JV
O Baile do Vidigal tava no auge. O grave do paredão batia no peito, fazendo o chão tremer, e o cheiro de uísque com energético dominava o ar. Eu tava no camarote, de braços cruzados, observando a massa lá embaixo. Meu corpo tava ali, mas minha mente tava ociosa. Eu tinha dado a corda, espalhado o papo de que a festa hoje seria o "evento do ano", só pra ver se a loira de SP botava a cara.
Meia-noite e nada. Pensei que ela tinha sido mais inteligente que o meu blefe e ficado entocada.
— A irmã da Day não vem não, chefe — RD comentou do meu lado, secando um copo. — Acho que o teatro dela é drama, não é festa.
Dei um gole no meu uísque, o sarcasmo já preparado pra responder, quando o radar apitou. No pé da escada do camarote, uma movimentação diferente.
Alana apareceu. E, porra... o sistema quase deu crash.
Ela tava com um vestido preto colado, simples, mas que desenhava cada curva do corpo dela como se fosse um projeto de engenharia. O cabelo tava solto, e ela tinha aquele ar de quem se arrumou, se arrependeu, mas decidiu que, se era pra cair, que fosse em pé. Ela procurava a Dayane com o olhar, meio desconfortável com a exposição, mas mantendo a marra.
Dayane fez menção de descer pra buscar a irmã, mas eu dei um passo à frente, bloqueando o caminho dela.
— Fica aí, Day — minha voz saiu baixa, autoridade pura. — Deixa que o anfitrião recebe as visitas.
Desci os degraus devagar, sentindo o peso do meu porte de 1,90m abrindo a multidão. Quando parei na frente dela, deixei meu olhar descer. Sem pressa. Escaneei cada detalhe: das pernas torneadas até o decote, parando na boca dela antes de subir pros olhos. Era um desejo que eu não queria esconder, uma vontade de invadir o sistema dela.
— Achei que a atriz ia perder o espetáculo principal — falei, chegando perto o suficiente pra ela sentir meu perfume e o calor do meu corpo.
Alana cruzou os braços, uma barreira física que não escondia o brilho analítico no olhar dela. Ela deu um meio sorriso, aquele jeito de quem sabe exatamente que eu tava testando os limites dela.
— O roteiro tava meio previsível, JV — ela rebateu, a voz firme mesmo no meio do barulho. — Vim só buscar o que é meu e ir embora. O "palco" tá muito cheio pro meu gosto.
— Tu não é de seguir script, né? — Inclinei a cabeça, os olhos verdes cravados nos dela. — Eu sei que tu sacou a jogada. Tu não tá aqui por acaso.
— Eu sempre sei quando estão tentando forçar minha entrada em um servidor, João Victor — ela soltou, e o uso do meu nome completo foi como um código de acesso quebrado. — Mas lembra do que eu te disse: eu sei calcular o caminho.
Ela sustentou meu olhar por cinco segundos que pareceram uma eternidade de tensão s****l e desafio.
O desejo ali tava oculto sob camadas de desconfiança, mas o fogo era real.
Sem me dar chance de resposta, ela se esquivou de mim com uma agilidade que não era de "escritório" e foi até a Dayane. Ela tentou arrastar a irmã pelo braço, querendo vazar dali antes que o clima ficasse ainda mais perigoso.
— Alana, para de ser chata! — Dayane gritou por causa da música, puxando a irmã de volta com força e entregando um copo na mão dela. — Tu tá linda, o morro é teu hoje. Bebe e relaxa!
Dayane empurrou a irmã pro meio da roda, obrigando a loira a se divertir. Alana tomou um gole generoso, mas por cima da borda do copo, os olhos dela me buscaram no camarote. Ela sabia que eu tava olhando. E eu sabia que ela sabia.
O jogo não tinha acabado. Tinha acabado de entrar na fase mais difícil.