Capítulo 11 - Um acordo de casamento

1406 Words
Muito se falava sobre casamento, o casamento sempre foi uma tradição de famílias, uma união de países, uma forma de se promover, de se salvar, e até mesmo de amor e constituição familiar. O casamento era um negócio, um contrato. Eu lidava com contratos o tempo todo, mas jamais me imaginei assinando um contrato assim. Onde, eu estava com o meu amor, porém, prestes a levar seu nome para a lama se não soubesse fazer dar certo. Tanto minha vida secundária que acarretaria em cadeia, quanto ao nome e a empresa de nossas famílias. Enfim, delicado. (...) - Olha, eu não sei por onde começar. Você está vendo minha situação, você sabe tudo sobre mim, e mesmo assim, como não vê o perigo em que estou te botando? - Me sentei. - É isso mesmo, eu vejo. Porém, não vejo desvantagens nesse acordo. -Ele parou de tratar como algo romântico e estava argumentando. - Me apresente seus prós. - Sorri. - Vai comendo esse sushi, enquanto eu falo! - Ele foi montando toda a comida em cima da mesa de centro, e eu juro, minha barriga gritou ao sentir o cheiro. - Ops! - Que humilhação. - Pelo jeito eu cheguei na hora certa. - Ele riu. - É, pelo jeito é mais comum do que eu pensava, estar sem comer. - Passamos temporadas juntos, e você tem esse problema desde sempre. Até achei que fosse bulímica. - Me olhou sério. - É, eu tive um momento assim quando criança. - Olhei cabisbaixa. - Por sorte, a terapia me fez bem. - Sorri. - Você tem tantos segredos, não é? - Eu tenho outra pessoa vivendo em mim, pergunte tudo a ela quando a vir. - Sorri. - Mas, não fuja do assunto. Prós! - Exigi. - Bom, vamos lá! Primeiramente, a equipe que vocês tem aqui é impecável, por mais que a empresa esteja enfrentando problemas, nós poderíamos aprender muito com todos eles. Segundo, teremos acesso aos seus clientes, que, como você sabe, são extremamente poderosos. Terceiro, temos recursos e verba o suficiente para voltar a empresa em 80% de sua funcionalidade, o tempo de correção vai ser menor e em menos de 1 ano, já vamos praticamente recuperar todo o valor de investimento. - Eu m*l conseguia comer notando o quão ele estava certo sobre tudo. - E por último, mas não menos importante, apesar de eu ter mais milhões de motivos para provar o quão esse casamento é maravilhoso na parte comercial, eu escolhi esse outro ponto que é o meu favorito. - Respirou fundo. - Vou me casar com você! Entende? Sabe o quanto isso é maravilhoso para mim? - Ele sorriu como uma criança, e eu entendo agora o que Paul quis dizer. - É, você realmente tem ótimos pontos... - Me voltei ao sushi, mas era difícil não estar tão corada, envergonhada. Um riso insistia em se esconder nos meus lábios. - Espero que essas coisas te façam perceber que não é sobre você, bom, é sobre você também, mas não quer dizer que isso vá me prejudicar. - Você deveria se formar em advocacia. - Sorri. - Meu irmão já fez esse favor pra minha família, me ensinou muito! - Rimos. - Bom, me ajude a comer tudo isso, por favor? - Ele havia exagerado. Passamos um tempo comendo, conversando, e tomando suco. Ele sabia que eu havia bebido, ultimamente eu estava sobrevivendo a todos esses problemas dessa forma. - Olga, você precisa parar um pouco. - Ele me pegou em um momento de silêncio. - Como assim, Deshi? - Você se mata de trabalhar. Tem pouco tempo de sono. Cuida muito da empresa e muito da Secret. Isso que eu ainda não te vi atuando na parte de escritório de lá, só Deus sabe que mundo de delitos você está se envolvendo. - Sorriu. - Mas, o que eu vejo, é que você está cansada! - E ele tinha razão. - Meu Deus, eu tenho compromisso de escritório lá, hoje! - Ele me lembrou. Levantei rapidamente. Fui até o banheiro. Quando voltei ele já havia limpado tudo e me olhava com cara de desapontado. - O que há dessa vez? - Sorri. - Achei que não fosse pra lá hoje! - Eu preciso arrumar a bagunça que deixei. A Secret pode falir com o tamanho do rombo que eu tive que fazer no caixa de lá para salvar o daqui. - Expliquei lentamente. - Olga, mas o que te faz gostar tanto de lá? - Lá é minha segunda casa, minha versão livre de julgamentos. E agora, só a Secret vai me dar acesso ao Phillip. - É, eu havia me esquecido disso. A justiça com as próprias mãos! - Riu irônico. - Eu não tô te pedindo pra ir comigo. Obrigada pelo jantar, você é um amor! -Num momento de reflexo, lhe dei um selinho e fui caminhando rapidamente para fora, quando senti sua mão segurar a minha. - Eu não posso... - Ouvi sua voz ecoar atrás de mim. - Não pode o que? - O olhei. - Te deixar sozinha com isso. - Passou a caminhar na frente, mas ainda segurava a minha mão. Me senti protegida como nunca antes. - Obrigada, de novo! - Sorri. - Você vai trocar de roupa? - Hoje não, a Secret está fechada. Posso ir direto para lá, são negócios de escritório. - Está bem, eu te levo! Partimos em seu carro. Não era nada chamativo, era escuro, e não traria problemas para mim. - É dia de cobrança? Com armas e tudo? - Ele falava da última vez. - Não, isso é uma vez por mês. Esse mês eu já fui atrás dos meliantes. O problema atual é criar um evento chamativo para arrecadar mais fundos de emergência para a Secret e a empresa. Gosto de trabalhar lá, me dá mais confiança quando estou trabalhando aqui. - Falei como autoridade. - Eu imagino mesmo, você esteve muito confiante em nossas reuniões. - Havia me esquecido que alguns acionistas tiveram acesso via transmissão. - Você viu tudo? - Ri. - Sim, por obrigação. Mas, confesso que nunca prestei tanto a atenção em uma reunião como as de hoje! - Riu me olhando. - Você está acabando comigo hoje, minha pose de durona foi embora três vezes em menos de duas horas. - Ri. - Três a zero então. O que eu ganho com isso? - Sugestão. - O que você quer ganhar com isso? - Olhei para fora do vidro do carro, tentando desconversar. - Quero muitas coisas, mas sinceramente vou esperar você caminhar até mim sozinha. - Ele era um cavalheiro, as vezes, até demais. - Chineses... - Sorri. - O que foi? - Nada! - Isso foi muito m*****o da sua parte, você sabe não é? - Igual quando você pergunta dos planos de casamento do nada. É m*****o! -O olhei. - Você acha m*****o? Eu acho que estou muito animado com isso. - Por que eu toquei nesse assunto? - Entendi, então não é para me deixar constrangida? -Ri. - Confesso que talvez seja... - Riu. Paramos o carro, nossa sintonia era maravilhosa. Ele abriu a porta para mim, e me estendeu a mão. Desci do carro e ele me encarou, seu sorriso era gentil e acolhedor. Ele esticou o braço para que eu fosse para dentro, e então eu fui. Parei na porta e sorri. Ele deu alguns passos de costas, me encarando de frente. De repente... - Ah, eu vou só dessa vez... - Caminhou até mim, pousou sua mão em meu rosto. Passou o dedo nos meus lábios e selou os dele ao meu. Era quente, macio e me fez tremer. Movimentos harmônicos e um sabor de amor, era inexplicável. Foi difícil parar depois que começamos. - Isso é... - Perfeito! - Sim! Assim que nós nos afastamos, olhar para ele, me fez me sentir uma garotinha de novo. E eu senti arder, mais que uma dose de uísque. - Eu vou te deixar, mas é só me ligar que eu venho correndo. - Que sorriso bobo e mais lindo do mundo. - Tá bem, obrigada! - Eu sorria de volta. - Tchau! - Tchau! - Entra logo! - mandão. - Eu estou indo! - Cheguei mais perto da porta, e acenei para ele, que acenou de volta para mim. - Tchau! - Gritou indiscreto. Então o expulsei com a mão. Esse homem...
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