Confiança
Adrian olhou para Lúcia por alguns segundos antes de falar. Havia algo no jeito como ela estava sentada, com as mãos juntas no colo e o olhar atento, que o fazia querer proteger o mundo inteiro só para que nada a atingisse.
— Senta aqui um pouco… já volto — disse ele, levantando-se.
Lúcia assentiu e permaneceu onde estava, o coração acelerado sem saber exatamente o motivo. Ouviu o som da porta do banheiro se fechando e, enquanto esperava, respirou fundo. Tudo parecia novo demais, intenso demais — e, ao mesmo tempo, estranhamente certo.
Adrian demorou alguns minutos. Quando voltou, sentou-se ao lado dela com cuidado, como se aquele simples gesto tivesse um peso maior do que parecia.
Ele virou o rosto na direção dela.
— Lúcia… — chamou em voz baixa.
Ela o olhou.
— Você confia em mim?
A pergunta veio simples, direta, sem rodeios. E talvez por isso tenha sido tão forte.
Lúcia não hesitou.
— Confio — respondeu.
Adrian respirou fundo, como se aquela resposta fosse exatamente o que ele precisava ouvir. Então, com delicadeza, passou o braço em volta da cintura dela e a puxou para mais perto, até que Lúcia se sentisse segura, envolvida, acolhida.
— Vem cá… — murmurou. — Me beija, princesa.
O coração de Lúcia disparou.
Ela levou a mão ao rosto dele, sentindo o calor da pele, o cuidado no olhar. Quando o beijou, foi diferente de todos os outros beijos que tinham trocado até ali. Não havia pressa, nem medo — apenas vontade.
O beijo começou suave, mas logo ganhou profundidade. Lúcia se entregou ao momento, deixando que o sentimento guiasse o gesto. Havia algo novo ali, uma intensidade que ela nunca tinha sentido antes. Um suspiro escapou sem que ela percebesse.
Adrian também sentiu.
Ele fechou os olhos por um instante, absorvendo o jeito dela, a forma sincera com que se aproximava. Passou a mão pelos cabelos de Lúcia com cuidado, como se aquele toque fosse uma promessa silenciosa de respeito.
Quando o beijo terminou, eles ficaram próximos, as testas quase encostadas, respirando o mesmo ar.
— Você é incrível — disse Adrian, baixinho.
Lúcia sorriu, ainda sentindo o coração bater forte demais para o corpo pequeno que tinha.
Ela observou o rosto dele, os olhos fechados por um segundo, como se estivesse tentando se controlar. Passou os dedos de leve pelo braço dele, num gesto simples, mas cheio de significado.
— Adrian… — chamou.
Ele abriu os olhos.
— O que foi?
— A gente vai dar conta de tudo isso, né?
Ele sorriu, aquele sorriso tranquilo que sempre a acalmava.
— Vai. Juntos.
Houve um silêncio confortável depois disso. Não era um vazio, mas um espaço onde cabiam sentimentos demais para serem ditos em palavras.
Adrian a envolveu num abraço firme, protetor, como se quisesse deixá-la ali, guardada do mundo.
— Confiança é isso — disse ele, por fim. — Saber que pode ficar perto sem medo.
Lúcia fechou os olhos, apoiando a cabeça no peito dele.
Ela sabia que aquele momento não era apenas sobre um beijo. Era sobre escolhas, cuidado, respeito — e um amor que estava crescendo do jeito certo, mesmo em meio a tudo o que ainda precisariam enfrentar.
E, naquele instante, isso era mais do que suficiente.