Podia ser estranho, mas, assim como ela estava agindo como se já o conhecesse a séculos, Edward tinha que admitir que estava quase começando a se sentir da mesma forma.
Na verdade, ele já gostava bastante de sua nova irmã.
Bella, alheia ao que se passava na mente da minúscula vampira, apenas olhou confusa para a mochila que havia trazido – Hmmm... Eu não tenho muitas roupas, na verdade.
- Mas terá. – Alice deu um sorriso cintilante que mostrou todos os seus dentes, preferindo manter aquele assunto em segredo por enquanto, conforme eles rapidamente avançavam pelo resto da casa ampla e bem iluminada, pegando os detalhes apenas pelo canto de olho – Terão tempo de sobra para conhecerem tudo antes de nos mudarmos. Meu quarto é logo ali, assim como o quarto de Emmett e Rosalie e o escritório de Carlisle... – ela informou-os displicentemente, enquanto os vazia avançar através do corredor na velocidade de um raio, antes de finalmente parar na última porta do corredor – E, finalmente, aqui estamos. Vocês vão precisar de um momento a sós. – ela informou, bastante convicta, enquanto sua mente se referiu apenas a Edward, E nós seis precisamos de um momento em família, antes de nos tornarmos oito. Eu sei que Rosalie pode ser um pouco incômoda quando quer, mas é apenas porque ela não gosta muito de mudanças. Logo todos seremos irmãos, você vai ver, ela prometeu solenemente, antes de dar uma piscadinha marota – Nos vemos logo. – e com isso, ela correu para longe, deixando-os sozinhos diante da porta, enquanto Bella piscou, surpresa.
- Uau. – foi tudo o que ela conseguiu expressar, o que o fez rir.
- Sim. Alice é certamente uma força da natureza. – curioso, ele colocou a mão na maçaneta, enquanto acariciava o ombro dela com a outra. – Vamos ver o que ela reservou para nós, então.
E, de fato, como Alice prometera, o quarto era simplesmente fantástico. Do jeito que estava decorado, parecia um pouco mais com um escritório espaçoso ou uma sala de estar pessoal. Ainda assim, ele estranhamente podia ver um pouco de si mesmo e de Bella ali: nas estantes repletas de livros até próximo ao teto, no belo piano em cauda que ocupava boa parte da parede sul do cômodo, os tons pastéis aconchegantes e a madeira escura... De fato, aquele quarto parecia ter sido feito para eles.
- É lindo! – Bella sorriu, admirada, puxando a mão dele para que os dois pudessem entrar, enquanto ela corria os olhos ao redor – É facilmente o quarto mais bonito que já vi. Bem, a casa como um todo, na verdade.
- Eu fico feliz. – ele sorriu, abraçando-a por trás para poder descansar o queixo em seu ombro – E tenho certeza que Esme também ficará. Tenho quase absoluta certeza de que foi ela quem projetou e decorou tudo isso, se o que vi em suas memórias for uma pista.
- Ela é fantástica. – seu sorrio impressionado se tornou um ofego quando ele beijou seu pescoço.
- Você... Gostou deles? – ele não pode evitar lhe perguntar aquilo cautelosamente; por mais que ele tivesse quase certeza de que a resposta seria positiva, ainda assim estava desesperado por ouvir o que ela estava pensando, como sempre.
- É claro. – ela sorriu – Eles são incríveis.
- Obrigado, Bella. – a voz de Emmett, vinda do andar baixo, soou alta e clara para os dois, enquanto os demais vampiros da casa se encaminhavam para fora dela, aparentemente como discutir, ou melhor, ouvir Rosalie discutir, como Alice avisara.
- A audição de vampiro nunca me ajuda de verdade. – Bella resmungou, aparentemente envergonhada por seu elogio ter sido ouvido, antes de dar um sorriso tenso – Bem, agora que vamos viver com outros três casais, acho que vou ter que me acostumar, certo?
Preocupado, Edward ergueu a cabeça para poder olhá-la melhor nos olhos, sem entender qual o motivo de sua tensão. Ela não gostava da ideia de morarem ali? Algo a incomodara? Ela parecera sincera quando elogiara sua família, então... O que havia de errado?
- O que está incomodando você? – ele colocou os lábios contra a pele dela, moldando as palavras em seu pescoço sem realmente fala-las, para que ela pudesse se sentir confortável em responde-lo enquanto os outros vampiros ainda estavam por perto.
Rapidamente, os olhos preocupados se desviaram para ele algumas vezes, enquanto ela mordia o lábio, temerosa, antes de finalmente deixar o escudo que cobria seus pensamentos cair, com a lembrança da cena de minutos atrás focada em um ponto muito específico.
É impressão minha ou... Rosalie não gostou muito de nós?, Bella recordou o olhar claramente irritado e os bufos nada sutis. Eu fiz alguma coisa errada? Não queria incomodar e...
Ele rapidamente começou a balançar a cabeça, interrompendo a torrente de pensamentos dela. Infelizmente, não pode conter também a de Rosalie, que, mesmo a alguns quilômetros floresta adentro, reunida ao redor dos demais Cullen e pronta começar uma discussão, parecia ter a mente raivosa mais audível do que nunca.
- Então é isso? – a vampira perguntou, sua mente sem qualquer preocupação se já haviam se afastado o suficiente para que eles não pudessem mais ouvi-la – Vamos simplesmente deixar que eles cheguem e se instalem? Simples assim?
- Vocês me deixaram fazer isso. – Alice apontou, com um suspiro já exausto; ela já sabia exatamente quais argumentos Rosalie usaria e já estava farta de todos eles, especialmente sabendo que, no futuro, ela acabaria aceitando a presença de Edward e Bella, mesmo que a contra gosta. Tudo o que Alice queria era avançar direto para aquele momento.
Uma pena que Rosalie tivesse outros planos.
Ao ouvir a confirmação de seus temores, a expressão de Bella tornou-se triste e preocupada, fazendo Edward rapidamente abraça-la para consolá-la.
- Não se preocupe, amor. – ele beijou sua testa – Não é nada sobre você ou eu. Rosalie tem uma personalidade difícil. – ele novamente moldou os lábios contra o pescoço dela, para não emitir som – E uma mente pior ainda, devo dizer.
Como se tivesse sido invocada ao som de seu nome, Rosalie voltou a argumentar ao longe, cada vez mais irritada.
- Você sabe muito bem que é diferente, Alice! – ela rosnou – Estamos em risco com eles aqui! E se Charlie Swan decidir voltar a caminhar por aqui à procura de pistas da filha e vê-la? Aliás, o que nos garante que ela mesma não vai tentar procura-lo? Ela é jovem e impetuosa. Não podemos ter certeza de nada.
- Por isso vamos nos mudar mais cedo. – Carlisle esclareceu gentilmente.
- Ótimo, vamos remodelar nossa vida completamente em prol de dois estranhos. – seu rosnado aumentou.
- Edward não é um estranho, Rosalie. – Esme argumentou, colocando as mãos sobre o peito – Ele é nosso filho tanto quanto você.
- Ah, é? Então porque o aclamado e perfeito Edward Cullen foi embora, em primeiro lugar? – Rosalie desafiou – Nunca nos falaram sobre isso. Se vocês três se amam tanto, porque não ficaram juntos desde o início, então?
- Edward merecia viver sua própria vida. O fato de eu ser o criador dele não significa que ele era obrigado a estar sempre conosco. Por isso ele se foi por algum tempo. – sempre um cavalheiro, Carlisle manteve sua fala neutra, anulando boa parte da verdade, não apenas porque sabia que Rosalie reagiria ainda pior se soubesse quais tinham sido os motivos de Edward para partir, mas principalmente porque não queria se sentir como se estivesse maldizendo o nome do filho, fofocando sobre ele pelas costas.
- Foi embora por quase um século? Ele deve ter vivido bem a vida, hã? – ela riu amargamente – E agora voltou para cá para que pudéssemos dar uma casa a ele, depois dos anos de farra?
- Não fale assim, Rosalie. – Esme pediu – Edward não é assim. Eu o conheço. Vi nos olhos dele como ele deve ter sofrido durante todos esses anos. Por favor, compreenda que nós o amamos e apenas queremos que ele e a sua parceira façam parte da nossa família.
- Eles já fazem. – Alice acrescentou, dando de ombros – E você vai nos poupar muito tempo se simplesmente aceitar isso logo, Rose.
- Como pode falar assim comigo? – ela grunhiu para a irmã – Eu estou apenas preocupada conosco. Preocupada com quem estamos acolhendo e colocando dentro da nossa casa.
- Nós conhecemos Edward. – Carlisle sorriu – Eu colocaria minha mão no fogo por ele. E, se ele e Bella querem fazer parte da nossa família, nada me faria mais feliz. Dê algum tempo ao tempo, Rosalie. Logo vai amá-los também.
A risada furiosa e incrédula de Rosalie foi a última coisa que eles dois puderam ouvir, antes que os Cullen fossem para mais longe dentro da floresta que rodeava a casa, o som se perdendo diante do uivo forte do vento lá fora. Sem dúvida, sua nova "irmã" ainda teria diversos outros argumentos vazios como aqueles, mas Edward tinha certeza que o resto dos Cullen não seriam contaminados por sua opinião. É claro, ainda havia uma parte dele que tendia a concordar com suas opiniões sobre ele mesmo, mas saber que grande parte daquele julgamento dela nascia simplesmente de um ego inflado e um ciúme bobo, o mantinha resguardado de se sentir ferido pelo julgamento de Rosalie Cullen. Sem contar o fato do quanto ela estava sendo desnecessariamente maldosa com Bella, comparando a aparência das duas como se isso a fizesse superior de alguma maneira.
Era bom que Rosalie não gostasse dele, porque o sentimento era completamente mútuo.
Oh, não., Bella suspirou pesarosamente em sua mente. O que faremos agora, Edward? Será que há algo que possamos fazer para que ela não pense tão m*l de nós?
- Dificilmente, amor. – ele suspirou, enquanto descia as mãos para acariciar seu quadril – Mas não se preocupe com isso. Rosalie é simplesmente egocêntrica e está com ciúmes da atenção que estamos recebendo por sermos recém-chegados. – ele riu, com um toque de deboche – Todo o resto são apenas justificativas vazias. Alice está certa, tenho certeza de que em pouco tempo ela vai se acostumar com a nossa presença e nos deixar em paz.
- Mas... Não acha que deveríamos...
- Ela não é importante, amor. – ele colocou as mãos em seus ombros e a virou para si, beijando levemente seus lábios antes de continuar – Tudo o que importa é: Você acha que pode ser feliz aqui, com eles?
Por um segundo, Bella apenas permaneceu paralisada, aquela expressão vazia de deslumbramento tomando sua expressão enquanto o escudo sobre sua mente descia novamente, antes que um grande e lindo sorriso se espalhasse por seu rosto.
- Se você estiver comigo, eu posso ser feliz em qualquer lugar. – ela passou os braços por seu pescoço, aproximando seus rostos.
Sorrindo amorosamente, ele tomou algum tempo apenas para olhar seu doce rosto estonteante, seu coração gelado cheio de esperanças de que ela realmente pudesse encontrar a felicidade que merecia ali, com os Cullen, ao lado dele... Foi quando um pensamento lhe ocorreu.
- Alice nos deu algum tempo a sós... – ele riu ao ver os olhos dela se iluminarem com lascívia – O que acha de irmos procurar seu pai? Acredito que ele já deve estar em casa nesse final de tarde, correto? – Charlie havia voltado a trabalhar a algum tempo, avançando aos poucos na terapia, mas ainda assim avançando, para a felicidade de Bella e de seus psiquiatras.
A reação de sua parceira, contudo, não foi o que ele esperava. Bella arregalou os olhos e sua expressão tornou-se lívida, quase desesperada, enquanto ela engolia em seco. Repentinamente, ela desviou os olhos dos dele, correndo-os freneticamente pelo quarto enquanto gaguejava.
- Hã, eu... Talvez seja melhor não. – ela mordeu o lábio, ainda sem olhá-lo nos olhos, claramente nervosa – Não queremos dar mais um motivo para Rosalie não gostar de nós, não é? E eu tenho certeza de que irmos ver meu pai, mesmo que de longe, não vai ajudar com isso. – sua risada tensa não soou nem um pouco natural.
- Bella, o que há de errado? – ele a questionou, preocupado.
- Nada. – ela engoliu em seco, fitando-o por apenas um segundo antes de desviar os olhos apreensivos novamente – Eu... Eu apenas acho que agora não é o momento correto, só isso.
- Amor, se está aflita por algum motivo, pode me dizer... – ele começou a acariciar seu rosto, mas ela rapidamente balançou a cabeça, interrompendo-o.
- Está tudo bem, juro. – ela deu um sorriso tenso, antes que seu olhar frenético encontrasse o piano no canto do quarto e ela acenasse em sua direção – Olhe só, parece que finalmente vamos ter uma oportunidade de você tocar para mim. Certo?
Preocupado, ele apenas a encarou por alguns segundos, perguntando-se o que havia em sua mente silenciosa naquele momento que ela não queria compartilhar com ele. Contudo, conforme ela o olhou por sob os cílios, os olhos cor de âmbar quase suplicantes para que ele não insistisse naquele assunto, Edward suspirou, sabendo que provavelmente ela precisaria de alguns momentos sozinha com seus próprios pensamentos, antes de compartilhá-los com ele. Dando um sorriso gentil, ele tomou a mão dela e a levou até o piano, sentando-a em seu colo antes de beijar sua bochecha carinhosamente.
- Posso lhe mostrar uma coisa? – ele perguntou, enquanto seus lábios desciam para o pescoço dela – Tenho construído essa melodia desde os primeiros dias em que conheci você.
- Sério? – ela pareceu surpresa, o deleite substituindo a agitação em seu olhar – Como é?
Sorriso contente diante do óbvio encantamento dela, Edward pousou os dedos sobre as teclas do piano bem afinado e trouxe à vida a melodia que até então só existia em sua mente. Para sua alegria, soava tão bem no plano físico quanto ele imaginara e, usando as notas suaves, ele contou a história de um lugar habitado apenas por sombras, onde a escuridão se impregnava cada vez mais, tornando-os um só... Até que um dia o lugar foi tomado pela mais forte e bela das luzes, tão preciosa que, durante algum tempo, tudo o que ele conseguiu fazer foi temer que ela se fosse. Afinal, porque algo tão gloriosamente luminoso iria querer permanecer ao lado de tamanha escuridão? Mesmo assim, a luz continuou lá, enchendo aquele lugar estéril de claridade e esperança, até que finalmente... Ele compreendeu que ela permaneceria com ele. Que ela o havia escolhido e que seguiria presenteando-o com sua presença e com sua luz para sempre. Pois ela o amava: assim como ele a amara desde o início. E, finalmente, enquanto a última e mais jubilosa nota soou no ar ao redor deles, juntos, a luz e a escuridão se tornaram um só. Para toda a eternidade.
Por fim, quando a nota morreu e o silêncio pairou entre os dois, ele finalmente voltou os olhos para ela, ficando surpreso ao vê-la com uma expressão lívida e trêmula... Até que um grande sorriso vacilante se espalhou por seu rosto e ela soluçou, parecendo que estaria em prantos, se isso fosse possível.
- Ah, Edward. – seu arfar instável era nada mais do que extasiado - É simplesmente incrível...
- É claro que é. Afinal, é sobre você. – ele sorriu, sabendo que toda a profundidade de seu amor estava se mostrando em sua expressão, e a abraçou com mais força - Não tinha como ser diferente.
Ela riu sem fôlego e simplesmente o encarou apaixonadamente por alguns instantes, os olhos brilhantes carregados com tanto amor que o peito dele se apertou de necessidade. Por seu corpo, por seu amor, por ela inteira. Gentilmente, ele moveu o corpo dela de maneira que suas pernas abraçassem seu quadril e eles estivessem frente a frente, com os s***s dela pressionados contra seu peito e as bocas quase se tocando.
- Sabe... – ele ronronou, movendo as mãos sugestivamente pelo quadris dela, descendo até as coxas – Acho que agora sei porque Alice viu que poderíamos aproveitar um momento a sós. – um sorriso malicioso se espalhou pelo rosto dele conforme Bella lambia os lábios, parecendo tão sedenta quanto ele. E, depois de repentinamente erguer as mãos e rasgar a camisa e a jaqueta para fora do peito dele, Bella arfou apenas uma última frase.
- Espero que Rosalie tenha muito do que reclamar.