1980's

1643 Words
Terça — ou "Encarando o d***o e os seus súditos". Fim de tarde. Reunião, com parte do elenco, produtores e roteiristas da série. Eu sou o réu, como você deve imaginar. Um réu quase condenado, pronto para ser devorado pelos demônios de Hollywood. Que o quadro de Hitchcock da sala de David me abençoe. O pré-julgamento começou na sala de reuniões da CBC, a emissora de TV, às cinco horas. Cenário (para os curiosos): Mesa retangular com pontas arredondadas, iluminação fosca, decoração de endeusamento a série. Dez assentos, sete ocupados. Dois amigos, cinco inimigos. Fecho os olhos e peço perdão por todos os meus pecados e pelos que ainda estão por vir. — Vocês não têm provas. Eu não disse aquilo. Sério, eu não seria tão i****a a esse ponto. — falei em minha defesa. Mentir nunca foi um grande problema, admito. — Eu só acho uma coincidência muito conveniente para o senhor, Jasper. — David contra-ataca. — Não acham? — Ficou nítido que você ficou insatisfeito com o roteiro do episódio. A morte do seu personagem o fez virar a cara até mesmo para Phoebe. Totalmente diferente da última noite de sexta... — Bill Raymond, um dos roteiristas que me matou, insinuou algo que não entendi. — Você entrou cuspindo fogo da sala de David. Saiu daqui ontem feito uma garotinha mimada, e, uma hora depois, o assunto está nos trends do Twitter. Fica difícil de acreditar em você... — Sarah, a Christian da série, falou em tom de reprovação. — Vai fazer uma hora que estamos aqui, mas não resolvemos nada. Precisamos decidir de uma vez o destino do Ned. E do Sr. Stanford. — Jeffrey, o produtor-chefe, disse, impaciente. — Jasper, você não precisa mentir. Precisamos da verdade. — Roderick Collins, co-roteirista e produtor da série, disse. Ele é um cinquentão alcoólatra, viciado em referências. — Bem, de qualquer forma, a morte do Ned será adiada. Já a sua, Sr. Stanford... Considere-se morto. — David insultou-me na frente de todos os meus colegas de trabalho. — Vou entrar com uma ação na justiça contra aquela garota. Não posso aceitar isso. — fiz-me de injustiçado. — Eu sou inocente. — a palavra soou tão cínica que acabei me arrependendo logo em seguida. — Não, Jasper, não é necessário. — Phoebe se pronuncia pela primeira vez. — Isso já foi longe demais. Nós deveríamos estar gravando a merda do episódio. Estamos atrasando tudo. — O roteiro precisa ser reescrito. — Jeffrey cuspiu. — A minha vontade é de te matar aqui e na série. Agora mesmo. — David resmungou, repetitivo. — David, por favor... — Roderick o repreendeu. O diretor não costumava ser agradável com quase ninguém. Principalmente com pessoas íntimas a ele, como eu. — Eu vou provar que estou certo. Queiram vocês ou não. — Ela é uma criança, Jasper. f**a-se tudo isso. O Bill reescreve isso e pronto. Pensem como uma interferência do destino... — Andrew, o Chad The Truth, saiu em minha defesa. — Deus deve me odiar. — David balançou a cabeça. — E quem não odeia? — Sarah disse, aliviando toda a tensão. Escapei, mas não definitivamente. Depois de mais quarenta minutos de reunião, a maioria fingia estar imparcial, porém, na verdade, quase ninguém ali acreditava em mim. Talvez nunca irão. E eu não os culpo. Quem se importa? Phoebe convidou-me para um café logo após a reunião. Eu aceitei, mesmo não querendo tanto assim. Por último, Andrew também foi conosco. David passou por mim rapidamente, áspero, antes de nossa saída. "Falo com você depois, desgraçado." De certa forma, saí feliz e com vantagem (parcialmente) para fazer justiça contra aquela adolescente punk. Eu não perderia o meu papel tão facilmente, não mesmo. — Agora pode contar a verdade. — Andrew disse quando chegamos ao Summit (32, Marietta St NB), que já estava na expectativa para o Halloween em sua decoração. — E eu menti em algum momento? — soneguei. — Qual é, Jasper. Isso é típico seu. Todos sabem disso. — Phoebe disse enquanto nos sentávamos. As mesas do Summit parecem de um refeitório escolar de colégio particular. Mesas retangulares de madeira (curiosamente, também com as pontas arredondadas), acopladas a assentos de cor verde para três pessoas de cada lado. Estávamos colados às janelas, mas os cartazes-anúncios de comida para o lado de fora atrapalhavam a bela visão da Avenida Marietta. — Preciso de um advogado. Conhecem algum bom por aqui? — Conheço. O melhor de New Briston, aliás. — And informou. — Acho que o ideal seria um acordo. Por que você não procura essa garota estranha e propõe algo? — Phoebe sugeriu. A garçonete aproximou-se com uma caveirinha pendurada no pescoço; pedimos café. — Acho que uns mil dólares fariam essa garota calar a boca. — Não, Jas. Seria perigoso. Ela poderia usar isso contra você. Você não a conhece. Talvez ela não seja esse tipo de pessoa. — And, a voz do discernimento entre nós, disse. — Ou seja, talvez ela não seja o seu tipo de pessoa, não é? — Phoebe brincou. — Se ela fosse realmente honesta, não teria feito isso. Daqui a pouco vocês vão espalhar fotos daquela garota com uma auréola por aí. — A questão não é essa. — Conversa com ela, cara. Descobre quem ela é, se é boa pessoa. Tenta um acordo. E aí, quem sabe, ela conta a verdade — ao falar verdade, Phoebe debochou — ao David e você fica bem de novo. Bem e vivo. E com a gente. — Phoebe tem razão. — Andrew concordou. — O primeiro passo é esse. Tentar resolver do modo mais fácil antes de atacar a tal garota. Fomos interrompidos pela garçonete, que chegou com nossos cafés e um sanduíche para Andrew (eu nem havia notado que ele havia pedido). Aproveitando esse momento de paralisação da cena, apresento-lhes os meus melhores amigos. São os únicos que posso confiar daquele maldito elenco. Andrew D. Wolfhard — O pai de família do nosso elenco. Trinta e cinco anos. É viúvo, tem dois filhos de mãe canadense. O pai dele era mexicano. Conheceu a mãe de Andrew, a senhora Dyer, numa cidade próxima à fronteira dos Estados Unidos com o México. O senhor Wolfhard conseguiu entrar ilegalmente de uma maneira inacreditável — porém, isso é uma história longa demais, digna de um espaço somente dela, acredite. É formado em Cinema e alguma Engenharia. Tem mais de dois irmãos. Gosta de Jazz Clássico e Hip Hop. And é bonito. Pele chocolate, porque fala que é tão gostoso quanto; Olhos vibrantes e verdes, cabelos bem escuros, assim como sua barba. Lábios delicados, orelhas pequenas e um porte físico considerável. É amoroso, típico de bom moço que me dá ânsia de vômito, mas acho que todos precisam de um amigo assim, com "a cabeça no lugar". Até mesmo eu. Aproveitando a linhagem, precisamos falar sobre Phoebe (ela não é uma psicopata até onde eu sei). Phoebe R. Heaton — a ex-caipira de Dakota do Sul. Vinte e sete e meio. Uma das três filhas de um latino ricaço, a morena passou sua adolescência numa fazenda até finalmente sair do meio do mato e ir para cidade grande, com dezoito, quando ingressou na faculdade de Artes. Ela sonhava controlar as ordenhadeiras mecânicas e cuidar do gado da fazenda dos Heaton pelo resto de sua vida, até perceber que o seu rosto era bonito demais para não aparecer numa tela de televisão. Tem pele bem morena, cabelos castanhos, nariz fino, lábios Angelina Jolie. Quase sempre veste vermelho. Não gosta de Jazz. Nesse ponto nós concordamos. Phoebe é totalmente Rock n' Roll (ela acha que coisas como U2 e The Killers são Rock n' Roll de verdade) É gostosa. É solteira e não tem filhos. Como diria minha mãe: "Sorte a dela". Por fim, Jasper Stanford — o sonhador de Manhattan. 1983. Na verdade, ele dispensa apresentações. É bonito, não muito alto, pele clara, olhos castanhos e cabelo curto. Um cara fantástico, que não faz m*l a ninguém, além de ser um ator incrível. É um filho da p**a às vezes, mas é amado por todos mesmo assim. Formou-se em Jornalismo. Trabalhou num jornal de NY durante quatro anos. Desde adolescente, sonhava em ser ator ou diretor de cinema. Ou os dois. Escrever roteiros sempre fora o seu hobby favorito. Nasceu em NY, assim como a sua mãe, ainda viva. Perdeu o pai aos treze anos de vida em um acidente trágico. Não possui irmãos. Casou-se com sua esposa,Madison, aos vinte e quatro anos (ele não fazia ideia do erro que estava cometendo). Tem um filho que é a sua cara, de seis anos. Acho que vocês já sabem disso. — Alguém animado para Netherworld esse ano? — mudamos de assunto logo depois da partida da garçonete Dayse (nós a conhecemos superficialmente). — Só você gosta disso, Phoebe. — falei enquanto apreciava o delicioso café do Summit. — Eu e milhares de pessoas. — rebateu ela. — É sempre cheio. Todo ano. É o melhor de New Briston. — Aquele lugar não comporta nem duzentas pessoas. — Andrew comentou, rindo. — Trezentos e trinca e cinco. É a lotação total. — Phoebe revirou os olhos. — Andrew precisa pedir doces com Stuart. — É divertido. Vocês têm invejam por não poderem ir pedir doces. — Como assim? Eu posso. — esnobei, como se fizesse isso. — David comentou que terá uma festa nossa. Não nossa. Da CBC toda. — E o que seria melhor? Um Halloween na Netherworld, com todas aquelas pessoas estranhas e fantasias ridículas, ou, uma festa sem graça com seus colegas de trabalho que fingem gostar de você, mas na verdade te odeiam? — Eu sou amada por todos. — Ela é amada por todos. — Andrew concordou. — p***a, And. Achei que estávamos no mesmo time. — disse, e todos rimos. 
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