Sophia acordou antes de a luz se firmar. O quarto ainda tinha cheiro de vinho e de s**o. Os lençóis amassados guardavam marcas do corpo dele e do seu; o vestido de noiva estava pendurado numa cadeira.
Ela virou o rosto no travesseiro, procurando um lugar que não cheirasse a posse. Não encontrou.
Lorenzo estava sentado na poltrona, apenas de calça, o corpo seco e morno de quem já enfrentou banho frio sem apagar o fogo. Observava-a em silêncio, copo de água na mão, como se esperasse que ela se lembrasse do próprio nome.
— Dormiu, principessa?
— O suficiente.
— Eu não.
Ele pousou o copo, levantou-se e veio sem pressa. O corpo dele projetou sombra sobre o dela, e a sombra pesou mais que o homem. Puxou os lençóis até a cintura dela, expôs a pele com o mesmo cuidado de quem desembainha uma lâmina.
— Ainda treme — disse baixo, passando a palma pela curva do ventre como quem lê uma sentença. — O corpo aprende antes da cabeça.
— O corpo esquece.
— Eu ensino de novo.
Ele se inclinou e mordeu a clavícula com gentileza c***l. A mão desceu, desenhando caminhos conhecidos, encontrando calor onde ela jurava que havia gelo. Quando os dedos roçaram o ponto sensível, o ar saiu do peito de Sophia como se alguém tivesse aberto uma janela por dentro.
Ela arqueou sem querer, como se o corpo fosse puxado por um ímã invisível. O toque não foi bruto — foi calculado, paciente, arrastando círculos lentos sobre o tecido fino da calcinha. Cada movimento espalhava ondas quentes por dentro dela, até o estômago contrair, até a pele arrepiar.
— Já molhada — ele sussurrou, a boca roçando a curva do ombro.
Sophia fechou os olhos, tentando negar a evidência, mas o corpo se expunha sem pedir licença. A respiração saía em arfar descompassado, e quando ele pressionou um pouco mais fundo, quase atravessando o tecido, um gemido baixo escapou, traidor, denunciando o quanto estava entregue.
Lorenzo riu de leve contra a pele dela, o som grave vibrando direto no osso da clavícula. A mão se moveu em ritmo firme, aumentando a pressão no ponto exato, e ela já não sabia se queria segurar o pulso dele para afastar ou para forçar que ficasse.
— Assim… — ele murmurou, roçando a boca pelo pescoço dela até encontrar a orelha. A língua delineou a borda sensível antes de puxar o lóbulo entre os dentes. — Respira fundo, principessa. Quero sentir você gozar.
Ela tentou conter a voz, mas a cada toque mais firme, mais certeiro, o corpo traía o silêncio que queria manter. Os quadris começaram a se mover sozinhos contra a mão dele, buscando mais, implorando sem palavras.
— Isso — Lorenzo intensificou o ritmo, agora passando dois dedos por cima da calcinha encharcada, marcando o contorno da b****a como quem escreve posse na carne. — O corpo sempre me chama. Mesmo quando a boca grita o contrário.
De repente, ele puxou a calcinha de lado e encostou a pele nua, dedo contra c******s exposto. Sophia arfou alto, como se tivesse sido golpeada e acariciada ao mesmo tempo. A sensação crua a despedaçou; os joelhos perderam força, e ela precisou agarrar o braço dele para não desmoronar.
Ele não teve pressa. Deslizou em círculos lentos, depois rápidos, depois lentos de novo, alternando como se estivesse afinando um instrumento. Cada vez que ela quase chegava ao limite, ele diminuía, arrastando a tortura.
— Vai pedir — ele sussurrou contra a boca dela, os dedos trabalhando sem misericórdia. — Vai implorar para gozar na minha mão.
Sophia mordeu os lábios até sentir gosto de sangue, tentando segurar o gemido. Mas quando ele deslizou dois dedos para dentro, profundos, preenchendo, e o polegar pressionou de novo o c******s, a resistência desabou.
Um grito rasgou a garganta dela. O corpo inteiro tremeu, contraindo em volta dele em ondas que não obedeciam mais à mente. Foi um o*****o denso, arrebatador, que arrancou dela o que ainda restava de fôlego.
Lorenzo manteve os dedos dentro até o último espasmo, sentindo cada contração como prova de vitória. Só então os retirou devagar e, olhando direto nos olhos dela, levou-os à boca. Chupou cada gota, como se fosse um ritual.
— Minha — disse, com voz baixa e rouca. — Sempre minha.
— Não… — ela tentou, mas a palavra foi uma casa sem telhado.
— Sim — ele corrigiu, firme, e aprofundou o toque até o corpo dela responder como música chamada pelo maestro.
— Todas as manhãs — ele murmurou no ouvido dela. — Quero ver você gozar por minha causa antes de qualquer outra coisa.
Ela virou o rosto para fugir da voz; encontrou a boca dele à espera. O beijo veio fundo, quente, decidido. Quando se afastou, Lorenzo virou-a de lado, guiou o joelho dela para frente e colou o corpo no dela por trás, encaixando-se com a precisão de quem foi feito para ferir e para caber.
— Assim — sussurrou, a boca na nuca. — Quero ver suas costas.
Ele puxou a calça para baixo e seu p*u duro balançou. Ela umedeceu os lábios, sem conseguir controlar ao sentir a ereção se arrastar contra a b****a molhada. Então, Lorenzo guiou o p*u para dentro dela. O primeiro movimento arrancou um som agudo que ela não reconheceu. Os dedos de uma mão dele pressionavam sua cintura, conduzindo o ritmo, firme e constante das estocadas. Ele a empurrou mais para frente, fazendo com que ficasse de quatro na cama. Segurando-a com firmeza, ele alcançou sua b***a e, sem perder o ritmo, começou a sondar seu anus com um dedo.
Ela ofegou, assustada. Ainda acariciando, ele diminuiu as estocadas e falou baixinho para acalmá-la:
— Hoje não vou comer seu cuzinho. Só quero fazer você gozar ainda mais gostoso — ele aumentou o movimento do dedo, no mesmo ritmo das estocadas de seu p*u. — Mas, em breve, vou te comer aqui, e você vai gozar muito.
Chocada demais para formar um pensamento, ela gemeu baixo e ele acelerou os movimentos.
— Fala meu nome — ele exigiu, baixinho.
— Não.
— Fala.
Ela segurou o travesseiro com força. Ele acelerou as estocadas e a carícia intima. O mundo repetiu a borda, e, sem que ela pudesse impedir, o nome dele saiu quebrado, a metade de um grito, a metade de uma confissão.
— Assim — ele disse, satisfeito.
Quando ele gozou, foi fundo, quente e decidido como tudo o que ele fazia. Depois a puxou contra o peito, com uma mão pesada no ventre, a outra na garganta.
— Acostume-se — disse, e o tom era quase suave. — Esse quarto é seu c*******o e sua arma.
A mesa de café da manhã anunciava um país onde as pessoas são felizes: pães, frutas, queijo, café, flores. Ela não estava nesse país. Lorenzo, sim — à cabeceira, postura de rei secular, a xícara na mão, o jornal dobrado sem ser lido.
— Sente — disse, como quem puxa uma cadeira com a voz.
Ela sentou. Ele serviu café para ela, gesto íntimo e exibicionista. Passou a colher devagar, olhou enquanto girava o líquido escuro.
— Vai precisar de calorias — disse, e pousou a xícara.
— Para quê? — provocou, só para recuperar um centímetro.
— Para sobreviver a mim.
Ele cortou um pedaço de pão, passou manteiga, colocou um fio de mel. Levou à boca dela. Ela deixou o pão encostar nos lábios por orgulho e fome. Mordeu. O mel estourou doce demais.
— Mais — ele ordenou, e ela comeu de novo, como se cada mordida fosse uma regra.
— Hoje à noite vamos receber convidados — anunciou, limpando os dedos numa toalha que parecia bona fide. — Apresentação da senhora Romano. Convidados certos, perguntas erradas, fotos de ângulos corretos. Vai sorrir três vezes, sem mostrar os dentes. Vai dizer “é um prazer” duas vezes, e “obrigada por vir” quatro. Vai ficar à minha esquerda. Vai usar vermelho.
— Eu escolho a cor — ela cortou, rápido demais.
— Você escolhe como usar — ele devolveu, rápido igual. — A cor é minha.
— Não sou troféu.
— Não. Você é a minha rainha.
Ela bebeu o café de um gole, sentiu o amargor arranhar a língua. Ele pousou a mão na coxa dela sob a mesa; a pressão subiu um pouco a cada segundo, marcando uma contagem regressiva privada.
— Antes do jantar — ele murmurou, sem tirar os olhos dela — vou lembrar seu corpo de quem ele é.
— Vai me prender o dia todo?
— Vou te preparar o dia todo.
— Parece aula.
— É.
Ele ergueu a mão, e um funcionário que ela não viu entrar apareceu com uma caixa comprida.
— Use isto. Sem colar. Sem brincos. Uma pulseira só — ele tocou o próprio pulso. — E saltos altos. Quero você no limite.
— E se eu tropeçar?
— Eu seguro.
Ele comeu devagar, quase provocativo, como se mastigar fosse linguagem. Quando terminou, limpou a boca, recostou-se.
— As duas da tarde, sua stylist chega com ajustes. Três, aula de italiano... você aprenderá frases específicas. Quatro e meia, descanso. Cinco e meia, banho. Seis, venho te buscar. — Ele pousou o guardanapo. — E, Sophia…
Ela não respondeu, mas os olhos fizeram a pergunta.
— Quero você perfeita. Como a rainha que você é.
As horas seguintes foram uma coreografia ensaiada. A stylist ajustou bainhas, a maquiadora escondeu o cansaço sob dourado nas pálpebras, a cabeleireira prendeu os fios para durarem três horas de perfeição. Até o italiano virou lição de ordens que ela já conhecia em inglês: pare, venha, fique.
À tarde, o corpo pediu descanso. Desabou numa poltrona, mas a mente não desligava. Pelos corredores, passos de guardas, portas discretamente abrindo e fechando — rotina de luxo e clausura. Cochilou por minutos, sonhando com corredores sem saída. Acordou com o som na porta. Não bateram: anunciaram.
— Senhora Romano, o senhor espera no quarto.
Ela caminhou devagar, tentando preservar qualquer coisa que fosse dela — um gesto, um hábito, a forma de segurar a barra do vestido. Quando entrou, ele estava de costas para a janela, terno escuro, gravata do mesmo vermelho que a boca dela aprenderia.
— Vira — ele disse.
Ela girou. Os olhos dele percorreram devagar, como se cada centímetro exigisse inventário. Não tinha luxúria no olhar, mas sim um prazer que misturava estética e controle.
— Venha cá.
Ela obedeceu. Ele segurou o queixo dela, levantou um grau, calibrando o ângulo.
— Olha para mim do jeito que olhou no espelho — pediu, baixo. — Não foge.
— Está satisfeito?
— Ainda não.
Ele aproximou a boca, mas não beijou. A respiração dele encostou na dela.
— Abre a boca — pediu, e ela abriu. O polegar dele encostou nos lábios, desenhou uma linha que dizia é meu. — Hoje, quando sorrir, quero lembrar do que provou.
Ela fechou os olhos. Ele roçou a boca no canto da dela e recuou um passo.
— Viu como controlo a fome? — perguntou, leve.
— Isso não é fome. É espetáculo.
— É poder.
Ele segurou a mão dela, colocou-a sobre o próprio peito. O coração dele batia calmo demais.
— E poder, principessa, é a única linguagem que todo mundo nessa cidade entende.
— Inclusive você.
— Principalmente eu.
Ele a girou pelo punho, devagar, até as costas dela encostarem em seu peito. As mãos dele pousaram na cintura, e durante um momento inteiro não aconteceu nada. Foi pior do que o toque. Quando finalmente ele baixou a boca para a orelha dela, o sussurro veio como corda.
— A noite é longa. Se obedecer, vai para a cama. Se me desafiar, eu escolho onde termina.
— E se eu fizer as duas coisas?
— Então não acaba até eu decidir.
Ela prendeu o ar. Ele sorriu contra a pele dela e a soltou.
— Desço em cinco minutos — disse, como quem informa o motorista. — Não se atrase.
Ele saiu. Sophia caminhou até o espelho, viu a mulher de vermelho que a encarava de volta.
E se o meio de sobreviver a ele for aprender a usá-lo?