Um convite silencioso
Um abismo
Respiro fundo, segurando o pingente que Aleksandr me deu — o único que sobrou — e entro.
O interior do carro cheira a couro novo e ao mesmo perfume amadeirado de Volkov. Ele não está lá.
Em seu lugar, um motorista de rosto impenetrável apenas acena com a cabeça e arranca antes mesmo de eu fechar a porta.
— Para onde estão me levando? — pergunto, minha voz falhando.
— Para a verdade, senhorita — o homem responde, sem desviar os olhos do retrovisor.
Cruzamos a cidade em silêncio, deixando para trás o brilho comercial e entrando em uma área de mansões protegidas por muros altos e câmeras de vigilância.
Conforme o cenário lá fora vai mudando o meu medo vai aumentando.
💭 Afinal de contas, oque eu estou fazendo aqui ? Como eu posso simplesmente atender ao convite de um desconhecido.
O carro para em frente a uma propriedade de arquitetura clássica, de frente para o Rio Moscou. Local esses onde só os mais magnatas tem o poder de pisar.
O motorista abre a porta para mim e aponta para a entrada principal. As luzes estão baixas traz um ar de elegância e mistério.
Subo os degraus de mármore e, antes que eu possa bater, a porta se abre.
Ivan Volkov está de pé no grande hall, sem o terno de antes, apenas com uma camisa preta de botões abertos no pescoço.
💭 Que homem é esse?
Ele segura um envelope pardo e parece realmente surpreso com minha presença alí.
— Você veio — ele diz, com um tom que flutua entre a admiração e o aviso. — Corajosa. Ou talvez apenas desesperada.
— Quem é você? — disparo, as palavras saindo como tiros. — Como sabe meu nome? E por que tem a mesma marca que... que ele?
Volkov caminha até uma mesa lateral e joga o envelope sobre ela.
— Aleksandr não era quem você pensava, Anastácia. Ele não era um simples "homem de negócios" que teve azar. Ele era uma peça em um tabuleiro muito maior. E as peças não morrem por acidente.
Sinto o chão sumir sob meus pés.
— Eu vi o corpo dele. Eu estava no funeral! — grito, as lágrimas começando a queimar meus olhos. Por um instante pensei se minhas amigas realmente estavam certas.
Volkov dá um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. Ele estende o envelope.
De verdade não sei se devo pegar. Não sei se estou preocupada para oque possa ter ali.
— Você viu o que eles queriam que você visse. Abra.
O Conteúdo do Envelope pode ser minha salvação ou minha ruína total.
Paro, penso e enfim tomo coragem ou amenos finjo a mim mesma. Pego o mesmo e o encaro antes de tomar a decisão de abrir.
Com as mãos trêmulas, rompo o lacre. Dentro, há fotos granuladas, tiradas de longa distância. Nelas, um homem caminha por um aeroporto em Dubai. O rosto está parcialmente coberto por óculos escuros, mas o perfil, o jeito de andar, a forma como ele inclina a cabeça ao falar ao telefone...
É ele. É o Aleksandr. E a foto tem a data de três dias atrás.
— Ele está vivo? — sussurro, sentindo um misto de esperança agonizante e uma raiva que começa a ferver no meu sangue.
— Vivo, sob p******o e trabalhando para as pessoas que quase mataram você junto com ele — Volkov responde, sua voz fria como o aço russa.
— Agora você tem uma escolha, Anastácia. Pode voltar para o seu hotel e continuar limpando o lixo dos magnatas, ou pode me ajudar a derrubar o homem que transformou sua vida em um funeral de mentiras.
Olho para a foto uma última vez. O homem que eu amei, o homem por quem chorei todas as noites, estava em uma praia ensolarada enquanto eu me afogava no inverno de Moscou.
Fecho o envelope e olho nos olhos de vidro de Volkov.
— O que eu preciso fazer?
A pergunta veio junto a um turbilhão de mágoas.
💭 Ele se quer se importou. Ele me deixou aqui para morrer.
Soltou um longo suspiro e olho aqueles olhos de aço a minha frente.