Cap. 19 mistérios escolar.
— O que está fazendo aqui? — Gabriel perguntou, sem se intimidar com o olhar desafiador de Miliane.
— Parece que é de você que eu tenho que ficar longe, não é? — Miliane rebateu, encarando-o nos olhos.
— Levando em conta que você faz péssimas escolhas de quem quer ter perto, não importa o que pense, tenho coisas importantes para fazer e você acabou de me atrapalhar. — Ele respondeu com a voz calma, mas com um tom de superioridade que irritou Miliane.
— Por que está perseguindo aquela menina? — ela insistiu, decidida a descobrir o que estava acontecendo.
— Não é algo que uma novata deva saber, mas o que você está fazendo aqui mesmo depois do horário? — Ele desviou a pergunta, a curiosidade evidente em seus olhos.
— Tenho uma apresentação daqui a duas semanas, preciso estudar.
— Ah... sim, os trabalhos anuais em equipe? — ele perguntou, fingindo interesse.
— Sim, mas acredito que você não estude, certo? — Miliane o provocou, com um sorriso irônico.
— Você está certa, essas coisas não me interessam muito. Boa sorte. — Ele disse, indiferente, e se virou para ir embora.
Miliane saiu logo em seguida, mas não encontrou Gabriel. Em vez disso, outra menina da sua turma passava pelo corredor, também a caminho da saída.
— O que está fazendo ainda aqui? — a menina perguntou, surpresa.
— Eu estava resolvendo uma situação. — Miliane respondeu, pensativa.
— Não é bom ficar até esse horário, ainda mais sendo novata. — A amiga a alertou, com um olhar preocupado.
— Você está aqui há quanto tempo?
— A quatro anos, já vi muita coisa r**m. — Ela comprimiu os lábios, a expressão séria. — Tem a sala de jornal da escola que tem alguns artigos, são considerados os artigos de histórias macabras. Se você abrir todos aqueles contos, dizem que a maioria dos alunos daqui são estrangeiros e alguns têm até envolvimento com o crime organizado. Você vai encontrar de tudo ali. As fotos também não são montagem como eles dizem, mas a diretoria instrui que a gente diga que é reconstrução de cena. Até mesmo as fotos mais graves, com sangue e provas de assassinato.
— Você sabe algo sobre Gabriel? — ela perguntou, cheia de expectativa.
— Bom... como já viu, ele não esconde muito quem é. Normalmente, todos querem estar distantes. Dizem que ele é capaz de muitas coisas.
— E Henrique?
— Ele também não é um santo, ok? Apesar de ser legal, ele usa da influência do pai para se safar de algumas coisas. Ele já foi acusado de usar o grupo dele para agredir um aluno que teve que ser internado, assim como Gabriel. Porém... Gabriel não é filho de um promotor e na verdade, nem sabem de quem ele é filho. Só que ele sempre está causando problemas e fazendo coisas proibidas.
— Você acha que esses dois são problemas?
— Com certeza, Gabriel dá medo em todos. — Ele disse, tocando levemente o ombro de Miliane antes de se afastar. A menina ficou observando sua figura se distanciar, uma sensação de intriga a consumindo.
Decidida a descobrir o que havia nos artigos, Miliane seguiu para a sala de jornal da escola. Encontrar a pasta não foi difícil. Lá estava ela, na gaveta de arquivos, com a etiqueta "Contos Sombrios da Escola". Pegou a pasta e a guardou na mochila, sentindo um frio na espinha. Ao sair da escola, a sensação de ser observada a perseguia, mas ela ignorou e correu em direção à floresta, rumo ao encontro de Kaleu.
— Kaleu! — chamou, jogando a mochila no chão e se sentando ao lado da fogueira.
— Eu te disse para não vir! — ele retrucou, a voz dura, sem olhá-la nos olhos.
— Está tudo bem, ok? Mas hoje também tenho coisas importantes para tratar com você. Veja isso! — Ela disse, empolgada, tirando os artigos da mochila.
Kaleu pegou as folhas e começou a folheá-las, a expressão se tornando cada vez mais séria. Parou em uma foto onde não havia pessoas, apenas roupas e sapatos espalhados no chão.
— O que são essas coisas? — ele perguntou, a voz grave.
— Provas, coisas que vão me ajudar a conhecer essa escola. — Ela disse, ansiosa por sua reação.
Kaleu voltou a ler os artigos, cada vez mais concentrado.
— Aqui diz que são contos macabros, mas essas fotos são claramente reais, tudo. — Ele comentou, devolvendo as folhas com um suspiro.
— Foi o que pensei, a escola acoberta alunos criminosos e mesmo que alguém sofra algum tipo de abuso, eles não são punidos. — Ela comentou, a voz carregada de indignação, despertando a curiosidade de Kaleu.
— E você está em uma escola perigosa assim? — ele perguntou, agora demonstrando genuíno interesse.
— Sim, por isso que precisa ainda mais de você. Além disso, tem casos que não foram isolados. Saiu no jornal da cidade: três meninas se suicidaram. Uma, eles dizem que foi descoberta tendo um caso com o professor que ninguém sabe quem é, e praticamente a morte dela foi endemonizada. Eles acham que ela só teve as consequências por tentar trapacear. Outra estava sofrendo bullying, porque disseram que elas ficavam com vários na escola e todos a chamavam de v***a da escola e todos os garotos a perseguiam.
— Pode parar. — Kaleu interrompeu-a, a voz firme. Levantando-se, ele a encarou com seriedade. — Vou ditar as regras para você. — Ela o observava atentamente, pronta para ouvir. — Regra número um: nunca ande com nenhum garoto dessa escola, está ouvindo?
— Sim, senhor! — ela confirmou, mantendo o olhar fixo nele.
— Nunca aceite nada que eles te derem, e nunca, mas nunca mesmo, fique em um espaço onde não tenha como você correr ou gritar, ou outras pessoas não estejam vendo. — Ele a advertia, seus olhos percorrendo a floresta.
— Tudo bem, mas... agora estou com fome, fiquei tanto tempo olhando essas coisas... — ela resmungou, esfregando a barriga.
— Ninguém sente sua falta? Como uma menina de 16 anos não desperta preocupação? — ele perguntou, enquanto ela tentava cortar a carne que assava.
— Eles não são meus pais. Eu só tenho que voltar viva. Falando nisso, até que para alguém que vive na floresta, você vive bem. Como tem secadora aqui? — ela perguntou com ironia, tentando aliviar a tensão.
Kaleu, que estava com a atenção voltada para a floresta, de repente se levantou e puxou Miliane com força, levando-a para um canto da casa. Seus olhos, antes calmos, agora transmitiam uma intensa concentração.