Adentrei o ambiente e o clima não estava confortável. Lilly veio até mim, trouxe um café forte, expresso.
Me sentei na cadeira olhando para aqueles papéis, e ela se sentou a minha frente com um semblante de preocupação.
- Você não acha que precisa de férias? - Ela sorriu, parecia penosa.
- Eu tenho certeza de que preciso.
- Você parecia muito mais feliz aqui há um ano atrás.
- E eu confesso que fui, mas no momento, o que era divertido, agora parece um fardo. Porém, a Secret conseguiu salvar a coisa mais preciosa da minha família, e eu devo muito a esse lugar. - Sorri. Passei a mão pelos cabelos longos, estiquei os braços e os ombros e respirei fundo.
- Você tem olheiras.
- Estou muito acabada?
- É incrível como continua linda, mesmo com olheiras. - Rimos.
- Eu nem sei por onde começar. - A encarei.
- Bom, acho que você vai ter que usar o fundo de emergência para promover um baile. - Ela se recostou na cadeira.
- Sim, eu torrei o cofre. Agora só me resta um pouco do fundo de emergência, e eu vou precisar ser rápida.
- Quanto tempo até promovermos esse evento, sem falir? - Ela pegou seu caderno de anotações.
- Eu não sei, mas não sei se seria viável ser apenas uma noite de jogos. Acho que precisamos apelar para um público um pouco maior. - Sorri.
- Tipo, mulheres que não jogam? - Ela sorriu.
- Todo o tipo de pessoas. Que jogam, que não jogam.
- Vai sair bem caro fazer um evento formal, não vai? - Coçou a cabeça com a caneta.
- Pensei em algo como um baile, porém, como esse lugar é enorme e cheio de andares abandonados, se saíssemos do porão. Com andares de teatro e música, porém, um evento que caminha com os convidados. - Eu estava apreensiva.
- Isso é excitante. - Ela riu.
- E bem caro...
- Porém, vai atrair muitos curiosos! - Sorriu.
- Precisamos de um marketing discreto, convites específicos, trages a rigor.
- E que tal se fizéssemos como uma investigação? Uma peça que acaba em tragédia e os convidados procurassem pelo culpado? - Era bem coisa de Hollywood.
- Eu achei maravilhoso. E se todos usassem cores iguais, porém, o culpado também usasse a cor dos convidados? Causaria um desconforto entre eles. - Sorri.
- Isso tá ficando divertido.
- Eu sei! - gargalhamos.
- Que tal, todos vestidos de preto? - Os olhos dela brilhavam.
- Preto é minha cor. - Enciumada.
- E que tal vermelho?
- Mulheres ficam lindas de vermelho, é provocante e vai chamar muita atenção. - Sorri.
- Sem máscaras?
- Sem máscaras, vai ser divertido se tivermos um escândalo de famosos. - Ri.
- Queremos essa atenção? - Esperta.
- Não, é verdade!
- Então, teremos que planejar bem um marketing, onde não sejamos muito falados. Que a mídia e a polícia não descubra, e que ganhemos muito dinheiro? - Missão impossível.
- Podemos cobrar altos valores para quaisquer pistas que nossos detetives quiserem. Sem contar que podemos cobrar por enigmas e itens.
- Isso é ótimo!
- Então, vamos precisar de uma companhia de teatro discreta e boa. Uma orquestra sinfônica, um buffet, uma decoradora de eventos, seguranças e designers de marketing? - Pisquei.
- Quanto temos?
- 5 dólares! - Rimos.
- Pare de bobagem! - Falava entre as gargalhadas.
- Bom, temos 1 milhão. - Respirei fundo.
- Bom, acho que talvez dê pra resolver tudo, o problema mesmo é cobrir o silêncio dessas pessoas. - Ela apertou o cenho.
- Acredito que existam companhias de teatro e orquestras boas no subúrbio, que precisam do dinheiro e que aceitariam valores que podemos pagar, pessoas com sonhos. Conheço um buffet, que geralmente é o mesmo dos eventos. É salgado, mas podemos pagar. O problema maior vai ser a divulgação e a decoração.
- Minha irmã é cerimonialista. Ela pode me ajudar a me programar para esse evento, eu só não vou dar detalhes de absolutamente nada. Mas acho que consigo dar conta. - Ela estava empenhada.
- Olha, eu amo eventos, mas confesso que cada vez que precisamos fazer algo assim, eu entro em Pânico.
- Fica bem, vai dar tudo certo! - Sorriu. - O que você vai fazer primeiro?
- Bom, eu vou deixar meu pai cuidando da empresa essa semana, não há muito que eu possa fazer. Vou dormir cedo e acordar cedo. Vou atrás da companhia de teatro e música, passear no subúrbio, e ver o que encontro.
- Isso é ótimo!
- Vou conversar com os designers dos convites de naipe, eu adoro o trabalho deles, tenho certeza de que vão me ajudar com os convites. - Eu espero.
- Precisamos da lista de convidados!
- Conheço muitas pessoas que adorariam um evento como esse, o problema é que são todos conhecidos da minha versão humana comum, então eu tenho que tomar muito cuidado. - Sorri.
- E se você viesse como convidada também? - Boa sugestão.
- Eu conseguiria acompanhar tudo, e com certeza atrair eles para mais perto depois. Quebrar um pouco a minha pose de santa da alta sociedade... - BRILHANTE!
- Acho que te veriam como uma grande desesperada, agora que está passando por grandes conflitos. - Engraçado.
- Bom, é o que eu sou mesmo! - Rimos.
- Precisamos parar de rir de nossas próprias desgraças. - Ela secava a lágrima do canto do olho.
- Eu acho que vou usar uma peruca.
- Para com isso, mulher!
- Tá, meio caminho decidido. Agora é estender as mangas e colocar o plano em prática.
- Eu estou ansiosa por esse evento, de verdade! Nossos jogadores, vão amar!
- Não tenho dúvidas disso.
- As apostas do pôquer, vão estar abertas?
- Sim, elas são nosso carro chefe. Podemos colocar apenas 8 em nossa sala vermelha, e lá eles podem receber uma pista mais fácil do jogo geral. - Nós estávamos transcendendo.
- E quem não joga, pode apostar em uma pessoa que entrou na sala, e pagar pela resposta dessa pessoa. Ela conseguindo ou não algo de valioso!
- Caramba, você é genial Lilly! - Sorri.
- É por isso que eu nunca fui demitida, mesmo bebendo do estoque! - Ela me olhou de lado.
- Você bebeu do estoque? - A encarei.
- Então é isso, ótima reunião! Quando tiver novidades você me manda uma mensagem que eu vejo rapidinho, chefinha! - Sínica.
- Está certo, Lilly! - Ri.
- E eu peguei uma garrafa da sua estante. - Falou batendo a porta logo em seguida.
- Que não seja meu escocês favorito! - Apertei os olhos!
(...)
Agora, eu só precisava organizar um evento incrível onde as pessoas fossem e guardassem segredo, pessoas que eu tivesse acesso a algum escândalo íntimo ou algo que eu pudesse usar no convite como um contrato de sigilo. Era muito difícil saber todos os podres dos ricos, a não ser que eles mesmos me contassem alguma coisa.
Deshi e Paul, são grandes em descobrir uma variedade de segredinhos entre os caras. Nada que uma noite de drinks e conflitos não resolvam, assim como eu e Lilly indo em eventos com as dondocas do topo. Acredito que ir como convidada em minha própria festa, fará os olhares se desdobrar para outro lado, isso significaria que eu também tinha um segredo a ser exposto caso quebrasse o contrato de sigilo.
Que rufem os tambores... A primeira semana de organização desse baile vai ser um caos eminente. Eu só estava pensando em como convencer Paul a trair esses caras, sem lhe contar a verdade.