Cap. 14: Dois garotos confusos.
MIliane.
Senti minhas bochechas esquentarem. Era evidente que ele era um dos alunos mais populares da escola. O analisei de cima abaixo e parecia também ser de alguma família rica. Não sei, mas esse relógio que ele usa parece ser bem caro.
— É… um pouco — gaguejei desconfortável, sem saber o que dizer.
— Sou o Gabriel. Posso te ajudar a encontrar sua sala? — ele perguntou, estendendo a mão. Essa é a primeira vez que entro em contato com um garoto e parece tão estranho apertar sua mão. Foi ainda mais estranho quando ele sorriu para mim, de repente me sinto estranha.
Hesitei por um instante, mas a gentileza em seus olhos me fez aceitar. Enquanto caminhávamos pelos corredores, Gabriel me contava sobre a escola, sobre as matérias que mais gostava e sobre os eventos que estavam por vir. A cada palavra, eu me sentia mais à vontade, era como se já nos conhecêssemos.
O desconforto foi passando enquanto o acompanhava e ele me mostrava cada sala, os laboratórios e o refeitório. Em poucos minutos, eu já conseguia reconhecer cada lugar, mas me sentia estranha enquanto alguns alunos me observavam enquanto andava ao lado dele. Parecia estranho estar ao lado de uma pessoa como ele, parece que ele atraía bastante atenção e era bem popular, todos falavam com ele.
Quando finalmente encontramos minha sala, agradeci a Gabriel e me despedi. Ao me virar para entrar, senti seu olhar nas minhas costas. Meu coração acelerou, minhas bochechas ainda estão queimando enquanto caminho em direção a uma mesa onde me sento.
Me apresento logo após o professor chegar e tudo parece correr bem, mas permaneço incomunicável. Alguns meninos me observam e fazem comentários inaudíveis, mas não parece ser nada demais, eles nem mesmo estão rindo de mim ou algo do tipo.
Me sento sozinha no refeitório após escolher minha refeição. Essa escola não parece ser uma escola comum, os alunos não parecem simples.
— Você é aluna nova? — um outro rapaz perguntou trazendo uma bandeja e se sentando à mesa de frente para mim.
— Sou… meu segundo dia na verdade. — respondo sem o encarar.
— Meu nome é Enrique Roy, eu sou o líder de turma. Se precisar de alguma coisa ou tiver dúvida de alguma coisa…
— Ela pode perguntar para mim, Roy. — o mesmo garoto o interrompeu.
— Ah… oi Gabriel, mas os líderes da turma devem cuidar de seus alunos, ela não é de sua turma então eu sou responsável por ela. — Enrique respondeu de forma firme, sem se intimidar. Eu os observava sem reação, tinha dois garotos se desentendendo por algum motivo. Sim, eles estavam se desentendendo enquanto se encaravam com frieza. Logo mais três garotos apareceram e pararam ao lado de Gabriel, então Enrique se afastou me encarando apreensivo.
Recebi seu toque de alerta silencioso, enquanto aqueles garotos se sentavam à minha mesa e Gabriel ao meu lado, demonstrando serenidade sem me encarar. Ele começou a apreciar sua refeição.
— Enrique tem a própria equipe dele, onde eles estão agora? — perguntou um dos meninos que estavam com Gabriel.
— Esse cara vai criar problemas de novo, fiquem de olho nele. — Gabriel avisou demonstrando uma frieza familiar. Ele estava falando tão sério que fiquei confusa sobre quem realmente pode causar problemas. Por via das dúvidas, melhor não ficar perto de ninguém.
Após a aula acabar, estava realmente aliviada, mas quando saí pelo portão… senti um frio na barriga quando avistei Gabriel. Ele estava a alguns metros próximo ao muro da escola, ele e mais seu grupo de amigos. Ele estava intimidando um menino que estava contra a parede, parecia que estava o ameaçando enquanto apontava o dedo em sua cara.
Assim que ele me viu o observando, ele parou acenando. Eu apenas segui o ignorando, me sentindo um pouco amedrontada.
— Ei! Está com medo de mim agora? — ele perguntou correndo em minha direção, agora caminhando ao meu lado com um sorriso animado.
— Você é um valentão?
— Bom… só com quem merece. Qual seu nome? — ele perguntou esbaforido após correr para me alcançar.
— Não precisa saber. — digo, tentando adiantar os passos.
— Menina! Apenas escute o que estou te falando, tenha cuidado! — ele avisou de forma rígida, me fazendo ter calafrios enquanto caminho às pressas.
Percebo que ele não me segue, então me sinto mais aliviada. Nunca pensei que no meu segundo dia me meteria em problemas.
Continuei caminhando até passar por uma lanchonete. De repente, ouço o sino da porta se abrindo.
— Miliane? — ouço a voz familiar. Me sinto aliviada um pouco quando vejo que é Enrique, mas agora ele não está sozinho, ele está acompanhado de mais três garotos de sua idade.
— Oi… — suspirei desconfortável.
— Está sendo seguida? Parece assustada. — ele perguntou com preocupação.
— Não, eu… eu só estou com pressa.
— Ah… entendo. Eu sinto muito por mais cedo, Gabriel é um cara problemático da escola, todos têm um pouco de medo dele por ele… — ele comprimiu os lábios como se buscasse as palavras certas.
— Percebi, ele gosta de intimidar as pessoas.
— Sim, ele está cursando o último ano do ensino médio nessa escola, isso é bom, logo ele já estará bem longe. Falando nisso, bem-vinda à turma, espero que possamos fazer amizade. Além disso, as meninas vão gostar de te conhecer, será bom até para quando for para casa não ir sozinha. — ele comentou com preocupação, isso só intensificava minha desconfiança em relação a Gabriel.
Não demorou muito para ele passar pelo mesmo caminho. Ele parecia um daqueles garotos de elite, o fardamento elegante dessa escola o deixava ainda mais imponente. Ele direcionou seu olhar rígido em direção a Enrique, mas não me encarou, assim como seus amigos que também mantinham seu olhar fixo nos amigos de Enrique.
Não sei o que está acontecendo, mas parece que eu fiquei no meio de algo muito sério.
Espero alguns minutos ali e Enrique se oferece para me acompanhar o restante do caminho. A casa dele não é tão distante da minha ao que parece, só um bairro diferente. Ele me deixou na metade do caminho, eu não podia deixar ele perceber para onde eu estaria indo depois dali.