Episode: Midnight Talks
A Drinking Song
Wine comes in at the mouth,
And love comes in at the eye;
That's all we shall know for truth
Before we grow old and die.
I lift the glass to my mouth,
I look at you, I sigh.
- W. B. Yeats
[Uma Canção de beber
O vinho entra na boca,
E o amor entra nos olhos;
Isso é tudo o que devemos saber pela verdade
Antes de envelhecer e morrer.
Ergo a taça em minha boca,
Eu olho para você, suspiro.
- W. B. Yeats]
- O que acha que ele quis dizer com isso? - Lorena indagou, seus braços atrás das costas e um olhar curioso ao passo que Louis terminava de recitar a carta, sentado ereto em seu colchão enquanto a lamparina do criado-mudo iluminava a superfície do papel. - Ele deixou a mesma carta na porta de todos os príncipes.
- Hum, deve ser mais outro de seus devaneios. Têm se tornado frequentes há um tempo, sim?
- Já é a segunda vez que deixa bilhetes poéticos na porta de todos.
- Bom, ao menos Harry tem um bom pendor para literatura, William Butler Yeats é renomado por seus poemas vitorianos.
- Achas que o Príncipe de Malta quer dizer algo com essas citações? Um código secreto? - a criada questionou, piscando rápido.
- Creio que por trás de cada gesto seu há um significado, intencional ou espontâneo.
- Qual seria o deste? Me soa muito específico e sentimental.
Tomlinson elevou o foco da carta para a jovem dos cabelos castanhos, sorrindo complacente. Ela o lembrava um pouco de sua mãe, Rainha Johanna, esse jeito sincero e verdadeiro, demonstrando nitidamente suas emoções sem priva-las pelas normas de conduta.
Tanto é que já devia ser quase onze da noite, horário que as empregadas reais estavam supostamente em seus próprios quartos e os príncipes deveriam descansar em paz, preparando-se para o dia seguinte.
Jezebel cansara de repreender sua irmã pelo costume de ocupar o Príncipe William com suas divagações até tarde da noite, embora Louis sempre garantisse que não era incômodo nenhum a presença da mais nova, uma companhia divertida, diria.
Portanto, foi uma surpresa geral quando àquele ponto da quarta-feira muito após o jantar escoaram-se fracas batidas na porta de seu dormitório, advertindo que alguém pedia para adentrar.
Lorena e Louis se entreolharam desconfiados antes de Tomlinson sinalizar para que ela atendesse.
Assim que a porta foi destrancada e aberta em um grande vão, a figura de Harry Edward Styles foi revelada.
A figura de Harry devidamente trajado, com as mesmas peças lisas do jantar, e um sorriso que imediatamente se murchou ao avistar a garota.
Ele parecia desconcertado por definitivamente não esperar que outra pessoa além de Louis estivesse naquele quarto, assustado por ter sido flagrado ali.
Já Lorena escancarou a boca, transparecendo visivelmente seu espanto, demonstrando-se em um misto de choque e confusão para o herdeiro de Malta.
Se Louis estava surpreso ou perplexo, ele claramente não expôs nada além de um sorriso cordial e um aceno com a cabeça, sempre inatingível e austero.
- Príncipe Edward. - saldou calorosamente. - A que devo a honra?
Harry inspirou um pouco aturdido, tentando manter a postura e não balbuciar.
- Gostaria de conversar com você em particular, se não for incômodo. - admitiu em uma linha tênue entre desconforto e altruísmo, olhando agora significativamente para Lorena, esperando que ela entendesse a deixa.
A garota virou-se para Tomlinson com uma expressão inquiridora, certificando-se de que aquilo estava Okay.
Com um breve consentimento silencioso e uma olhar reconfortante, ela engoliu seu incômodo e relutância, acatando a ordem.
- Tenham uma boa noite, vossas altezas. - reverenciou-os contrariada e saiu, deixando-os sozinhos.
Harry adentrou e fechou a porta, tropeçando no processo e recompondo-se atrapalhado.
Pela quase queda, seu rosto enrubesceu e ele gastou alguns segundos alisando seu smoking preto, dissipando o constrangimento.
- Bem, essa foi uma entrada inovadora. - Tomlinson observou, esperando quebrar qualquer tensão.
- Não ria de mim. - Styles grunhiu, estreitando as sobrancelhas.
- Mas eu nem sequer sorri. - rebateu com um ar divertido, tocado pelo modo envergonhado que o príncipe de Malta ficara após o incidente.
Harry revirou os olhos.
Os olhos, aliás, que haviam notado como as lagoas azuis pareciam mais claras e límpidas naquela noite, decorando perfeitamente o corpo do jovem moreno, vestido com roupas simples e confortáveis no aconchego de sua cama.
O quarto do herdeiro de Riverland era tão básico se comparado com o de Harry, sem todo aquele luxo, extravagância, dorsel ou camurça... E ainda assim era infinitamente mais agradável, mais próximo de um recanto particular. De um lar.
Tudo dizia sobre sua personalidade, havia quase um Louis em cada mobília de ébano maciço, uma elegância requintada e fina, sem exageros, porém vistosa.
Completamente o oposto do interior do quarto de Styles, cujos móveis cheiravam a verniz, eram lustrados, brilhantes. Onde as cortinas cobriam quase paredes inteiras e os tapetes egípcios gozavam de fios de tecido dourado.
E não apenas a aparência dos locais diziam muito sobre si.
O de Louis, por exemplo, era um ambiente reservado, somente ele e as criadas tinham acesso - e Harry agora também, aparentemente. Um recanto dele e de seus livros.
Já o de Styles significava um espaço completamente público e invadido por vários outros rapazes diariamente, o lenço vermelho amarrado na maçaneta da porta sinalizando que aquela era a toca do hedonismo, o covil da cobra. O Jardim do Éden.
Tudo, todos os detalhes ao redor deles era gritante, e o fato de Harry Edward Styles, o cara das joias e diamantes, estar ali, parado no meio do aposento refinado de Louis, com seu corpo esbelto e cachos luxuosos, destoante das cores neutras e escuras do cômodo, parecia um enfeite posto no lugar errado da árvore de natal. Colorido demais. Vibrante demais. Forçado demais.
Ele era um pedacinho de gelo por dentro e se demonstrava ser uma figura calorosa por fora, enquanto que Louis aparentava-se um floco de neve fria por fora, mas possuía um calor inconfundível em seu interior.
No final, tudo se resume àquilo que você quer ser para os outros, em vez de si mesmo.
- Então, Príncipe. - Tomlinson pingaterreou, ajeitando-se no colchão e sinalizando para que Harry se sentasse também. - Sobre o que vieste conversar?
Harry olhou por alguns segundos para a cama como se ponderasse o que deveria fazer, então optou por acomodar-se na poltrona que estava ao lado, cruzando as pernas formalmente.
- Na verdade... - sua voz estava meio fraca e relutante. - Nada específico, eu só...
Sua garganta parecia fechada, ou então as palavras haviam se extinguido em sua mente. Harry balbuciava visivelmente desconcertado.
- Veio para passar o tempo, correto? - Louis concluiu, oferecendo um sorriso gentil. - Fez bem, Lorena já estava para dormir a esse horário, e eu ficaria entediado com minha insônia.
Styles concordou, talvez aliviado por não ter que verbalizar o que pretendia falar.
- Eu também estava. - acrescentou, piscando rápido. - Digo, entediado.
- Os príncipes não quiseram pernoitar nesta quarta? - Louis indagou, desviando sua atenção para a poesia que o próprio Harry deixara em todas as portas. Ele a guardou em uma gaveta, não ousando indagar ao remetente dela o porquê daquilo ou a mensagem que pretendia passar. Era claramente particular.
- Eu estava cansado para recebe-los, de qualquer forma. - Harry deu de ombros, pendendo a cabeça para o lado direito e ignorando o fato de Tomlinson estar mexendo na carta do poema. - Creio que devo te agradecer pelo apoio que.. - forçou uma tosse seca. - Deu a mim, no baile passado.
Louis, que agora o encarava sereno com um sorriso lateral quase preguiçoso, meneeou a cabeça negando veemente.
- De modo algum. Fiz o que achei certo.
- Como sempre. - Styles disse com a voz um pouco debochada, não contendo o revirar de olhos, o qual Tomlinson achou engraçado e optou por tirar o melhor disso.
- Então você vem até o meu aposento para zombar de mim, entendi.
- Prometi a mim mesmo que não o faria, mas você o torna uma missão impossível.
- Eu sou o impossível aqui?
- É uma disputa difícil, confesso.
- Presumo que temos um vencedor indiscutível.
- Você? - Harry acusou, repuxando seus lábios em um sorriso bem-humorado e alegre.
- Não force a amizade, Príncipe Edward. - Tomlinson rebateu. - Sabemos quem venceria entre nós a categoria do 'intragavelismo'.
Por um momento, uma fagulha serpenteou por trás das orbes de esmeraldas. Um brilho quente acendeu-as de modo que se parecessem com faróis, ou com pisca-piscas de natal - a sentença mágica natalina induzindo-as ao espírito de esperança.
Por um momento, Harry se viu engolindo a seco algumas vezes e arregalando os olhos, o choque se evidenciando em sua expressão de espanto, como se houvesse escutado o maior absurdo de sua vida, como se Louis acabasse de xingar verbalmente todos os dogmas eclesiásticos na frente de um papa, como se o segredo das pirâmides egípcias estivesse sendo revelado e acusando extraterrestres de terem ajudado na construção.
Por um momento, tudo pareceu demais.
Perplexo demais.
Impactante demais.
Utópico demais.
A palidez em sua face declarava o suficiente para que Louis enrugasse sua testa em uma expressão confusa, transmitindo um 'o que foi?' diante todo o alvoroço.
Mas antes que formasse palavras para interroga-lo, Harry se adiantou, dizendo em uma voz sobrecarregada, hesitante e trêmula (com insegurança salpicada nas bordas).
- O que quis dizer com isso?
- Com o que?
- É que... Acabou de insinuar que... - Styles ia proferindo claramente desconcertado. - Temos uma amizade.
Tomlinson inclinou a cabeça para a direita, tão confuso quanto antes.
Harry parecia verdadeiramente atordoado.
- Sim, e? - Louis insistiu, aturdido pela incredulidade alheia.
- Nenhum príncipe quis ser meu amigo antes. - Styles segredou, fixando suas pupilas na figura do moreno, nas lagoas azuis, a complexidade exibida naqueles vincos faciais.
- Eles não têm muita culpa por isso, certo? - Tomlinson indagou. Sincero e doloroso.
- Então... por que você quer? Por que q-quer ser meu amigo? - algo ali soava como um grunhido de dor.
Era o gato de rua, abandonado e arisco, que tinha uma ferida ardendo em sua costela, e se sentia ofendido e perdido.
Harry poderia parecer o leopardo predador na pele externa, mas honestamente sempre seria o gato pequeno e frágil sem-teto sob todas aquelas camadas de epiderme, tecidos, veias e órgãos.
Não era o seu corpo que o fazia um humano, e sim sua insegurança. Sua insegurança - bem escondida quase sempre - o trazia a humanidade que o ouro e os diamantes constantemente o tiravam.
- Porque sim. - Louis respondeu, sem relutância ou explicações aprofundadas. Com todo seu jeito firme e decidido. Com toda sua postura de um rei grandioso e maduro. Não vacilando um segundo sequer.
Foi apenas por essa razão que Styles acreditou na sinceridade dele.
Por essa razão que ele se limitou a assentir em concordância com o decreto pouco elaborado do menor.
- Mas me diga, Príncipe Edward, está preparado para a semana seguinte de provas e duelos? - Louis indagou na intenção de descontrai-los.
Harry pareceu tomar algumas lufadas profundas de ar até que se recuperasse e se situasse melhor.
- Honestamente, você deveria se sentir aliviado por não ser o meu adversário em nenhuma das competições, poupa-se de muitas derrotas. - Styles debochou, retomando a pose costumeira. Talvez fosse seu disfarce natural, ou sua barreira.
- Você lembra que eu te derrotei no Esgrima, certo? - Tomlinson lembrou, sorrindo lateralmente de uma forma quase ousada.
Edward arqueou uma das sobrancelhas, contrariado.
- Ainda terei minha revanche, você lamberá a ponta do meu sabre. - Styles proferiu, dando-se conta de algo e imediatamente adquirindo uma expressão aguçada. - No sentido decente, claro.
Louis, no entanto, ignorou a insinuação pervertida e expressou uma feição serena, calma.
- Ficarei honrado de perder para você, então.
- Ah, qual é? Cadê seu orgulho próprio? Não me venha dizer que não ficaria deprimido diante uma derrota.
- Há coisas mais impactantes do que perdas e vitórias em jogos, vossa alteza.
- Jura? Porque para mim não. Não há nada mais prazeroso do que escutar seu adversário reconhecendo o fracasso ao murmurar Touché com aquela indignação azeda nos lábios. - reverberou, piscando anestesiado.
- Talvez você devesse rever seu conceito para felicidade, Príncipe Edward.
- Está a me aborrecer, darling. Não me venha dizer que felicidade significa a ti um casamento estável com a esposa perfeita, uma dupla de filhos em Veneza durante um verão cálido.
- Talvez um reinado promissor e cidadãos satisfeitos seria a minha resposta, mas um casamento estável é algo a se almejar.
Harry torceu o nariz.
- Estabilidade é superestimada. - Styles argumentou. - Tantos e tantos casais cheios de votos de ouro enquanto rugas de tristeza adornam-lhe as faces. Qual é a diversão de um relacionamento sem os obstáculos e quedas no meio?
- Quedas? Você é um apreciador de precipícios? - Louis questionou, aprofundando o assunto que nem mesmo eles direcionavam.
- Talvez eu seja um. - Harry balbuciou, estreitando os olhos verdes, quase inaudível.
Tomlinson fingiu não ter escutado a intensidade da fala, optando por mudar o rumo da conversa.
- Certo, desde que fui criticado assim, me resuma o que é felicidade na sua concepção.
O herdeiro de Malta ponderou por algum tempo, correndo seu olhar sonhador pelo teto com um sorriso arrogante no rosto.
- Creio que uma noite de sereno, sob o céu limpo da Grécia, degustando uma fatia de queijo brie combinada com uma taça de Chardonnay ao som de violinos no fundo e a companhia de algum escritor vitoriano, Yeats provavelmente.
- Para escutar um recital de poesias ao vivo, presumo.
Harry encarou Louis, grandes covinhas presunçosas afundadas em suas bochechas coradas.
- Não, porque eu tenho fetiche com escritores.- confessou rindo, o que imediatamente quebrou a postura austera de Louis e o despertou um arregalar incrédulo das lagoas azuis e uma feição que certamente se traduzia em 'qual é o seu problema de me contar algo do tipo?'.
Mas dos lábios finos de Tomlinson não se escapou sequer uma risada, ele engoliu a diversão e proferiu em um tom sério - porém visivelmente brincando.
- Exigiria que eles narrassem um poema durante o ato?
Assim foi a vez de Styles demonstrar-se espantado. Realmente não esperava que Louis adentrasse na zombaria suja - logo o príncipe mais rígido e soberbo.
- Não. Seria bizarro. E eu provavelmente ficaria assustado. - Harry retrucou atordoado ao imaginar a cena, não se aguentando e fazendo uma careta de nojo engraçada. - Mas, sinceramente, você deveria se inspirar em mim.
- O que diz?
- Felicidade, meu caro. Está colocando-a em um patamar clichê. - Styles discorreu. - População contente, matrimônio perfeito, herdeiros bem sucedidos, reinado pacífico... Essa é a resposta da maioria dos príncipes.
- Bom, é o mais próximo de um futuro ideal que consigo imaginar. - Louis declarou, pensamentos sólidos colidindo em sua cabeça sobre como esses itens estiveram sempre em sua lista mental.
- Não seja assim.
- E por que não?
- Isso é o mais próximo de um futuro medíocre que um jovem rei terá partindo desse ponto. - Styles possuía uma linha de raciocínio que estava se tornando interessante a William, desde que ele era um amante de debates reflexivos. - Você não é uma cabeça com uma coroa, você não é um decreto de uma nova lei, você não é um pretendente a procura da princesa com grandes dotes ou um líder que sorri e promete aos cidadãos um ano próspero. Louis, você é... - as palavras foram se perdendo e diminuindo de volume conforme Harry as pronunciava. Um relâmpago de consciência o atingiu ao notar que chamou o príncipe informalmente pelo primeiro nome. Um relâmpago de consciência o atingiu ao perceber quão confortável se sentia para divagar seu monólogo sincero.
Sinceridade.
Sinceridade. Um termo quase inexistente para Harry, será que ele já foi algum momento completamente sincero quando adicionava sarcasmo e deboche para mascarar suas verdadeiras significações?
- Eu sou...? - Louis instigou, evidentemente curioso e um pouco inquieto sobre aquilo. Sobre o diálogo estranho que eles estavam tendo em plena madrugada.
- Você é mais do que um futuro rei. Você é muito mais.
Havia uma fagulha de ternura sob as gramas de verão, havia um carinho escondido na frase que parecia doce como mel e quente como o sol, e talvez valores ocultos por trás de cada sílaba.
O que importa, honestamente, era que o Príncipe Edward soava verdadeiro e sério como nunca antes, de modo que ele nem estivesse sob a mesma fantasia de todos os dias.
E, como se reparasse nessa transparência involuntária, ele rapidamente engoliu o bolo em sua garganta e qualquer resquício da personalidade gentil, restaurando a armadura à la Harry Styles.
- Bom, resumindo: evite essa coisa patética de querer estabilidade e mesmice. É trágico. - Harry decretou, encenando uma jogada dramática de sua cabeça com um suspiro profundo. - Há tanto a se viver, há tantos vinhos caros em Portugal, ou peças de teatro francesas. Há tantas florestas orientais, e, oh, a moda ocidental! O que quero dizer é, tem muito além de contratos comerciais para se estabelecer com o mundo.
- Você me soa como um libertino bêbado de utopias. Um visionário inspirado em um romance vitoriano idealizando grandezas e se embebedando de delírios existenciais.
- Está me criticando, Príncipe William? - questionou com irritação salpicando em sua voz.
- Pelo contrário. - Louis garantiu, olhando-o no fundo dos olhos para que Harry fosse capaz de agarrar a sinceridade transmitida pelas lagoas azuis. - Eu o invejo. Você consegue ter um olhar leve e colorido da realidade, de tal forma que a maioria de nós não é capaz, vossa alteza. Admiro-o pela concepção espirituosa que estabelece aos menores detalhes, por mais supérfluos que sejam.
Harry piscou algumas vezes desconcertado até se inclinar para frente da poltrona, esticando por instinto seus braços em direção a Louis e apanhando-lhe os pulsos.
Segurava-os suavemente, envolvendo-os as mãos quentes e os dedos longos.
- Eu posso lhe ajudar. - declarou, aparentando um pouco fora de si e perdido em algum eixo paralelo. -Eu posso lhe ajudar a repudiar a sobriedade e apreciar a vida por outros parâmetros, Louis. Se me permitir-
- Não desejo mudar a mim mesmo, vossa alteza. Admiro seu desprendimento intelectual mas-
- Mas, como todos que me julgam, não gostaria de ser como eu, certo? Afinal quem quer ser o príncipe maluco com os pés na lua e o desprezo da família. - Styles murmurou cheio de desdém, entendendo que Louis era no fundo mais um dos que o achavam um e******o que não sabe se portar ou pensar da maneira suposta a um futuro rei. Ele recuou o contato físico e restaurou sua posição original na poltrona.
Louis ignorou sua fala debochada, prosseguindo:
- Mas são poucos os domadores de tal virtude. Você não se torna especial, você nasce especial.
- Eu não sou especial. - Harry imediatamente exclamou baixo, quase tímido e inseguro.
- Você meio que usa camurça às sete da manhã, isso é no mínimo... Peculiar? - Louis acusou rindo levemente, o que provocou uma troca de olhares cúmplices porque o Príncipe William acabara de falar uma frase sem formalidade alguma e ainda recheada de provocação, e aquele sorriso branco e alinhado denunciava o frescor do momento o qual eles estavam mergulhados.
- A camurça é uma peça chave em meu vestuário! - Styles se defendeu divertido, posicionando a mão contra o peito como se estivesse realmente magoado.
- E aquelas luvas de seda na aula de etiqueta em grupo? Foram mesmo necessárias?
- Elas evitaram que minhas mãos tocassem em germes.
- Mas tudo o que fizemos foi aprender a cumprimentar pessoas de modo cordial e educado. Literalmente nos limitamos a acenos e ralo contato físico treinando uns com os outros.
- Exatamente. Tocar em germes. - O cacheado enfatizou, o que certamente foi um comentário m*****o mas naquele instante estava salpicado com humor (humor n***o) e talvez não tenha sido na intenção de inferiorizar os demais príncipes, ao menos foi o que Louis depositou suas esperanças e se limitou a negar com a cabeça. - Sinto que ficou sem argumentos, Príncipe William.
- Bem, nem sequer disse metade. Deveria mencionar que o senhor anda por aí acompanhado de uma bengala com formato de cobra? E literalmente a batizou com um nome?
Harry diminuiu o sorriso ao escutar a frase, transformando sua feição risonha em uma nostálgica, piscando sua ternura enquanto as orbes esverdeadas se prendiam em um ponto fixo do colchão.
- Carolina é especial. Ela tem um significado. - informou tão baixo que soou como um segredo lançado ao relento, não necessariamente na intenção de ser compartilhado, mas um comentário para si próprio que acabou sendo verbalizado.
Tomlinson escutou, embora.
E comovido pelo carinho que Harry esbanjara ao se pronunciar, questionou mais.
- Posso saber qual é? - indagou, sua expressão pura e genuinamente interessada naquilo que Styles guardaria para si até seu túmulo, já que provavelmente a maioria de suas coisas eram confidenciais e ele raramente revelava para qualquer outro.