Capítulo 13 - Uma mão na roda

1676 Words
Acordei de meu longo sono de 6 horas, o que era o mais engraçado já que minhas noites haviam sido um caos durante todo esse ano. Fui surpreendida com uma mensagem de "bom dia" de Deshi, que não era lá muito de mensagens. Aproveitei a deixa para convidá-lo para um café, ele era bom em solucionar problemas sem entrar em conflito, e eu, apesar de ser muito equilibrada, estava perdendo a cabeça essa semana. - Plena Quinta-Feira - Fomos até uma cafeteria que havia perto da empresa, lá era meigo, ambiente gostoso, e o sol com tempo nublado deixava o ar fresco. - Bom dia, criminosa! - A voz dele era de riso. - Bom dia, indiscreto! - Fiz uma cara de espanto. - Há que devo essa honra tão matutina? - Estendeu a mão para me sentar na cadeira. - Não é tão matutina assim... - Olga, são 7:15 da manhã! - Ele riu. - E eu dormi como um bebê! - Ri. - Três horas inteiras de sono? - Como ele era irônico. - Na verdade, foram seis horas inteiras de sono! - Eu estou impressionado, agora sim você é humana! - Riu. - Enfim, Wang! Vou precisar de sua ajuda essa semana. - Fiz cara de pidona. - É claro, será um prazer te ajudar! Hoje eu posso até matar o trabalho, mas amanhã cedo, até de tarde, eu vou ter que cuidar de assuntos urgentes. - Que tipo de assuntos? - Me preocupou. - Nosso casamento! - Riu. - Sério, que assuntos? - Me fez corar. - Bom, é sobre uma frota nova de caminhões que chegaram. Seu pai vai acertar alguns pontos de segurança neles, é uma reunião demorada, alta demanda de atenção com o sogro! - Riu. - Entendi, você não cansa de me constranger, não é? - Ri. Expliquei todas as ideias que tive com Lilly na noite passada, ele gostou muito de todos os pontos, exceto a parte em que ele teria que trabalhar com Paul para conseguir as pistas. - É mesmo necessário? - Sim, você é novo aqui, Paul já conhece todos esses caras, vai ser mais fácil se ele te apresentar. Vão se sentir mais seguros com um rosto amigo. - Sorri. - É, você tem razão! E qual vai ser a desculpa que vai usar com ele para que ele trabalhe comigo de maneira conjunta? - Eu não preciso dizer nada, ele sabe muito bem como me sinto sobre você. - O que isso quer dizer? - Seus lábios sorriram de lado, segurando algum tipo de emoção explosiva. - Quer dizer que nós podemos confiar nele. E é isso o que importa! - Bom, precisamos ir até a Broadway, lá existem centenas de milhares de pequenos teatros, e eu conheço um muito bom, que infelizmente está fechando as portas por falta de pagamento de hipoteca. - Pensou bem. - Eles não conseguiram se manter? Então são ruins! - Na verdade, são jovens, um casal de irmãos herdou de seus avós, e eles deixaram muitas dívidas de jogos. Por mais que ganhassem bem com as apresentações, seria necessário muitas peças durante a semana, muitos ensaios e textos novos, os ingressos do teatro estão muito baixos ultimamente, o cinema vem ganhando muito com acessibilidade. Entende onde eu quero chegar? - Será que essa dívida é acessível? Uma proposta de quitar, salvaria muito ambos os lados. - Meus olhos brilharam. - Acredito que sim! Hanna é uma grande estrela, ela se aposentou da Broadway para dar uma nova cara ao seu teatro, mas só após os avós falecerem é que eles souberam do grande problema financeiro. Foi como puxar um tapete enorme sob seus pés. - E como você os conhece? - Ele era muito misterioso. - Seu irmão, Denis, vivia indo para a China, eu sou um grande apreciador de teatro, então nós nos encontramos algumas vezes nos teatros de Shangai. Ele parecia meio perdido, então eu o ajudei com a comunicação. Depois nós nos tornamos muito amigos. A cinco anos atrás, toda essa bagunça aconteceu, ainda não tive tempo de passar lá para conhecer seu lugar. - Poxa, eu sinto muito por eles, sei como é assustador sentir que você está perdendo tudo. - Sorri fraco, meio sem graça. - Hey, você não está perdendo tudo! Vamos dar um jeito nisso! - Ele sorriu, acariciando a minha bochecha com carinho. Ele sempre me fazia lembrar o motivo de mantê-lo por perto, e é claro, de como essa sensação de pequeno ataque cardíaco podia ser associada a amor. - Então, vamos começar por lá! - Sorri, me levantei abrupta. - Tá, mas acalma o coração, ainda não tomamos café e eu estou desfalecendo. -Fez como se fosse desmaiar. - É agora eu entendo como pode ser tão bom chantageando, você é um entusiasta da arte teatral. - Rimos. Pedimos croissant e folhados de queijo, meus favoritos. Tomamos um capuccino delicioso enquanto ele me contava mais sobre suas aventuras com Denis. - Deshi e Denis, vocês formam uma dupla e tanto. - Rimos. - Eu nunca parei pra pensar nisso, mas foi engraçado notar a semelhança de nossos nomes. - Riu. Terminamos de tomar nosso café, e ele fez uma ligação para seu pai, avisando que não iria hoje pois tinha assuntos pessoais para tratar. Ouvi meio por cima que era sobre o nosso casamento, eu achei uma ótima artimanha, já que seu pai estava ansioso por essa realização. Assim como todos, pelo visto! Logo após a conversa, ele ligou para Denis, disse que precisava conhecer o lugar, que tinha saudades dele e que provavelmente poderia ajudar com os problemas financeiros. - Bom, eu vou pegar o carro, você quer me esperar aqui? - Ele sorriu. - Claro! Eu vou avisar Lilly sobre isso, ver como anda a situação por lá. Deshi saiu, e após alguns minutos, liguei para Lilly que custou a atender o celular. - Fala comigo! - Lilly. - Garota, como anda a situação da decoração? - Como assim a situação da decoração? - Você não ia ver com a sua irmã? - Ah tá, espera só um segundo... - Espero! - Olga, eu te amo! Mas não acredito que está me ligando as 8 da madrugada pra falar de uma coisa que nós combinamos apenas há algumas horas atrás! - Ela falou assustada e começou a rir sem parar. - Caramba, eu esqueci! - Rimos. - Mulher, vai dormir! Não tem nem dez horas que eu reclamei da sua cara linda de zumbi. - Você sabe que está falando com a sua chefe? - Falei séria. - Você sabe que estou fora do meu horário de trabalho, e no meio do meu sono de beleza? - É, você tem razão! - Tem alguma novidade? - Tenho sim, mas vou te deixar dormir primeiro, e daí, mais tarde se tudo estiver certo, eu te aviso! - Ri. - Nossa, Deus te abençoe! - Falou entusiasmada. - Até mais tarde, bom sono de beleza! - Obrigada! Até mais! Boa sorte! - Falou rápido e desligando o celular. Olhei para o além, e pensei comigo mesma... Porquê eu sou tão desesperada? O dia estava lindo, era cedo, eu estava folgando da empresa pela primeira vez em meses, meu pai estava com tudo sob controle, claro, depois de ter perdido o controle, mas mesmo assim, as coisas estavam caminhando. Eu estava prestes a resolver 20% dos meus problemas com a Secret, e logo que calculasse a média de lucros do baile, eu sei que vai ficar tudo bem, bem criminoso, porém, bem! Ao longe, vi o carro de Deshi encostando na frente do lugar, então fui de encontro a ele. Ele desceu rápido e abriu a porta para mim, e eu me senti muito bem com toda aquela atenção que ele me direcionava. - Podemos ir? - Sorri. - Claro, eu só preciso avisar uma coisa... - Parecia sem graça. - É algo sobre você e a irmã do seu amigo? - Sorri. - Sim... - Então, já estou avisada! - Eu sabia! - Apenas ignore que talvez ela não vá muito com a minha cara. - Você partiu o coração dela! - Fiquei chocada. - Não foi bem assim, ela sabia que eu não queria nada sério, que meu coração já tinha lugar reservado. - Sorriu e me olhou. - Olha para frente, galanteador! - Rimos. A viagem foi um pouco longa, uma hora para ser exata. Mas, percorremos todo o trajeto conversando e ouvindo música, como sempre. (...) Assim que chegamos, Deshi desceu do carro e ligou para Denis, que veio rapidamente para fora. O teatro era lindo, porém abandonado. Precisava de uma demão de pintura, um letreiro e muito amor para valer o lugar onde está fixado. Mais ao longe uma linda mulher se aproximou e abraçou Deshi, que ficou surpreso com a reação dela. Eu não era tão calorosa assim, mas me senti insegura quanto a beldade que invadia o espaço a frente. Hanna, é uma mulher n***a de pele clara, com descendência latina. Cabelos longos e escuros, cacheados e volumosos. Olhos que lembram um castanho mel, rosto perfeitamente simétrico, lábios carnudos, maxilar bem marcado, com olhar de raposa, me lembra uma predadora, com um corpo escultural, sem exageros. Ela era perfeita! - Que desgraçada... - Respirei fundo, ainda há uma distância segura entre nós. - Querida, venha conhecer meus amigos! - Deshi era esperto. - Claro! - Sorri forçado. - Hanna, Denis. Quero que conheçam a minha noiva, Olga! - Eu estava realmente grata a ele por me apresentar assim, significa que ele já eliminou a competição alheia. - Olá, muito prazer! - Sorri para ambos. - Você deu sorte, ela é linda, com todo respeito! - Sorriu Denis. - Realmente, alguém precisava fisgar você! - Ela me abraçou. - Vamos aos negócios? - Deshi tentava descontrair. - Eu adorei esse espaço... - Eu realmente havia adorado. - Está em nossa família a gerações, vai ser maravilhoso se conseguirmos manter assim. - Destrinchou Hanna, e ela parecia sincera e respeitosa. Deshi, Deshi...
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