentir. Adrian trabalhava mais de casa agora. O escritório improvisado tinha se tornado um espaço constante, mas a porta quase nunca ficava totalmente fechada. Ele queria ouvir o choro de Samuel, o riso baixo de Lúcia, o som da casa viva. Seu Raul tinha dito, com a autoridade de quem conhecia o mundo rural e suas regras antigas: — Você é o mais velho. Então cuida de tudo. E Adrian fazia exatamente isso. Cuidava da casa, das contas, do trabalho, das decisões grandes e pequenas. Cuidava para

