Veneno Era madrugada. A casa inteira dormia, exceto eu. A brisa vinda do mar entrava pela varanda do nosso quarto, balançando suavemente a cortina branca que Rebeca escolheu quando nos mudamos. Ela dormia com a mão na barriga, um sorriso leve no rosto, como se sonhasse com nosso futuro. Eu fiquei ali, só observando. A luz fraca do abajur deixava tudo mais calmo... e ao mesmo tempo mais real. Peguei o caderno de capa preta que ficava guardado na gaveta da escrivaninha e uma caneta azul. Abri na primeira folha em branco e escrevi: Carta para o meu filho, Nicolas. Filho, Se você estiver lendo isso, talvez já seja grande o bastante pra entender que o mundo não é só feito de coisas boas — mas é nelas que a gente se apoia pra seguir em frente. Te escrevo numa noite silenciosa, enquanto v

