Capítulo 4: A verdade

701 Words
Um convite silencioso Um abismo Respiro fundo, segurando o pingente que Aleksandr me deu — o único que sobrou — e entro. O interior do carro cheira a couro novo e ao mesmo perfume amadeirado de Volkov. Ele não está lá. Em seu lugar, um motorista de rosto impenetrável apenas acena com a cabeça e arranca antes mesmo de eu fechar a porta. — Para onde estão me levando? — pergunto, minha voz falhando. — Para a verdade, senhorita — o homem responde, sem desviar os olhos do retrovisor. Cruzamos a cidade em silêncio, deixando para trás o brilho comercial e entrando em uma área de mansões protegidas por muros altos e câmeras de vigilância. Conforme o cenário lá fora vai mudando o meu medo vai aumentando. 💭 Afinal de contas, oque eu estou fazendo aqui ? Como eu posso simplesmente atender ao convite de um desconhecido. O carro para em frente a uma propriedade de arquitetura clássica, de frente para o Rio Moscou. Local esses onde só os mais magnatas tem o poder de pisar. O motorista abre a porta para mim e aponta para a entrada principal. As luzes estão baixas traz um ar de elegância e mistério. Subo os degraus de mármore e, antes que eu possa bater, a porta se abre. Ivan Volkov está de pé no grande hall, sem o terno de antes, apenas com uma camisa preta de botões abertos no pescoço. 💭 Que homem é esse? Ele segura um envelope pardo e parece realmente surpreso com minha presença alí. — Você veio — ele diz, com um tom que flutua entre a admiração e o aviso. — Corajosa. Ou talvez apenas desesperada. — Quem é você? — disparo, as palavras saindo como tiros. — Como sabe meu nome? E por que tem a mesma marca que... que ele? Volkov caminha até uma mesa lateral e joga o envelope sobre ela. — Aleksandr não era quem você pensava, Anastácia. Ele não era um simples "homem de negócios" que teve azar. Ele era uma peça em um tabuleiro muito maior. E as peças não morrem por acidente. Sinto o chão sumir sob meus pés. — Eu vi o corpo dele. Eu estava no funeral! — grito, as lágrimas começando a queimar meus olhos. Por um instante pensei se minhas amigas realmente estavam certas. Volkov dá um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. Ele estende o envelope. De verdade não sei se devo pegar. Não sei se estou preocupada para oque possa ter ali. — Você viu o que eles queriam que você visse. Abra. O Conteúdo do Envelope pode ser minha salvação ou minha ruína total. Paro, penso e enfim tomo coragem ou amenos finjo a mim mesma. Pego o mesmo e o encaro antes de tomar a decisão de abrir. Com as mãos trêmulas, rompo o lacre. Dentro, há fotos granuladas, tiradas de longa distância. Nelas, um homem caminha por um aeroporto em Dubai. O rosto está parcialmente coberto por óculos escuros, mas o perfil, o jeito de andar, a forma como ele inclina a cabeça ao falar ao telefone... É ele. É o Aleksandr. E a foto tem a data de três dias atrás. — Ele está vivo? — sussurro, sentindo um misto de esperança agonizante e uma raiva que começa a ferver no meu sangue. — Vivo, sob p******o e trabalhando para as pessoas que quase mataram você junto com ele — Volkov responde, sua voz fria como o aço russa. — Agora você tem uma escolha, Anastácia. Pode voltar para o seu hotel e continuar limpando o lixo dos magnatas, ou pode me ajudar a derrubar o homem que transformou sua vida em um funeral de mentiras. Olho para a foto uma última vez. O homem que eu amei, o homem por quem chorei todas as noites, estava em uma praia ensolarada enquanto eu me afogava no inverno de Moscou. Fecho o envelope e olho nos olhos de vidro de Volkov. — O que eu preciso fazer? A pergunta veio junto a um turbilhão de mágoas. 💭 Ele se quer se importou. Ele me deixou aqui para morrer. Soltou um longo suspiro e olho aqueles olhos de aço a minha frente.
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