Donovan's

891 Words
Cinco assentos. Quatro ocupados. Todos são inimigos. De volta aos aposentos do diretor da Georgia College & State University — 1889. Estou sentado na poltrona A, e Robin e sua mãe, Nancy, a atendente do Subway, na B. Cada poltrona tem espaço para duas pessoas magras (ou uma gorda). O pai da garota não quis sentar ao meu lado. Ficou de pé, atrás da poltrona de sua família, como uma ave mãe que protege os seus filhotes no ninho. O diretor, do outro lado da mesa, nos encara. Ele me dá a palavra após alguns momentos revirando papeladas em sua mesa. — Eu queria propor... Propor um acordo. — e olhei para Nancy. A cara da mãe da estudante me dá tédio. Olho para a garota. Ela parece me odiar, porém, sua mente parece estar viajando bem longe de Milledgeville. O cabelo de Robin Donovan está desbotado. Meio rosa, meio louro, meio laranja. Meio merda. — Não seria algo público. Daqui a pouco a mídia esquece o caso. O roteiro do episódio já até foi modificado. Eu só preciso de uma declaração da Robin para a CBC. Para que eu possa continuar na série. Seria um contrato simples; eu não poderia expor a sua declaração em lugar nenhum. Caso encerrado. — Deixe-me ver se entendi direito, sr. Stanford. — a senhor Donovan disse. — Você quer que a minha filha minta, para que o senhor continue com a sua vidinha de fama? Ácido. O homem não parecia ter muito amor no coração. Mas é claro que eu também pesquisei sobre ele. Tinha pavor à mídia. Quando jovem, Michael Donovan caiu num escândalo por participar de um grupo que traficava drogas ilegalmente no Norte do país. Pelo visto, ter alguns minutos de fama é algo de família. Ele aparenta ter uns cinquenta. A sua mulher, quarenta, talvez. — Eu não quero complicar algo tão simples. — rebati. — Isso pode ser facilmente resolvido. Ou o senhor me diz que prefere encarar um tribunal? Processos são chatos, senhor Donovan. Ninguém quer isso. Muito menos eu. — Porque você é rico, não é mesmo? E famoso. Que chance nós temos contra o senhor, não é, Stanford? — o homem rosnou. — Eu realmente, verdadeiramente, só quero facilitar tudo. E, outra. Eu não quero que a sua filha minta. Só quero que diga a verdade. E a verdade é que ela inventou tudo isso. — falei, e a garota revirou os olhos em um suspiro. — Afinal, conseguir uns minutos de fama por uma polêmica é coisa de família, não é mesmo? — disse, olhando para Michael. — Senhor Stanford. Respeito, por favor. — o diretor se intrometeu. O homem pareceu ter vontade de partir para cima de mim. A esposa se levantou para lhe segurar, acalmar os ânimos. Robin falava comigo sem emitir sons. Seus lábios se movimentavam bem lentamente para que eu a entendesse. Pelo pouco que conhecem da adolescente, creio que imaginam o que ela tenha dito. — Robin, conte a verdade a eles. — disse em tom audível. — Anda. Vamos agilizar isso tudo, garota. — A minha filha não está mentindo. — a mãe, mais calma que o pai, disse. — Por favor, não insista. — Vocês famosos acham que conseguem tudo o que querem assim, fácil. Tá esperando o que para me oferecer alguns trocados em troca dessa merda de acordo, hein? — Então o senhor está me subornando? É isso mesmo que entendi senhor Donovan? Está me pedindo dinheiro para que a garota diga a verdade? — cuspi, sínico. Por fora, sério como um advogado. Por dentro, me divertindo mais que aquelas gravações de risadas no fundo de séries de TV. Robin e o diretor trocavam olhares confusos. — E ainda por cima é petulante. — Donovan estava sendo segurado pela esposa. — Desculpe, mas sou honesto, Donovan's. Esse tipo de coisa não funciona comigo. — dessa vez, não resisti. Um sorriso se formou em meus lábios. — Já que sua filha não quer colaborar, nos vemos com a justiça. — Nos veremos, senhor Stanford. — o velho cuspiu. — Garota, é a sua última chance. Não quer dizer a verdade? Já ganhou seus minutos de fama. Não está satisfeita? — digo, sorrindo de leve. — Você precisa sair daqui. Antes que eu avance em cima de você. — o pai de Robin rosnou sendo controlado pela mulher. — Só quero resolver do jeito mais fácil. — falei. A garota pegou seu celular, o que me fez me sentir ameaçado. — Você acha que é assim? Você chega aqui, pede, e pronto. Porque é famoso. Não é? Esses famosos acham que todos o veneram. Que fazemos tudo por vocês. — Eu nem o conheço. — a mulher disse. Robin riu. — Tenham um ótimo dia, Donovan's. — disse ameaçando levantar-me. De repente, a garota foi mais rápida, saltando da poltrona B rapidamente com o celular em mãos. Saiu de sala da forma mais natural possível. O encontro durou bem menos o do que eu imaginara. A mulher levou o marido para fora em seguida. O diretor ainda me olhava, assustado. Saí como vencedor, mas, por dentro, eu só conseguia xingar a Robin e o seu pai filho da p**a. O gosto do Chicken & Bacon começou a amargar em minha boca.Tive de sorte de não ter sido envenenado. 
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD