As manhãs de minha casa eram quase sempre do mesmo.
Banho,roupas passadas, café da manhã da Aibi. Nós sentávamos a mesa rapidamente, Todd reclama por ter acordado cedo e de suas professoras ruins e coisas que ele queria ter. "Quero o Playstation novo, papai." "Quero minha fantasia do Homem de Ferro para o Halloween".
—O Tony Stark é um desgraçado. Nada de fantasia dele.
—Ele é o mais forte.— rosnou Todd de cara feia.
—Homem-Aranha e não se fala mais nisso. — falei,puxando um prato com pão e ovos do centro da mesa.
—Ah não! — a criança cruzou os braços. — Mamãe! —a criança recorreu a Mad.
—Para de graça, Jas. — ela sorriu de lado. Bebeu um pouco de seu suco.
—É sério. Eu tô falando sério. Vocês não acreditam em mim. — disse num tom sarcástico. Aibileen, que nos observava de longe, sempre achava graça em mim.
—A fantasia é minha!— Todd disse. — Eu quero do Homem de Ferro!
—Mas quem vai pagar, hein? — Ri para ele. Todd bateu com os punhos fechados sobre a mesa, revoltado.
—Parou! — Mad perdeu a paciência e gritou. — Não podemos tomar café em paz? Meu Deus...
—Culpa dele! — meu filho apontou em minha direção.
—Homem-Aranha. — ele repetiu.
—Homem de Ferro. — retruquei.
—Homem A... — disse, quando percebi o olhar infernal de Madison sobre mim. — de ferro. Homem de Ferro. — falei,sorrindo. — Porém...
—O quê?
—Nada de San Luis até o Halloween.
—Mamãe!
—Chega disso, Todd. Você já extrapolou na última semana. Seu pai está certo. Nada de San Luis até o Halloween.
—Mas você prometeu. É só mais um. — Todd se referia a um pote de doce argentino super saudável que ele adora. Compramos três na última semana passada. Nada restou.
—Não. Até o Halloween. Fim de conversa.
Saí antes mesmo dos dois. Mad é nutricionista, assim como sua mãe.Minha sogra é muito pior, claro. Por ela, Todd não comeria nem metade de tudo o que ele come. É difícil impedir, mas às vezes ela consegue pela filha. Quanto mais a criança cresce, mais impossível controlar a sua alimentação. Mas, Madison se esforça de certa forma. Eu não a impeço. Acabo trapaceando para ajudar Todd, vez ou outra. Faz parte.
Eu até poderia contar A história de nós dois agora, porém, nesse momento, meus pensamentos foram interrompidos por uma ligação de David — o meu fascinante diretor. Eu estava no carro, rumo à Georgia College no caminho indicado pelo GPS quando fui recrutado para uma reunião de emergência.
Em poucos minutos, Phoebe, Andrew, Sarah, Alexis, Roderick, David eu estávamos reunidos na mesma sala de reuniões.
Não tive tempo para pedir perdão pelos meus pecados, pois Roderick já se sentou em uma das cadeiras falando sobre suas novas decisões para o futuro da série. Phoebe sentou-se ao meu lado. Andrew, Alexis e Sarah sucederam. David ficou na ponta.
—Não deu pra mudar muita coisa, infelizmente. —Roderick engrenou a falar. — O roteiro da série já se distanciou bastante do livro. Se mudarmos mais alguma coisa, a série terá quer mudar de rumo totalmente. Não fizemos nenhuma mudança drástica,mas vamos cortar o episódio nove. Ele vai ser menor, e o último,bem maior.
—Resumindo: Sarah vai salvar o Ned do tiro que ele receberia. — David explicou, fitando-me. — Sarah não, Millie.
—Sim. Millie não vai morrer, lógico. — o produtor e roteirista explicou. — Mas, vai terminar o episódio dando um susto no público. Eles vão ficar ansiosos para a próxima temporada.
—Por mim, OK. — Sarah concordou, aparentemente satisfeita.
—Mas o resto da equipe está de acordo? — Andrew queixou-se.
—Sim. Todos já sabem da mudança. Vocês estão aqui,pois são os principais em cena. Queria esclarecer pessoalmente. O Jeffrey não veio,mas eu gostaria de passar o roteiro com vocês, checar se os diálogos estão bons...
—Podemos começar? — Alexis, também um dos principais de The Truth, disse. Nós não nos falamos muito na série. E, nos bastidores, o suficiente.
—Não pense que escapou definitivamente, Jasper. —David disse, excelso. — Se você não provar que aquela menina mentiu, você já era.
—É, Jasper. Caso você não consiga provar, as coisas irão desandar para você. Foi uma quebra de contrato gravíssima.
—Vou provar. — falei, confiante. — Não se preocupem.
—Então, podemos começar ou vocês vão continuar dando ponto sem nó? — Phoebe cortou o clima, olhando para mim. Sorriu.
E sorri de volta.