Virgem aos dezenove anos as partes quentes descrita em meus poemas ou histórias são baseadas nos filmes que assisto. E para ser sincera, não tenho nenhuma experiência com o amor. Ele deixou de ser uma prioridade na minha vida, e as vezes penso que ele jamais foi. Dentro de mim habitava um sentimento que pensava qual era a graça de apostar seus sentimentos e expectativas em um ‘jogo’ como o amor. Sim, sempre vi o amor como um jogo. Você aposta suas fichas e espera a sorte, o destino, ou seja, lá o que for necessário para saber se será feliz ou não. Se você pegar um livro ou for assistir um filme, todos vão passar uma cena de amor perfeito, histórias clichês, uma fácil facilidade em lidar com o amor, caminhos que se cruzam inesperadamente, e o amor se surgi. Mais porque isso foi escrito por alguma pessoa que acredita nos caminhos do amor, ou que passar uma história linda e clichê quando todas as suas foram um caos. Uma forma de fazê-la acreditar que o amor é só flores. Na vida real tudo isso é completamente diferente. E isso que me gera medos, não haverá alguém para excluir um capitulo triste de uma tarde que passei na cama chorando porque alguém partiu meu coração. E como uma boa entendedora no quesito dor de ser abandonada e perder alguém, digo que não sou tão boa assim para lidar com sentimentos ruins, e não quero ter que lidar novamente. Existe uma outra linguagem do amor, e ela não está relacionada na alma, mais no corpo. O que seria do amor se duas pessoas não fossem a loucura na cama? Se não se excitassem apenas em desejar que o outro lhe toque? E parada aqui ao lado de Call enquanto ele coloca a gasolina nessa camionete velha, sinto uma necessidade extrema em encostar meu corpo no dele, de sentir a fortidão da pegada de suas mãos. Será que posso considerar como uma atração física? Para uma pessoa nova nesse tipo de sentimento não sei dizer o que significa.
- Bom, prontinha, está com o bastante para que você chegue até aonde deseja. - Ele me falou sorridente.
- Tudo bem se pagar você no final da semana? - droga. Uma das coisas da vida adulta é ter que se lembrar que a carteira do meu bolso estava vazia, e justo hoje havia me esquecido.
- Você pode me pagar na sexta anoite, se aceitar jantar comigo claro.
Nesse momento, foi um instinto maio que o meu soltando um sorriso bobo, e um aceno de sim. Como se meu subconsciente estivesse me empurrando a viver sem medo, a topar uma companhia. Embora quisesse conversar, o susto de saber que teríamos um encontro me fez agir desesperadamente como constrangida e entrasse na camionete o agradecendo. Foi um momento constrangedor. Estava toda atrapalhada, e ele ficou com uma cara de quem queria rir do meu m*l jeito. Minha vasta experiencia com homens me levava a não saber se deveria lhe dar um abraço em forma de agradecimento, mais aí uma linha i****a me cortou desse momento me fazendo lembrar que ainda tinha que lidar com Ruiz, que saco. Call voltou para o carro dele, e segui viagem tentando me localizar para chegar até a praia. Sempre quando tinha que fazer algo, falar com alguém, me explicar, ou como essa situação, tinha que treinar comigo mesma quais palavras usaria, era uma forma de me preparar. Então ali dirigindo, ensaiava a forma que falaria para Ruiz. ‘oi, falei com meu pai, e felizmente você terá que me aturar’ ‘meu pai autorizou que eu fique aqui, então a partir de hoje também moro nessa casa’ ‘oi vou morar aqui’. Nenhuma parecia ser boa o bastante para que não pareça uma i****a, ou gagueje toda. Ao estacionar a camionete na entrada da mansão, já podia ouvir o som de hip hop completamente alto vindo do interior da casa. Com certeza seria mais uma festinha de orgia que ele estava fazendo. O portão sempre ficava aberto, passava uma imagem como entre, fique à vontade, para qualquer pessoa que estivesse entediada na praia. Subi as escadas chegando frente à porta da sala, respirei fundo por alguns segundos, falando pra mim mesma que estava tudo bem,outra forma de me preparar. Empurrei a porta, e a cena que estava frente aos meus olhos, era uma da qual não havia me preparado tanto. A sala era como uma zona proibida para se usar roupa, as garotas que estavam ali, estavam apenas de calcinha e sutiã, lingeries de renda, e os caras apenas de cueca, havia umas dez pessoas, e os caras eram parecidos com Ruiz, musculosos, tatuados, ao ver aquela cena toda fiquei paralisada frente a porta, havia um casal no sofá se pegando, eles estavam tão bêbados, ou drogados, que não viam m*l em t*****r ali mesmo frente a todos. Ruiz, estava sentado um pouco mais afastado, de cabeça baixa, estava cheirando cocaína, que saco. Ter que lidar com um cara sexualmente ativo, e festeiro já era um cumulo, e agora um viciado. Ele se levantou do sofá e veio andando em minha direção intrigado, com a raiva estampada em seu olhar.
- Que diabos você está fazendo aqui, c*****o? - ele perguntou com a voz firme, fazendo com que todos que estavam ali notassem e levantasse o olhar abaixando o volume do som.
- Essa casa também é minha... e meu pai me mandou para cá goste você ou não. - Até aqui estava sendo firme da maneira com a qual gostaria.
- Que droga Ruiz pega leve com ela, deixa ela se juntar a gente. - Um dos caras de cuecas falou de uma forma ousada, ao acompanhar o olhar de Ruiz, que percebeu que ele estava ficando e******o, fiquei constrangida mais Ruiz ficou desequilibrado.
- Que merda você está de p*u duro? Seu otario.- Ruiz gritou se virando na direção dele.
- E irmãozinho, relaxa, se nunca se incomodou com isso...
- Cala boca e sai daqui poha, e diminui essa merda. - Ruiz falou o intimidando, dando de dedo no rosto do rapaz.
- Ei Ruiz não quero problemas, só quero um lugar para ficar até meu pai retornar, deixa o rapaz de boa... - falei sem saber o que fazer, gaguejando e com o timbre de voz de forma calma. Como se a criança amedrontada que habita em mim estivesse entrando em ação novamente.
- Você está defendendo o cara que está e******o na sua frente? Que merda se você quer um lugar para ficar, fique dentro da droga da sua camionete velha, não venha encher a droga do meu saco com suas dores de garota mimada e abandonada, eu te falei que não era para você voltar aqui, e se você voltou vai-te que aguentar a forma que as coisas são aqui.
Ruiz retornou ao som aumentando o volume e pegando a garrafa de cerveja que estava sobre a mesa de centro da sala. As mulheres estavam com o semblante assustado. Mais os caras retornaram ao normal. Dei meia volta saindo da sala e indo até a camionete com meus olhos escorrendo lagrimas. Abri a porta e me sentei no banco, apenas deixando as lagrimas escorrerem. Uma das partes do luto, é a raiva, e embora a falta que minha mãe me faz seja imensa, a raiva vem tomando conta do meu ser, uma raiva que deposito no mundo por ter me tirado ela. Por ter que estar aqui aturando toda essa situação, tendo que encarar isso sozinha. Quem era esse Ruiz? E por que ele estava me fazendo isso?
Por sorte hoje temos um grande recurso, as redes socias é claro. Mais como a virgem de dezenove anos, também não tinha f*******: ou i********:, qualquer tipo de rede social. Mais talvez estivesse na hora de abrir uma e usar ela ao meu favor. Instalei os aplicativos, e abri uma conta deixando a raiva me guiar. Procurei pelo nome de Ruiz e claro, não só o perfil social dele como diversas ocorrências apareceram relacionadas a ele. Explosões de raiva, agressões, brigas, alta velocidade, acidentes de carro, e assim por diante, uma pessoa com diversos tipos de problemas, infinitas possibilidades de ter uma vida regada de oportunidades, mas ainda assim com a cara enfiada em problemas. Seu perfil social, fotos regadas de bebidas, mulheres, nunca sozinho. Festas de luxo, e assim por diante. Como lidar com alguém que é um babaca em todos os quesitos? Meu instinto de criança amedrontada me leva a pegar minhas coisas na camionete e subir até algum quarto vazio, tomar um banho e simplesmente ignora-lo. A casa é grande, logo meu pai retorna, e pronto. Posso aguentar por alguns dias. Para não ter que olhar para a cara dele, fui pela porta dos fundos, subi as escadas tentando ser o mais quieta possível. E naquele corredor aonde havia me encontrado com ele aquela outra manhã, me sentia nervosa, ao ver tantas portas ali, a única aberta ainda era a que Estefani estava no chão nua, e dormir com a imagem dela na cabeça não seria uma coisa tão boa. Segui tentando abrir porta em porta, algumas estavam trancadas, até chegar em uma que estava aberta, respirei aliviada ao ver a porta se abrindo, com a luz apaga e som estourando na casa, coloquei meu saco de roupas no chão, e tirei meus sapatos respirando aliviada. Até ascender a luz.
- Quer se juntar a nós? - a voz vinha do trisal que usufruía da cama, nus e se pegando de uma que jamais imaginei que era possível.
Respirei decepcionada, e peguei minhas roupas, deixando o quarto. O quarto que estava ao lado, por uma sorte estava vazio. Ufa. Coloquei minhas roupas, e fui direto para o banheiro, tudo o que necessitava era de um banho.