cap 22 o nosso amor

451 Words
REBECA O dia estava claro, diferente dos últimos meses cheios de nuvens e incertezas. Eu segurava a mão do Felipe no banco do carro, tentando controlar o nervosismo que parecia ter se alojado no meu peito. Ele estava ao meu lado, com aquele olhar que misturava esperança e medo, tentando mostrar que estava ali pra mim, para nós. O caminho para a clínica parecia longo, embora fosse só alguns minutos. Eu pensava em tudo que havíamos passado para chegar até aquele momento – a guerra, a distância, o medo de perder um ao outro, a saudade que parecia atravessar o tempo. E agora, ali estávamos, prestes a ver pela primeira vez o nosso filho, o pedaço mais real do nosso amor. Quando entramos na sala, o médico nos recebeu com um sorriso acolhedor. Pediu para eu me deitar e passou o aparelho gelado sobre a minha barriga. No instante em que a imagem apareceu na tela, o silêncio tomou conta da sala. Lá estava ele, pequenino e indefeso, batendo seu coraçãozinho com força, pulsando vida em meio a tudo que a gente viveu. Vi o Felipe prender a respiração, os olhos marejados, a mão apertando a minha como se quisesse segurar aquele momento para sempre. - É lindo - ele disse, com a voz embargada. - Parece que tudo valeu a pena. Eu sorri, sentindo uma onda de emoção que me fez querer chorar de felicidade e alívio ao mesmo tempo. - Ele é forte, igual a gente - respondi, sentindo minha barriga se aquecer com o toque dele. Depois do exame, sentamos na sala de espera, a mão dele ainda entrelaçada na minha, e começamos a falar sobre tudo. A história que nos trouxe até ali, o medo que ficou, e a vontade de construir uma vida diferente. - Você lembra daquele dia em Angra, quando eu te pedi em casamento? - ele perguntou, olhando para mim como se buscasse a confirmação de que tudo aquilo era real. - Lembro - respondi, sorrindo. A gente parecia que ia conquistar o mundo, mesmo com tanta coisa contra a gente. - E a guerra? - ele suspirou. - Eu pensei que não ia sair vivo, que nunca ia voltar pra você. - Eu também pensei isso. Quase perdi a fé. Mas você voltou. A gente venceu. E agora tem essa vida aqui, crescendo dentro de mim. - Essa é a nossa chance, Rebeca. A gente vai fazer dar certo. Não importa o que aconteceu. A gente vai ser feliz. E naquele momento, mesmo com toda a história de dor e luta, eu soube que o futuro seria diferente. Porque, no fim, o amor – o nosso amor – é maior que tudo.
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