— E ele usa gravata? — continuou a mulher madura, arregalando os olhos ao perceber que sua neta estava envergonhada por seu pedido incomum.
— Sim, ele se veste elegantemente, explicou Laura, suspirando ao se lembrar de Bruno.
— Eu adoro homens elegantes, mas não fique triste, não vou tirar isso de você, brincou a velha.
— Quê? — Laura perguntou, rindo, se fazendo de boba.
— Você já está de olho nele? — ela insistiu.
— Você é louca, eu não estou prestando atenção, principalmente no meu chefe, ela suavizou, mas sua avó bufou.
— Pare de ser tão boba, menina, aproveite que você é nova, me escuta, eu tenho mais experiência — disse a avó e piscou para ela. Quando você se casar, você vai se arrepender. Quando você se tornar a esposa daquele imprestável, você vai se arrepender de não ter experimentado outros bolos.
Ela brincou alegremente e mordeu a torta de maçã que tinha entre os dedos, fechando os olhos para aproveitar a doçura e a cremosidade do bolo.
— Vovó, não é tão simples assim.
— Sim, é simples! Você é tão fofa, Laura. Se você saísse com mais frequência, teríamos filas de homens esperando por você.
Laura riu e relaxou na cadeira para saborear o delicioso bolo que sua avó havia escolhido para ela comer, e mudou o curso da conversa quando perguntou sobre sua recente viagem.
Poucos minutos depois, Bruno apareceu do nada e, apesar de cumprimentá-la educadamente, Laura percebeu a irritação do homem. Ele conseguia transmitir isso a ela até mesmo com o olhar.
A menina permaneceu calma enquanto eles continuavam tomando chá, mas ela sabia que as coisas não estavam certas quando inventou inúmeras desculpas para evitar ficar sozinha com seu futuro marido.
Resumindo, ela implorou à avó que a acompanhasse até que seus pais chegassem, e ainda assim a velha senhora podia sentir o medo da neta e ansiava por ficar com ela, sendo derrotada pela exaustão, enquanto assistiam ao noticiário em silêncio e na escuridão total.
Seus roncos enchiam a sala e, enquanto Laura achava esses sons naturais e divertidos, Bruno aproveitou o momento para fazer suas coisas.
— O que você estava falando com a velha? — Ele perguntou com raiva.
— Sobre o trabalho, ela respondeu tensa, cravando os dedos na almofada do sofá.
— Do trabalho? Tem certeza? — Insistiu Bruno, e de longe estendeu a mão para lhe dar um beliscão forte no braço.
A garota se sacudiu em sua posição e abafou um grito de dor, e embora ela tentasse escapar do aperto dele, a velocidade e a violência do garoto a deixaram encurralada contra o sofá em sua fúria.
— Cuidado com o que você está fazendo, Laura, eu não sou i****a, ele repreendeu com os dentes cerrados.
Embora ele perdesse frequentemente a cabeça quando se tratava de sua namorada, sua inteligência sempre prevalecia quando ele tentava machucá-la e quebrá-la em mil pedaços.
Ele agarrou a garota pelo pescoço e pelos cabelos e, com raiva, bateu com força na testa dela contra a madeira do sofá. O golpe não foi ouvido através do estofamento do móvel. Mas a dor e a tontura que Laura sentia a deixaram derretida no sofá, com a visão turva e afogada em lágrimas que ela foi obrigada a conter pela mão de Bruno, que a sufocava furiosamente para que ela não pudesse gritar nem se expressar.
Quando Laura se acalmou, o homem violento beijou a ponta do seu nariz e, com um sussurro suave, mas assustador, despediu-se friamente.
Ele saiu silenciosamente e Laura o seguiu, fugindo para o frio do seu quarto para afogar suas mágoas e medos atrás da porta, onde sempre encontrava um conforto absurdo.
Quinta-feira chegou com muita pressa e, embora Laura rezasse para que seu chefe não aparecesse no escritório novamente, seus desejos não foram atendidos quando Jonas chegou para cumprimentá-la e perguntar sobre seu trabalho durante a semana.
A menina respondeu com naturalidade e mostrou como estava se adaptando bem ao novo emprego. O único problema surgiu quando o homem perguntou sobre seu lábio machucado e ela teve que mentir para evitar as perguntas irritantes que estava acostumada a receber.
Jonas visitou todos os departamentos da empresa logo cedo pela manhã, incentivou os demais funcionários e tomou café com os gerentes financeiros, enquanto Laura, de longe e com uma ponta de inveja, observava a espontaneidade e a alegria natural do homem.
— Laura, venha aqui, vou te pagar um café, disse ele de longe, acenando com a mão para convidar a garota a segui-lo.
A mulher mencionada se animou visivelmente e se levantou timidamente, tentando andar mais livremente na frente dos demais trabalhadores que a observavam com olhos curiosos.
O homem esperou por ela na entrada do cassino da empresa e segurou a porta para ela quando a jovem o alcançou. Jonas fez o próprio café e exibiu suas habilidades culinárias únicas com grande elegância.
— Cheira muito bem, disse Laura alegremente, aproximando-se da máquina de café, que começava a pingar rapidamente.
— Qual é sua desculpa para hoje? — Jonas perguntou, e Laura franziu a testa diante da dúvida dele. Você caiu da escada ou bateu na porta novamente?
— O quê? — Laura exclamou e ficou parada quando o homem colocou os dedos sob seus cabelos para observar melhor a pele de suas têmporas e parte de sua testa.
— Lesões na cabeça são complicadas, Laura, Jonas murmurou sem olhar para ela, concentrando-se em escolher as xícaras perfeitas para servir o café fumegante e aromático. Você já foi ao médico? Temos uma enfermeira no primeiro andar do prédio, ela pode te ajudar.
— Não, por favor, Sr. Jonas, estou bem, não é nada! — ela se desculpou rapidamente e acenou com as mãos em sinal de súplica. Estou bem, senhor, é só um arranhão. Estou muito bem, ela repetiu, e Jonas se virou para olhar para o rosto dela.