Muito se falava sobre casamento, o casamento sempre foi uma tradição de famílias, uma união de países, uma forma de se promover, de se salvar, e até mesmo de amor e constituição familiar. O casamento era um negócio, um contrato. Eu lidava com contratos o tempo todo, mas jamais me imaginei assinando um contrato assim. Onde, eu estava com o meu amor, porém, prestes a levar seu nome para a lama se não soubesse fazer dar certo. Tanto minha vida secundária que acarretaria em cadeia, quanto ao nome e a empresa de nossas famílias. Enfim, delicado.
(...)
- Olha, eu não sei por onde começar. Você está vendo minha situação, você sabe tudo sobre mim, e mesmo assim, como não vê o perigo em que estou te botando? - Me sentei.
- É isso mesmo, eu vejo. Porém, não vejo desvantagens nesse acordo. -Ele parou de tratar como algo romântico e estava argumentando.
- Me apresente seus prós. - Sorri.
- Vai comendo esse sushi, enquanto eu falo! - Ele foi montando toda a comida em cima da mesa de centro, e eu juro, minha barriga gritou ao sentir o cheiro.
- Ops! - Que humilhação.
- Pelo jeito eu cheguei na hora certa. - Ele riu.
- É, pelo jeito é mais comum do que eu pensava, estar sem comer.
- Passamos temporadas juntos, e você tem esse problema desde sempre. Até achei que fosse bulímica. - Me olhou sério.
- É, eu tive um momento assim quando criança. - Olhei cabisbaixa. - Por sorte, a terapia me fez bem. - Sorri.
- Você tem tantos segredos, não é?
- Eu tenho outra pessoa vivendo em mim, pergunte tudo a ela quando a vir. - Sorri. - Mas, não fuja do assunto. Prós! - Exigi.
- Bom, vamos lá! Primeiramente, a equipe que vocês tem aqui é impecável, por mais que a empresa esteja enfrentando problemas, nós poderíamos aprender muito com todos eles. Segundo, teremos acesso aos seus clientes, que, como você sabe, são extremamente poderosos. Terceiro, temos recursos e verba o suficiente para voltar a empresa em 80% de sua funcionalidade, o tempo de correção vai ser menor e em menos de 1 ano, já vamos praticamente recuperar todo o valor de investimento. - Eu m*l conseguia comer notando o quão ele estava certo sobre tudo. - E por último, mas não menos importante, apesar de eu ter mais milhões de motivos para provar o quão esse casamento é maravilhoso na parte comercial, eu escolhi esse outro ponto que é o meu favorito. - Respirou fundo. - Vou me casar com você! Entende? Sabe o quanto isso é maravilhoso para mim? - Ele sorriu como uma criança, e eu entendo agora o que Paul quis dizer.
- É, você realmente tem ótimos pontos... - Me voltei ao sushi, mas era difícil não estar tão corada, envergonhada. Um riso insistia em se esconder nos meus lábios.
- Espero que essas coisas te façam perceber que não é sobre você, bom, é sobre você também, mas não quer dizer que isso vá me prejudicar.
- Você deveria se formar em advocacia. - Sorri.
- Meu irmão já fez esse favor pra minha família, me ensinou muito! - Rimos.
- Bom, me ajude a comer tudo isso, por favor? - Ele havia exagerado.
Passamos um tempo comendo, conversando, e tomando suco. Ele sabia que eu havia bebido, ultimamente eu estava sobrevivendo a todos esses problemas dessa forma.
- Olga, você precisa parar um pouco. - Ele me pegou em um momento de silêncio.
- Como assim, Deshi?
- Você se mata de trabalhar. Tem pouco tempo de sono. Cuida muito da empresa e muito da Secret. Isso que eu ainda não te vi atuando na parte de escritório de lá, só Deus sabe que mundo de delitos você está se envolvendo. - Sorriu. - Mas, o que eu vejo, é que você está cansada! - E ele tinha razão.
- Meu Deus, eu tenho compromisso de escritório lá, hoje! - Ele me lembrou.
Levantei rapidamente. Fui até o banheiro. Quando voltei ele já havia limpado tudo e me olhava com cara de desapontado.
- O que há dessa vez? - Sorri.
- Achei que não fosse pra lá hoje!
- Eu preciso arrumar a bagunça que deixei. A Secret pode falir com o tamanho do rombo que eu tive que fazer no caixa de lá para salvar o daqui. - Expliquei lentamente.
- Olga, mas o que te faz gostar tanto de lá?
- Lá é minha segunda casa, minha versão livre de julgamentos. E agora, só a Secret vai me dar acesso ao Phillip.
- É, eu havia me esquecido disso. A justiça com as próprias mãos! - Riu irônico.
- Eu não tô te pedindo pra ir comigo. Obrigada pelo jantar, você é um amor! -Num momento de reflexo, lhe dei um selinho e fui caminhando rapidamente para fora, quando senti sua mão segurar a minha.
- Eu não posso... - Ouvi sua voz ecoar atrás de mim.
- Não pode o que? - O olhei.
- Te deixar sozinha com isso. - Passou a caminhar na frente, mas ainda segurava a minha mão. Me senti protegida como nunca antes.
- Obrigada, de novo! - Sorri.
- Você vai trocar de roupa?
- Hoje não, a Secret está fechada. Posso ir direto para lá, são negócios de escritório.
- Está bem, eu te levo!
Partimos em seu carro. Não era nada chamativo, era escuro, e não traria problemas para mim.
- É dia de cobrança? Com armas e tudo? - Ele falava da última vez.
- Não, isso é uma vez por mês. Esse mês eu já fui atrás dos meliantes. O problema atual é criar um evento chamativo para arrecadar mais fundos de emergência para a Secret e a empresa. Gosto de trabalhar lá, me dá mais confiança quando estou trabalhando aqui. - Falei como autoridade.
- Eu imagino mesmo, você esteve muito confiante em nossas reuniões. - Havia me esquecido que alguns acionistas tiveram acesso via transmissão.
- Você viu tudo? - Ri.
- Sim, por obrigação. Mas, confesso que nunca prestei tanto a atenção em uma reunião como as de hoje! - Riu me olhando.
- Você está acabando comigo hoje, minha pose de durona foi embora três vezes em menos de duas horas. - Ri.
- Três a zero então. O que eu ganho com isso? - Sugestão.
- O que você quer ganhar com isso? - Olhei para fora do vidro do carro, tentando desconversar.
- Quero muitas coisas, mas sinceramente vou esperar você caminhar até mim sozinha. - Ele era um cavalheiro, as vezes, até demais.
- Chineses... - Sorri.
- O que foi?
- Nada!
- Isso foi muito m*****o da sua parte, você sabe não é?
- Igual quando você pergunta dos planos de casamento do nada. É m*****o! -O olhei.
- Você acha m*****o? Eu acho que estou muito animado com isso. - Por que eu toquei nesse assunto?
- Entendi, então não é para me deixar constrangida? -Ri.
- Confesso que talvez seja... - Riu.
Paramos o carro, nossa sintonia era maravilhosa. Ele abriu a porta para mim, e me estendeu a mão. Desci do carro e ele me encarou, seu sorriso era gentil e acolhedor. Ele esticou o braço para que eu fosse para dentro, e então eu fui. Parei na porta e sorri. Ele deu alguns passos de costas, me encarando de frente. De repente...
- Ah, eu vou só dessa vez... - Caminhou até mim, pousou sua mão em meu rosto. Passou o dedo nos meus lábios e selou os dele ao meu. Era quente, macio e me fez tremer. Movimentos harmônicos e um sabor de amor, era inexplicável. Foi difícil parar depois que começamos.
- Isso é...
- Perfeito!
- Sim!
Assim que nós nos afastamos, olhar para ele, me fez me sentir uma garotinha de novo. E eu senti arder, mais que uma dose de uísque.
- Eu vou te deixar, mas é só me ligar que eu venho correndo. - Que sorriso bobo e mais lindo do mundo.
- Tá bem, obrigada! - Eu sorria de volta.
- Tchau!
- Tchau!
- Entra logo! - mandão.
- Eu estou indo! - Cheguei mais perto da porta, e acenei para ele, que acenou de volta para mim.
- Tchau! - Gritou indiscreto. Então o expulsei com a mão.
Esse homem...