Noite lotada, Secret em seu pleno funcionamento e a todo vapor.
Adentrei ao estabelecimento sem tocar a sirene, queria ver como era quando eles não sabiam que a dona estava ali.
E sinceramente, parecia muito mais divertido.
Todos gritavam e xingavam, bebiam como maníacos. Alguns brigavam, mas meus seguranças sempre estavam a espreita.
Caminhei até Charlie e lhe pedi uma música. Ela estava radiante e como sempre, muito afinada. Muitas mesas ali estavam só curtindo o ambiente e as músicas, e ela sempre prendia a atenção de muitos.
A noite estava agitada, e uma música assim dava uma acalmada na multidão. Alguns casais iam até a frente do palco para dançar lentamente.
Ao longe avistei Deshi, ele estava jogando em uma mesa, se demonstrava empenhado, e eu nem sabia que ele estava por ali naquela noite.
Fui até ao meu escritório caminhando lentamente, fechei a porta e me sentei na mesa. Peguei os papéis de contratos de locação, haviam muitas coisas sobre a festa que eu precisava calcular para ver se batia com o investimento. Estudei alguns buffets que Lilly havia me enviado, até encontrar um que atendesse aos meus requisitos. Afinal de contas, um dos nossos personagens morreria na mesa de jantar para dar início a investigação da noite.
Os brindes da noite do cassino, precisavam ser discretos, assim como a festa, mas eu sentia que de alguma forma, tudo tomaria um caminho bem diferente. Faltam poucos dias, e os convites já seriam enviados pela manhã. Lilly estava em êxtase, eu só conseguia pensar no trabalho que daria para manter tudo dentro dos conformes.
Essa semana os atores iriam perambular pelo ambiente para concretizar as cenas que estavam ensaiando, onde iriam colocar as pistas e tudo mais, então, Hanna iria passear por aqui. Era bom ter uma presença tão leve por perto. Óbvio que ela ainda conseguia me fazer sentir ciúmes de Deshi, mas a essa altura do campeonato, não tinha como ficar pensando nisso.
~ Toc Toc na porta ~
- Quem é? - Falei alto.
- Como entrou aqui sem ser vista por ninguém? - A voz de Lilly ecoou pelo ambiente.
- Vocês estão desatentos. - Sorri.
- Não estamos, só você e eu temos a chave desse lugar! - Ela riu.
- Realmente, e onde você deixa a sua chave? - Fiquei curiosa.
- É melhor você não saber... - Falou dando um tava em um dos seus s***s.
- Ok, já entendi! - Rimos.
- Você conseguiu escolher o buffet? Deixei algumas opções de qualidade aí.
- Sim, vai ser o Dom Carmesim. - Sorri.
- NOSSA, OBRIGADA! - Eles amavam a comida de lá, ela e os outros funcionários.
- Não é tão barato, mas é maravilhoso, e são extremamente discretos.
- Quando os rapazes souberem, vão ficar muito felizes! - Ela se referia aos seguranças.
- É mas vocês não podem perder o foco no dia! - Falei sorrindo.
- Tá, pode deixar! - Sorriu alegre.
- Preciso de um minuto, Lilly! - Sorri.
- Tudo bem, pode voltar ao trabalho, estarei lá fora se precisar de mim! - Ela sorriu de volta, e saiu.
(...)
Tinha uma bolha de envolvidos nos assuntos de Phillip, e eu não sabia em que pé estava. Ao mesmo tempo que eu sentia que podia controlar tudo, as traições vindas de lugares aleatórios me faziam questionar em quem eu podia confiar.
Coisas assim perturbam a nossa mente.
Eu e Cristen havíamos colocado um investigador na bota de Lincon, mas ela também estava mais atenta a ele. Passou a se aproximar, reclamar que eu a faço trabalhar de mais, por conta de tantas reuniões, não podíamos deixar que ele notasse, e apesar de ser um grande abobalhado, era muito recluso, com um pé atrás.
Cristen queria ganhar a confiança de Lincon, e eu precisava provocar os dois, com hora extra e trabalhos infernais para fazer sentido que a história dela atraia a dele. Talvez fazer ele ter pena, e tentar levá-la para o lado dos criminosos.
- LORE! - A voz de Lilly ecoou por todo o espaço da sala.
- O que houve? - Tomei um susto com seu desespero.
- Acho que fizemos caca! - Ela piscou rápido com os olhos esbugalhados.
- Como assim?
- Enviamos um naipe, a uma mulher. - Respirou.
- Sim, e daí?
- Acho que é sua irmã Lucy! - Sorriu fraco.
- O QUÊ?
- Bom, ela estava na lista de interesse, mas com outro nome. Foi uma seleção simples do nosso sistema! - Ela sorriu fraco.
- Que porra...
- Eu sinto muito!
- Tudo bem, sei como o sistema funciona. Jamais iria imaginar que a minha irmã pudesse ter interesse nesse lado do mundo. - Ri um pouco da situação.
- É...
- Você está estranha...
- Temos outro probleminha...
- Comece a falar, Lilly!
- Eu chequei a lista de convidados da festa Bordô, e aparentemente, ela também recebeu o convite para a cerimônia de jogos. - QUE p***a!
- Não acredito! - Falei em tom baixo e meio irritadiço.
- Bom, você vai ser convidada também, então pode descobrir mais coisas sobre ela.
- Não ameniza muito o fato de ela ser um problema pra nós, precisamos ficar atentas. Ela vai querer grudar em mim, e eu não posso me dar ao trabalho de ficar longe dos acontecimentos da festa. - Revirei os olhos.
- Sei que você vai encontrar uma solução... - Lilly falou correndo para fora.
-HEY
- Sim?
- Deixe ela ZERADA! Peça ao Deshi se for preciso! - Eu ri.
- Vai irritar sua irmã na primeira noite dela de volta pra cá? - Riu.
- Com certeza! - Ri. - Estou com saudades dessa mulher!
- Eu vejo que sim... - Falou irônica.
- Você não entenderia!
- Amor de irmãos geralmente são assim, caóticos!
- Lilly, que nome ela está usando?
- Foxy Sproud! - Ela riu.
- Como o sistema não percebeu isso? - Rimos!
- Não confie sempre no sistema, agora sabemos! - Sorriu e saiu, encostando a porta.
Observei Lucy pela câmera de segurança, ela estava radiante, como sempre! Era um colírio para os olhos, e chamava a atenção de todos por onde passava, o que era muito engraçado. Apesar de ser casada e ter uma profissão estável, dava pra ver em seu semblante que era uma mulher cheia de segredos, assim como Mary. Acho que realmente isso é de família!
Ela sempre foi muito fria, mas nunca demonstrou nenhum lado amargo e de vícios. Vê-la jogar pôquer, tomar uísque e fumar charuto como se fosse um hábito cotidiano, me fez ver coisas que até então eu não sabia. Inclusive, a mulher encarar Charlie por alguns longos instantes, e entregar um pouco mais sobre ela.
- Vou atiçar ela na casa do papai!
Peguei o celular e liguei para ela, que viu a chamada e saiu cautelosamente para o lado de fora do ambiente.
- Estava mesmo pensando em você, irmãzinha! - Falsa de voz melosa.
- E você vem quando, Lucy? - Sorri a vendo pelas câmeras.
- Acredito que amanhã pela manhã, estou terminando umas coisas de trabalho. - Ela riu, eu sabia o motivo do riso frouxo.
- Sua voz parece de alcoolizada. - Joguei.
- Ando meio estressada com o trabalho, acabei bebendo um pouco hoje. - Um pouco?
- Entendo, adquiri uns hábitos ruins também.
- É a vida irmã, só tenta não se perder muito. - Exalou um ar de preocupação. Ficou cabisbaixa logo após.
- Sinto sua falta!
- Também sinto a sua! Logo estarei por aí!
- Te espero! - Falei desligando.
Lucy Greedy, agora também, Foxy. Eu queria muito saber o motivo de seu trabalho e suas viagens longas e demoradas, mas com o nome fake, talvez eu obtivesse mais sobre seu segredo.
- Lore, sua irmã tá causando problemas... - O rádio com voz de Lilly ecoou.
- Isso sim é um grande problema... Mais um! - Sorri motivada.