Precisamos conversar...

1322 Words
Eliza Parada em frente ao prédio do Adrian, sentia meu coração batendo tão rápido que parecia prestes a saltar do peito. Minhas mãos estavam suadas e eu tentava, sem sucesso, acalmar a respiração. O prédio à minha frente parecia mais imponente e assustador do que nunca, cada janela uma incógnita, cada porta um desafio. Eu estava prestes a me virar e ir embora, a ansiedade me dominando, quando ouvi meu nome ser chamado. Olhei para cima e vi Adrian na janela, acenando para mim com um sorriso que misturava surpresa e urgência. Sem ter outra escolha, reuni toda a coragem que tinha, entrei no prédio e comecei a subir as escadas. Cheguei à porta do apartamento do Adrian, respirando fundo para tentar acalmar meus nervos. Levantei a mão e bati na porta, sentindo um arrepio de ansiedade percorrer meu corpo. A porta se abriu rapidamente, revelando Adrian com um olhar de preocupação e alívio. -Entre, por favor.- ele disse, dando um passo para o lado e segurando a porta aberta para mim. Hesitei por um momento, mas sabia que não tinha volta. Respirei fundo novamente e entrei no apartamento, sentindo o peso da situação crescer a cada passo. Entrei no apartamento e fiquei meio sem jeito, observando tudo nervosamente. Adrian parecia tão desconfortável quanto eu, mas tentou quebrar o gelo. -Quer beber algo?- ele perguntou, tentando parecer casual. -Um refrigerante de laranja, por favor,-. respondi, tentando soar mais calma do que me sentia. Ele foi até a cozinha e pegou a bebida, entregando-a com um pequeno sorriso. Peguei o copo, dando um gole para aliviar a tensão. -Seu apartamento é bem bonito... de dia... com o sol... sabe, as coisas claras. Dá até para ver os livros de professor de literatura.- comentei, tentando encontrar algo para dizer enquanto olhava ao redor. Adrian apertou minha mão levemente, seus olhos fixos nos meus com uma mistura de preocupação e alívio. — Olha, Elizabeth, o motivo de eu ter te chamado até aqui é... — A gente ter transado naquela noite, eu sei — interrompi, tentando dissipar a tensão no ar. — Sei que foi uma loucura e que agora complicou tudo, mas... não precisa dizer mais nada. Eu sei o que aconteceu. Ele respirou fundo, seus ombros ainda tensos. — Eu... eu fiquei preocupado, sabe? Não só pelo que aconteceu, mas pelo que isso pode significar para nós dois. — Adrian, você não precisa se preocupar — eu disse, tentando acalmá-lo. — Está tudo bem. Eu não vou contar a ninguém. Aquela noite foi... foi incrível, mas eu entendo as implicações. — Elizabeth, não é tão simples assim — ele disse, a tensão em sua voz se intensificando. — Eu preciso que você entenda algo. Desde que minha noiva morreu, eu não consegui... eu não consegui ter relações sexuais com ninguém. Você foi a primeira pessoa em cinco anos com quem eu consegui... funcionar. Fiquei em silêncio, surpresa pela revelação. Ele apertou minha mão mais forte, como se estivesse tentando transmitir a gravidade da situação. — Eu não sei o que é, mas algo em você me fez... me fez sentir vivo novamente. Eu não quero deixar isso para trás. Eu preciso de você, Elizabeth. Não apenas porque tivemos uma noite incrível, mas porque você é a única com quem eu consigo... ser eu mesmo. — Adrian... — murmurei, sem saber o que dizer. A intensidade em seus olhos me deixava sem palavras. — Por favor, não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu — ele continuou. — Eu preciso entender o que está acontecendo entre nós. E preciso de você para isso. — Mas... o que isso significa? — perguntei, minha mente girando com a revelação. — Significa que quero que você continue na minha vida, de alguma forma — ele disse, a voz carregada de sinceridade. — Eu não sei como, mas sei que não quero perder essa conexão. Podemos manter isso em segredo, podemos encontrar uma maneira. Mas por favor, não me afaste. O peso de suas palavras me atingiu em cheio. Não era apenas uma questão de manter um segredo, mas de lidar com algo muito mais profundo e complicado. Eu não acreditava no que estava ouvindo. — Essa é a desculpa mais esfarrapada que já ouvi de um homem! — disse, puxando minha mão de volta. — Você acha que eu sou i****a? Cinco anos sem t*****r e, de repente, você consegue comigo? Que tipo de história é essa? — Não estou inventando, é a verdade — implorou Adrian, sua voz carregada de desespero. — Eu realmente não consegui ficar com ninguém desde que minha noiva morreu. Mas com você, foi diferente. Eu não sei explicar, mas é real. — Você é louco! — exclamei, levantando-me do sofá. — Você realmente acha que vou acreditar nessa baboseira? Não preciso dessa merda na minha vida. Vou embora. — Por favor, Elizabeth, só me escute! — ele disse, tentando segurar meu braço. — Não quero perder essa conexão. Podemos descobrir juntos o que isso significa. — Não há nada para descobrir! — retruquei, puxando meu braço de volta. — Isso foi um erro. Deixe-me ir. Ele tentou argumentar mais uma vez, a voz desesperada. — Por favor, não vá! Precisamos conversar sobre isso. Podemos encontrar uma solução que funcione para nós dois. — Adeus, Adrian — falei, virando-me e caminhando em direção à porta. — Não conte com isso. Saí rapidamente do apartamento, sentindo o coração pesado com raiva e frustração. A ideia de que ele pudesse estar falando a verdade passou pela minha mente, mas a rejeitei imediatamente. Não podia acreditar em algo tão absurdo. Atravessei a rua e continuei andando, determinada a deixar essa confusão para trás. Atrás de mim, podia ouvir Adrian chamando meu nome, implorando para que eu voltasse. Mas eu sabia que, se parasse para ouvir mais uma palavra, poderia ser arrastada de volta para aquela teia de incertezas. ***** — O quê? É sério que ele disse isso? — Amanda ficou desacreditada quando eu contei o que aconteceu. — Sim, acredita? — respondi, ainda irritada. — Ele realmente achou que eu fosse cair nessa história absurda de que sou a única com quem ele consegue t*****r depois de cinco anos. — Isso é loucura! — exclamou Amanda, balançando a cabeça. — Que desculpa mais esfarrapada. — Eu sei! — suspirei, jogando-me no sofá. — E ele ainda tentou me convencer a manter contato, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. — E o que você fez? — Amanda perguntou, curiosa. — Eu fui embora, é claro. Chamei ele de louco e saí dali o mais rápido que pude. Não preciso dessa merda na minha vida. — Bom, pelo menos você deixou claro que não vai cair nessa. Mas, e agora? — Amanda perguntou, a preocupação evidente em seu rosto. — Agora, eu tento esquecer isso e seguir em frente. Não vou deixar que essa história atrapalhe minha vida — respondi, tentando soar mais confiante do que realmente me sentia. — Mas e se for verdade? — Amanda perguntou, hesitando um pouco. — Por que um homem gostoso que nem ele iria atrás de uma garotinha sem experiência como você? Talvez ele esteja falando a verdade. As palavras dela me deixaram confusa, plantando uma dúvida que eu não queria admitir. — Você acha? — perguntei, tentando processar a possibilidade. — Quer dizer, parece tão absurdo... mas ele parecia tão sincero. — Eu não sei, Eliza. Só estou dizendo que pode haver algo mais aí. Talvez ele realmente esteja falando a verdade — Amanda continuou, olhando-me com seriedade. Suspirei, afundando-me ainda mais no sofá. A dúvida começou a crescer dentro de mim, misturando-se com a frustração e o alívio que eu sentia ao sair do apartamento de Adrian. — Eu... não sei o que pensar, Amanda. Tudo isso é tão complicado. — A incerteza em minha voz era clara, refletindo a confusão em minha mente.
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