Ao chegar em casa, já me preparava para o que encontraria ao abrir a porta da sala. Stripper, drogas, bebida, quem sabe Ruiz já não tenha transformado a sala em uma boate. Um ponto positivo, era o som estar desligado. Estranho. Ao entrar o mais estranho ainda, ele não estava em casa, a casa estava completamente impecável, sem vestígios de orgias malucas, ufa. Peguei uma garrafa de cerveja que estava no freezer, subi para o quarto, me despi rapidamente, e comecei a encher a banheira. Jamais havia visto, ou entrado em uma antes. A não ser em filmes. E o que me vinha a cabeça, era o quanto inspira a luxo uma cena da mulher cansada, entrando na banheira com uma taça de vinho em mãos. Da pra sentir o arrepio de poder que aquelas mulheres passam. Vinte e cinco minutos na banheira, e uma música relaxante com cerveja bem gelada, tiraram todo o estresse e o cansaço do meu corpo. Fui em direção ao espelho, passei o meu rímel que havia comprado, e me despi do roupão.
De frente ao espelho, admirava a forma perfeita que aquele vestido preto havia se acomodado ao meu corpo. Realçava cada parte de uma forma como se estivesse sido desenhado sobre medida para mim. Passava a mão por ele deslizando, sentindo a sensação do tecido. Por baixo, a calcinha de renda preta que encontrei de última hora na loja de cosméticos que fui complementava tudo, me deixando ainda mais ousada. A empolgação tomava tanta conta do meu ser, que me levou a descer as escadas e pegar mais uma cerveja. Não era acostumada a beber, mas nas noites de sexta, o programa preferido da minha mãe, era cerveja, pipoca e novela. Um hábito que ela amava, se tornou um habito meu também. Tomar cerveja, é como se a cada gole, pudesse ver ela, sorrindo, falando dos atores das novelas, ou o como todas rodam em um clichê interminável. Diferente de mim ela amava clichês. O problema não é o clichê, mais sim a sensação de saber exatamente o que irá acontecer nos primeiros cinco minutos de qualquer coisa que haja clichês. Isso tira toda a emoção de cada descoberta, do suspense, da sensação de querer tentar adivinhar.
Com o batom vermelho já nos lábios, marcando o gargalho da garrafa de cerveja, me olhava respirando fundo, olhava no fundo dos meus olhos dizendo a mim mesma que tudo ocorreria bem. O único problema, não havia um único sapato que ficaria bom com a minha roupa, tudo estava tão perfeito que não queria estragar com uma bota de salto velhos. Em um minuto eufórico, acreditava que tudo valia a pena para essa noite ser incrível. Desci as escadas apressada, me lembrava de hoje de manhã ter visto um molho de chaves sobre a bancada da cozinha, me dirigi até elas, as segurando nas mãos e rindo com medo do que estava prestes a fazer. Voltei ao corredor dos quartos e analisei cada porta apreciando os detalhes como se fosse um jogo de adivinhações, uma das portas tinha um detalhe, como uma fita dourada que as outras não tinha, deduzi que ali estava o grande quarto de meu pai e sua temida mulher Sara. Testei as chaves ansiosa, até ouvir o barulho da trinca sendo aberta, girei a maçaneta, e o cheiro que exalou foi como estar em um campo de rosas perfumada, caramba. O quarto dos sonhos de qualquer pessoa, luminárias imensas completamente luxuosas, junto com edredom branco, diversas almofadas pensadas totalmente na cor que combinaria com todo o designer do quarto, por mais que parecesse impossível mais a vista que havia na parede de vidro, era ainda mais bonita do que as do quarto do outro lado. Uma parede branca, como que falsa escondia o que tanto procurava, o closet dela. Como já era esperado, prateleiras de bolsas caras, de marca, roupas que com certeza seria necessário um evento luxuoso por semana para que pudesse usar todas em um ano. E a mina de ouros, a prateleira com os saltos mais delicados, que provavelmente custariam, uma fortuna. Mais ninguém iria imaginar que havia usado um deles. Ruiz não olharia ou reconheceria, e eles não estão aqui, então que m*l tem em passar essa noite desfilando sobre um salto de corrente de brilhos prata? Que por ironia fica perfeito em meus pês.
Cuidadosamente, deixei tudo no devido lugar e sai da li levando as chaves aonde as encontrei. Andar de salto não é uma das coisas que sou tão boa, mas disfarça é um dos meus grandes talentos. Já beiravam as dezoito e meia, acabei de pentear meus cabelos, e desci para aguardar Call na frente da mansão. Obviamente ele se atrasaria, é isso o que todos os homens fazem com a ideia maluca que deixar uma mulher espera gera mais desejo. Porém não estamos em um clichê, e ele chegou pontualmente as dezenove, com uma tulipa branca em mãos, me comprimento com um beijo no rosto e um ´´uau´´. O carro dele era um carro simples, mais com um som perfeito que tocava uma música lenta, durante o caminho, ele foi me mostrando os pontos da cidade, contando as histórias do lugar, e até de pessoas. Como se quisesse me familiarizar com o local. olhar pra animação dele ao me contar os detalhes sorridente me aquecia o peito. O restaurante não era tão da forma que esperava, era muito mais elegante do que estava preparada, trazia um ar vintage, porem romântico, com detalhes em madeira, luzes mais escuras, que confesso, faziam um clima quente. Inclusive havia velas, verdadeiras e de enfeite. Minha reação era sorrir, completamente encantada. Nos sentamos na mesa que ele havia reservado, e um dos garçons trajados de terno se aproximou com uma garrafa de champanhe, que detalhadamente call havia pedido para que fosse reservada, e deixada gelar. A os detalhes, exatamente o componente chave que leva duas pessoas a se apaixonarem, ou se separarem, depende da forma com que ele está presente no relacionamento. Mais os detalhes, são exatamente tudo, e pensar que em pleno o século vinte e um a homens que se preocupam com os detalhes.
- Então me conta como está sendo a moradia, o serviço, a vida em Sidney? - call me perguntou me deixando totalmente nervosa, será que eu lhe contava sobre as bizarrices do meu irmão, ou era demais para um primeiro encontro?
- Bom, tenho melhorado a cada dia, estou à espera de meu pai, mais pretendo em breve me mudar para um apartamento só meu, tenho amado as vistas desse lugar incrível, e meu emprego tem sido ótimo para um primeiro emprego.
- Fico feliz. Desculpa a pergunta, por que veio para cá mesmo?
- Minha mãe faleceu por conta de um tumor, não tenho mais ninguém, apenas meu pai e uma casa endividada em Blue Mountains .
- Lamento pela sua mãe, mas meu pai é um grande especialista em casas e dividas, talvez ele possa te ajudar, podemos ir ver a casa avaliar uma forma de quitar as dívidas, vender... - o que obviamente precisava ouvir para melhorar ainda mais aquela noite.
Ter a ajuda de alguém que entenda sobre o assunto vai ser ótimo. Pedimos nosso jantar, e passamos horas conversando, conforme os minutos iam se passando era como se aumentasse ainda mais nossa i********e nos levando a um nível de parecer que nos conhecemos a anos um rindo da piada do outro, das histórias de filmes, dos livros mais fodas, a personalidade de um complementava a do outro. Estar ali com ele, estava sendo as melhores horas deis de que minha mãe ficou doente. Todas as preocupações eram mínimas. O que me encantava no Call, era a forma com que ele conduzia as conversas, como se não precisasse saber absolutamente nada sobre mim, como se tudo o que lhe importasse sobre uma pessoa era a versão que estava diante de seus olhos, sem segredos do passado, sem lado sombrio, sem pensar no que a pessoa gosta. Isso tornava tudo poético. A maior verdade que sabemos é que apenas conhecemos as pessoas verdadeiramente por meio da convivência, então por que nos enganarmos com as versões mentirosas?