Era tão terrivelmente óbvio que ele deveria ter retornado antes, - tão aparente que pessoas tão fantásticas e amorosas quanto Carlisle e Esme jamais seriam capazes de oferecer-lhe nada além de perdão - que a culpa de tê-los feito sofrer com sua ausência por tanto tempo o sufocou por um momento.
- Que bom que você está aqui agora. – a potência dos sentimentos que o tomavam era tão grande que, por um momento, ele pensou que Bella estava falando com ele, até se dar conta de que ela sorria para Alice – Vocês podem nos levar até eles agora mesmo, não é? – ainda sorrindo linda e esperançosamente, Bella tomou sua mão e deu-lhe um aperto encorajador.
- Sim, certamente. – Jasper pigarreou e Edward observou, curioso, como a onda de remorso que o tomara havia interagido com o dom dele: aparentemente, seus poderes de empatia o permitiam não apenas controlar emoções alheias, mas também senti-las como se fossem as suas próprias, o que, conforme Edward percebeu, podia ser bastante desconfortável quando se trava de sentimentos negativos. Assim como o dom de Alice, era fascinante observar como Jasper manipulava as emoções no formato de ondas, até finalmente enviar nada além de saudades na direção dele, a fim de tudo o que sobrasse em Edward fosse apenas ansiedade para rever Carlisle e Esme. Sentir o sentimento toma-lo, contudo, era, além de interessante, também um pouco incômodo, ele tinha de admitir, ainda mais tendo a perfeita ciência de que estava sendo manipulado.
Todavia, nem mesmo isso foi capaz de impedir que ele se sentisse desesperado para rever seus pais – e ele sabia que grande parte daquele sentimento não vinha apenas dos poderes de Jasper.
- Nossa casa fica mais ao leste, em uma campina. – Alice sinalizou, com sua mente estranhamente ocupada cantarolando o hino da Armênia em espanhol por nenhuma razão aparente; aquela estratégia para bloqueá-lo de sua mente estava realmente começando a exaspera-lo um pouco – Perto o suficiente da cidade para não levantar suspeitas e longe o suficiente para nos permitir alguma liberdade. Vocês vão adorar. – seu tom não tinha nem sequer um único traço de dúvida quando ela pegou a mão de Jasper e começou a correr.
Com um último olhar para o rosto repleto de expectativa de Bella, que ele sabia que devia estar refletindo o dele próprio, Edward pôs-se a correr por entre as árvores atrás dos dois vampiros. Para sua surpresa, antes mesmo que a ansiedade em seu peito pudesse crescer conforme os pensamentos frenéticos em sua mente se proliferavam, ele se viu diante de uma pequena campina, exatamente como Alice descrevera, onde seis grandes cedros emolduravam uma linda e grande casa, com arquitetura moderna e paredes de vidro, de onde quatro vozes mentais, distraídas e tranquilas, vinham.
Uma mulher que não era Esme – Rosalie, ele supôs – estava na garagem, pensando em quais melhorias ainda poderia fazer em sua amada BMW, enquanto que um homem – o companheiro dela, Emmett, provavelmente – estava completamente concentrado em organizar vários tabuleiros de xadrez em fileira, refletindo sobre qual estratégia poderia utilizar para vencer Jasper naquele complicado jogo que os dois tinham criado.
Todavia, todas aquelas novas vozes mentais foram imediatamente deixadas de lado quando ele reconheceu as duas vozes que estavam concentradas em seus afazeres, no que pareciam ser cômodos relativamente próximos. Esme avaliava, concentrada, uma planta muito elaborada do que parecia ser um pequeno chalé, enquanto Carlisle avaliava algumas propostas de trabalho que recebera em diferentes estados, pensando como era uma pena que não houvessem mais lugares tão climaticamente práticos ao longo do país como Forks, de onde eles já tinham decidido partir no final daquele ano, quando as "crianças" Cullen terminariam o Ensino Médio.
Finalmente! Ele m*l teve tempo de registrar o eufórico grito mental de Alice e sua visão sutil sobre a mudança no vento, antes que a brisa mudasse suavemente, lançando o cheiro dos quatro para dentro da casa bem arejada, paralisando os vampiros que ali estavam.
Esse cheiro..., Carlisle pensou, em choque, Será mesmo possível? Depois de tanto tempo...
Edward!, foi o único e errático pensamento de Esme antes que ela se lançasse para fora da casa, aparecendo diante deles em um átimo, talvez na velocidade mais rápida que ele já vira um vampiro utilizar em toda a sua vida.
Meu filho!, ele a ouviu chorar em sua mente antes de se lançar sobre ele, abraçando-o com tanta força que ele teve a impressão de que ela estava com medo de que ele desaparecesse. Meu querido, você voltou para nós... Sentimos tanto a sua falta... A indescritível felicidade e o infinito alívio nos pensamentos dela o fizeram ofegar, o ardor em seus olhos denunciando que ele estaria aos prantos, se isso fosse possível.
- Eu também senti sua falta, mãe. – Edward fungou, retribuindo seu abraço com igual emoção, deixando-se envolver pelo sentimento calmante e familiar de estar com sua mãe novamente: a doce sensação de estar de volta ao lar.
Edward! É realmente ele!
O pensamento eufórico de Carlisle o precedeu por apenas um curto segundo, antes que ele aparecesse ao lado de onde ele e Esme permaneciam abraçados, olhando seu rosto como se m*l pudesse acreditar que ele estava ali diante dele. E Edward teve que conter mais um soluço quando seu pai avançou um passo e envolveu os dois entre seus braços, nenhum julgamento ou repulsa em seus pensamentos, apenas pura alegria e gratidão, assim como nos de Esme.
Eu sabia que não devíamos perder as esperanças, Carlisle pensou, encarando-o com os olhos dourados cheios de emoção. Obrigado, meu filho. Obrigado por voltar para nós.
Por favor, não nos deixe novamente, Esme implorou em sua mente, antes de erguer a cabeça de seu peito e começar a encher o rosto dele de beijos gentis, Eu não suportaria.
- Carlisle... Esme... – ele engoliu em seco, repentinamente sem sequer conseguir encontrar as palavras que pudessem descrever a profundida de seu arrependimento – Eu... Eu sinto muito... Eu jamais deveria ter...
- Não. – Esme sorriu gentilmente, interrompendo-o enquanto acariciava seu rosto – Não precisa pedir desculpas, isso não importa. O importante é que você está aqui. – ela ofegou em meio ao choro sem lágrimas, voltando a abraça-lo com força pelo pescoço.
Eu rezei tanto durante todos esses anos para voltar a ver você de novo, meu menino...
Não precisa pedir desculpas, Carlisle completou a fala dela mentalmente, Tudo o que queríamos já aconteceu: você está aqui conosco.
Mesmo depois de tudo o que Bella havia lhe dito sobre o perdão de seus pais, a incredulidade por aquela aceitação total e livre de questionamentos ainda foi grande. Mas não foi maior do que o júbilo de reconhecer o mais puro amor e felicidade na mente de seus pais, não apenas por vê-lo novamente, mas também por conta da esperança de que ele permanecesse com eles pelo resto da eternidade.
- Obrigado. – foi tudo o que ele conseguiu sussurrar para seus pais, enquanto os abraçava com mais firmeza, a voz tão frágil que parecia quase quebradiça – Obrigado.
Eles permaneceram abraçados por algum tempo, tão absortos no contentamento de finalmente estarem juntos que Edward só se deu conta dos pensamentos ao seu redor quando Esme ergueu a cabeça de seu ombro e seus olhos pousaram em Bella, que permanecia observando-os com um sorriso tímido e emocionado.
- E quem é essa jovem adorável? – Esme perguntou, a esperança inundando-a ao sentir o cheiro dele claramente exalando dela. Oh, Deus, permita que ela realmente seja...
- Pai, mãe... Essa é Isabella Swan. – Edward sorriu, explodindo de alegria e orgulho ao dizer aquelas palavras para seus pais – Minha parceira.
A reação de Esme foi nada mais do que pura euforia, correndo até Bella para abraça-la também, os pensamentos felizes e frenéticos em sua mente.
Veja como ele está olhando para ela. É claro que ele a ama. Acho que nunca o vi tão feliz! Ela é parte da razão dele ter voltado para nós, eu sinto isso.
- É tão bom conhecer você, Bella... – Esme sorriu, exultante, e o coração de Edward se inflou com ainda mais felicidade ao perceber como sua mãe automaticamente já estava enxergando sua companheira como uma filha – Não sabe como fico feliz ao saber que Edward encontrou o amor.
- Obrigado, Sra. Cullen. – Bella retribuiu o sorriso, ainda tímida – Também é maravilhoso finalmente conhece-la.
Apesar da troca profundamente amistosa entre Bella e Esme, Edward logo percebeu que, mesmo que também estivesse feliz ao saber que ele havia se apaixonado, confusão era o que dominava a mente de Carlisle.
A filha de Charlie Swan?, seu pai estava em choque, Mas... Ela desapareceu há mais de 18 meses... Como eles podem estar...?
Esse i****a a transformou e a obrigou a ficar com ele?
Aquele último pensamento ferozmente sanguinário surpreendeu Edward. Ao virar-se para a porta da casa, ele viu o casal Rosalie e Emmett, e, enquanto o vampiro estava nada mais do que curioso em conhecer o filho sobre o qual Carlisle e Esme adoravam falar, a loira ao seu lado estava total e absolutamente possessa com a possibilidade de Edward ser o criador de Bella. Por um segundo, ele se perguntou se elas haviam sido amigas quando Bella ainda era humana, mas ele logo percebeu que não. Por alguns instantes, o ódio profundo em seus pensamentos a levaram a pensar em flashes desbotados, mas ainda assim nítidos pela força do trauma: uma rua escura e fria, homens bêbados, dor, humilhação e morte iminente... E, então, Carlisle e o fogo que a queimara por completo, prendendo-a a uma vida imortal que não escolhera e roubando-lhe o que mais queria: uma família e, principalmente, filhos.
Instantaneamente, Edward entendeu o porquê de sua revolta ao pensar que ele havia ceifado a vida humana de Bella para tê-la com ele para sempre: era inadmissível para Rosalie ver outra mulher cujo direito de escolha havia sido retirado. Tomado de empatia pelo sofrimento daquela mulher, Edward se apressou em explicar a situação para todos, sabendo que aquela era uma dúvida geral.
- Eu encontrei Bella em Port Angels... Sendo atacada por vampiro. – ele conteve um rosnado ao lembrar- se da cena – Ele já havia bebido muito do sangue dela e não consegui impedir que a transformação se concretizasse.
Isso não significa nada!, ele ouviu Rosalie rosnar em sua mente, ainda nem um pouco satisfeita, Duvido que ele tenha perguntado a ela o que queria, antes de deixa-la se transformar e se forçar nela...
- Edward tem sido meu porto seguro desde que me transformei. – a fala emotiva de Bella interrompeu a torrente raivosa de pensamentos da vampira, aquecendo o coração morto dele – Ele ficou ao meu lado durante todo o processo e me explicou tudo sobre o mundo dos vampiros. E me ajudou a controlar a sede de sangue. – ela sorriu para ele, estendendo uma mão que ele prontamente aceitou, cruzando os dedos com os dela – Ele me salvou.
Ele deu um risada sôfrega, antes de puxá-la para seus braços, beijado seu cabelo – Você foi a única que me salvou. – ele se voltou para Carlisle e Esme – Se não fosse por ela, eu jamais teria tido coragem de voltar para vocês.
- Oh, temos tanto a agradecer a você... – Esme fungou, olhando para Bella com adoração enquanto Carlisle se aproximava para abraçar sua parceira, parecendo tão feliz quanto ela. – Sinto muito pelo que aconteceu com você, querida, mas fico feliz que tenham conseguido encontrar um ao outro. – o sorriso de Esme era caloroso.
Os pensamentos de Rosalie, contudo, não ficaram menos revoltados. Pelo contrário, Bella, que antes estava sendo alvo de sua compaixão, tornou-se imediatamente alvo de sua fúria por estar obviamente satisfeita por ter entrado naquela vida imortal, o que incomodou Edward profundamente. A maneira terrivelmente maldosa e irracional com que ela estava pensando sobre sua Bella despertou nele uma irritação e um instinto de proteção que foi quase difícil de conter. Felizmente, ele logo sentiu a tensão deixar repentinamente seu corpo e, ao virar-se para Jasper com um olhar questionador, o vampiro apenas deu de ombros imperceptivelmente.
Acho que não é o momento ideal para conflitos, foi seu singelo pensamento.
- Vocês têm muito o que nos contar. – Carlisle sorriu – Por favor, entrem.
- Então esse cara é o telepata? – Emmett falou pela primeira vez, a voz alta e curiosa mesmo a metros de distância. Diferente da mente de sua parceira, Edward sinceramente gostou dos pensamentos do vampiro gigantesco: eram claros e sinceros, límpidos como um rio cristalino. Uma mente sincera e fácil de se ler e de se estar.
A lembrança crucial de Emmett, contudo, fez Rosalie congelar, automaticamente se tornando ainda mais furiosa diante da possibilidade de Edward estar invadindo seus pensamentos durante todo aquele tempo. Mordendo a língua para evitar mencionar que não podia simplesmente ligar e desligar seu dom, Edward viu seu pai sorrir para Emmett, claramente feliz por poder apresenta-los.
- Sim, Emmett. Este é Edward Cullen, de quem sempre falamos para vocês.
- E você sabia disso o tempo todo, não é? – Esme se voltou para Alice, o olhar repleto de divertimento e repreensão como apenas o de uma mãe era capaz. Em sua mente, Edward a viu recordar o estranho comportamento de Alice naquelas últimas semanas, parecendo ansiosa por algo e ao mesmo tempo sempre frustrada.
- Apenas há algum tempo. – Alice deu de ombros, descarada – A indecisão dele não estava ajudando em nada. – ela apontou para Edward, bufando – Mas, uma vez que eu o vi chegando, achei que uma surpresa seria a melhor das opções. – ela sorriu brilhantemente.
Mas que grande surpresa. A ovelha n***a da família e a companheira feinha, os pensamentos venenosos de Rosalie estavam começando a ofendê-lo profundamente. Obviamente não pela maneira pejorativa – e até um pouco precisa – com a qual ela o via, mas sim pelo jeito desdenhoso como passara a pensar sobre Bella. Em sua mente, ela era simplesmente uma mulher com traços simplórios e insossos que, como o resto das mulheres do mundo, não chegava aos pés de sua beleza – com o agravante de que parecia gostar da imortalidade, ao invés de desprezar aquela existência limitada, como Rosalie o fazia. Se o conteúdo de seus menosprezos para com Bella não fossem tão completamente egoístas e infundados, ele até mesmo acharia graça da maneira cega como ela já se considerava superior à sua parceira apenas pela aparência. Se ela apenas soubesse o quanto estava errada...
- Foi a melhor das surpresas, querida. – Esme respondeu Alice, completamente alheia à inimizade crescente entre ele e Rosalie, enquanto tomava sua mão e a de Bella para guia-los até o interior da casa – Venham, quero que conheçam nossa casa. Há um quarto de hóspedes que vai ser perfeito para vocês. Podemos redecora-lo em pouco tempo, para deixá-los mais confortáveis, e...
- Não acha que deveria perguntar primeiro quando eles planejam ir embora, Esme? – Rosalie perguntou, tentando manter o tom ameno, quando todos já estavam dentro da casa – Não há porque fazer tantas mudanças se eles estiverem planejando ficar pouco tempo. – mesmo se esforçando, ela não foi capaz de disfarçar a sugestão maldosa de que eles nem sequer poderiam estar pensando em ficar ali com eles.
- Oh... – Esme arfou e voltou seus olhos desolados para ele, completamente ferida – Vocês vão ficar, não é, Edward? – Por favor, filho, não nos deixe novamente..., ela completou em sua mente, seus pensamentos praticamente unânimes com os de Carlisle, Levou tanto tempo para você voltasse para nós. Não podemos perde-lo novamente.
Ignorando solenemente a mente venenosa da loira irritada atrás dele, Edward envolveu sua mãe em outro abraço carinhoso, beijando sua testa antes de responder.
- Eu jamais seria capaz de ir embora novamente. Sempre soube disso. – ele a olhou no fundo dos olhos, enquanto sorria amorosamente – Não se preocupe, mãe. Eu não estou indo a lugar nenhum novamente. Quero dar um lar para Bella. – ele se virou para encarar sua querida companheira, antes de completar - E quero que vocês estejam nele também.
Enquanto Esme corria para abraça-los novamente, explodindo de felicidade, a mente de Rosalie se amargou.
Oh, ótimo. m*l chegaram e já estão se convidando para ficar. Muito civilizados.
- Bella, me perdoe por perguntar, mas... – Carlisle tomou a palavra, preocupado – Você chegou a entrar em contato com seu pai na cidade, antes de Alice ir busca-los?
- Não. – a negativa de Bella não poderia ser descrita como nada além de desolada – Edward me contou sobre os Volturi e as leis do nosso mundo. – aquelas palavras pareciam tão certas em seus lábios que qualquer um poderia jurar que ela tinha séculos de idade, e não um ano e alguns meros meses – Sei que não posso deixa-lo saber que estou... Bem. – ela deu um pequeno sorriso, aparentemente encontrando humor em evitar a palavra viva.
- Isso é bom. – Carlisle elogiou gentilmente – Levando em consideração a última vez em que a vimos, sei que tem quase 18 meses como recém-criada, mas... Parece ser muito mais madura do que isso. – seu pai avaliou, claramente avaliando o nível de tranquilidade de Bella.
- Ela tem uma tendência de autocontrole inigualável. – Edward sorriu, orgulhoso – Em pouco tempo, tenho certeza que será tão indiferente ao sangue humano quanto você.
- Edward... – ela o repreendeu suavemente, envergonhada, enquanto Carlisle simplesmente riu, animado.
- Isso é fantástico. Significa que logo poderá sair do isolamento desses primeiros anos. Sei que é algo extremamente incômodo. Deve estar ansiosa para ter um pouco mais de liberdade... – seu sorriso simpático se tornou pensativo por um momento – É claro, não poderá fazer isso em Forks... Mas não se preocupe. Já estávamos planejando nossa mudança há algum tempo. Podemos adiantá-la e então você não terá que se preocupar em ser reconhecida quando quiser ir à cidade. – a expressão de Carlisle assumiu um tom respeitoso ao falar aquilo, adivinhando que deveria ser um assunto delicado para ela lembrar-se do quanto seu pai estava perto.
O coração morto dele se aqueceu ainda mais quando Bella sorriu e ele ouviu as mentes paternais de Carlisle e Esme trabalharem euforicamente pensando em como poderiam acolher sua nova filha naquela situação, ansiosos por fazê-la se sentir em casa.
Incrível. Eles m*l chegaram e já vamos nos mudar por conta deles. É simplesmente ridículo!
O rosnado mental de Rosalie estava começando a quase diverti-lo: a maneira como sua personalidade egocêntrica estava reagindo m*l à toda aquela atenção que eles estavam recebendo, como uma criança pequena que se torna ciumenta depois de ganhar um irmão mais novo, era levemente cômico, não fosse novamente o fato de que ele detestava como ela estava sendo desnecessariamente c***l com Bella em seus pensamentos.
O parceiro dela, contudo, apesar de definitivamente não estar alheio ao estado de espírito de Rosalie, sabia perfeitamente que ela não falaria com ele sobre o que estava acontecendo naquele momento e decidiu que era melhor se concentrar completamente nos recém-chegados - a maneira como a mente de Emmett trabalhava sempre de maneira completamente prática era interessante de se ver. Em um átimo, depois que ele havia tido certeza de que o "momento de abraços" de Carlisle e Esme havia sido finalizado, Emmett estava ao lado dele e de Bella, avaliando-os, especialmente a Edward, com nada mais do que pura curiosidade em seus pensamentos.
- Você realmente lê mentes, cara? – sua pergunta, dita de maneira animada, foi seguida rapidamente por um pensamento igualmente simpático. Ah, e eu sou o Emmett.
Sentindo um sorriso sinceramente amistoso se espalhar por seu rosto, Edward até se pegou rindo um pouco ao responde-lo – É um prazer conhecer você, Emmett. E, sim, eu posso ler mentes.
- Está lendo minha mente agora? – sua pergunta, ao invés de ofendida, soava entusiasmada.
- Bem, sim. Na verdade, faço isso o tempo todo, com todos os vampiros e humanos ao meu redor, desde que estejam na extensão de alguns quilômetros perto de mim. Não é algo que eu posso evitar ou desligar. – ele achou que era prudente deixar sua condição clara para todos que estavam naquela sala, mesmo sabendo que aquela informação certamente não faria o afeto de Rosalie por ele e Bella aumentar.
O quê? Ele está...? Não surpreendendo-o nem um pouco, a mente de Rosalie explodiu em uma torrente de xingamentos, dirigidos a ele, por estar invadindo sua privacidade, enquanto o sorriso de Emmett apenas se ampliou em pura excitação.
- Isso deve ser útil em uma boa briga... – em sua mente, Edward viu o cenário que o vampiro estava fantasiando: lá, ele, muito mais baixo e magro do que a estrutura absurdamente gigantesca de Emmett, era uma presa fácil para ele em uma disputa corpo a corpo, tendo tempo apenas de registrar seus pensamentos um milésimo de segundo antes de ser incapacitado.
Com aquela cena, ele definitivamente teve que gargalhar. Emmett havia interpretado sua telepatia de maneira equivocada e achava que ele veria seus pensamentos no exato momento da ação e não antes. Achando justo avisá-lo antes que ele se decepcionasse com sua brincadeira, Edward sorriu.
- Acho que as coisas não aconteceriam desse jeito, Emmett. Eu ouviria você chegando e, além do mais... – ele não pode evitar o sorriso levemente convencido que ergueu seus lábios – Sou mais rápido do que pareço.
- Então nós temos que testar isso... – o vampiro sorriu, o fervor da competição tornando-o quase feroz, mas sua fala foi rapidamente interrompida por Esme.
- Nada disso, Emmett! – ela o repreendeu, séria – Pode esquecer. Você não vai lutar com seu irmão! Especialmente não no primeiro dia dele e de Bella conosco!
- Mas eu prometo não pegar pesado com ele... – Emmett pediu, amuado, imagens dele e de Jasper em lutas de brincadeira, e outras verdadeiramente táticas e sérias, essas últimas interrompidas por uma Esme muito brava, passaram rapidamente pela mente do vampiro.
- Está fora de cogitação! – ela o interrompeu novamente, o tom maternal extremamente firme – E não quero mais ouvir sobre isso!
- Lutar? – Bella arfou, pela primeira vez se manifestando desde que estivera observando ele e Emmett conversando – Por que você quer lutar com o Edward? – ela questionou Emmett, o tom assustado, mas também levemente irritado e com um toque de aviso, como se ela estivesse verdadeiramente cogitando enfrentar aquele homem enorme caso ele ameaçasse seu parceiro.
- Não se preocupe, querida. Emmett gosta de medir sua força física com todos que encontra pela frente. – Esme rolou os olhos, claramente nem um pouco satisfeita com aquilo – Mas é apenas algo recreativo, nada mais. Eu jamais permitiria que eles fizessem disso algo potencialmente destrutivo. – ela falou aquela última parte olhando para Emmett, enquanto diversas imagens de paredes quebradas e danos em casas, diferentes daquela em que eles estavam agora, dançavam em sua mente, sempre acompanhadas pelo sorriso divertido e apologético de Emmett. O mesmo que ele estava dando quando olhou para Bella e ergueu as mãos, claramente se desculpando.
- Desculpe, Bella. Juro que não estou querendo amassar a cara do seu garoto. Só vou dar uns tapas nele por diversão, prometo. – ele piscou para ela – Aliás, é bom ver você de novo. Continua caindo? – ele riu, fazendo Bella engasgar um pouco, claramente envergonhada, enquanto Emmett se recordava das pouquíssimas vezes em que reparara nela quando era humana: vezes em que ela caíra magistralmente no meio do refeitório do que parecia ser a pequena escola de Forks.
Encantado ao assistir o quão adorável e linda ela era mesmo como humana, com os olhos castanhos expressivos e as bochechas lindamente coradas, e, tomado pelo divertimento de vê-la tropeçar em superfícies perfeitamente planas, Edward não pode conter a risada que lhe escapou. Deus, mesmo se a tivesse conhecido quando ainda era aquela humana doce e desajeitada, ele certamente teria se apaixonado perdidamente por ela, não é? Aquela foi uma estranha e absoluta certeza que ele teve repentinamente. Um cenário problemático, para dizer o mínimo.
Ainda assim, não havia sequer uma única pequena dúvida em sua mente.
- Edward! – Bella arfou, repreendendo-o envergonhadamente e, agora que assistira aquilo através da mente de Emmett, ele quase podia vê-la corar.
- Me perdoe, amor. – ele passou o braço por seus ombros e beijou sua têmpora, ainda deliciado por sua visão como humana – Mas você arrebatadora como humana, tanto quanto é agora. – ele elogiou baixinho, fazendo-a bufar e murmurar um "mentiroso" por baixo da respiração.
- Vocês vão ter tempo para relembrar o passado depois. – Alice saltitou, animada, para perto deles, obviamente deixando o assunto de lado enquanto os guiava pelo resto da casa – Agora vamos falar do que realmente interessa: o quarto de vocês! Obviamente eu estava certa em pedir que Esme projetasse essa casa com aquele quarto a mais. – em sua mente, extremamente orgulhosa, ela se lembrou da estranha visão em que se via decorando aquele quarto extra que, inexplicavelmente, não pertenceria a nenhum dos membros de sua família: uma prova de que seu talento era muitas vezes mais poderoso e abrangente do que até ela mesma conseguia compreender – É simplesmente perfeito para vocês! Tem um piano, uma boa acústica, espaço suficiente para comportar quantos livros vocês quiserem... E todas as suas roupas. – aquela última parte foi dita enquanto ela olhava especificamente para Bella, os olhos dourados brilhando com astúcia.
E Edward teve que se conter para não gargalhar diante das visões de futuro na cabeça dela. Nelas, sua parceira parecia nada mais do que chocada ou terrivelmente entediada enquanto Alice a colocava e tirava de roupas na velocidade da luz. Algumas vezes, Bella até mesmo aparecia fugindo para longe, resmungando que já havia aguentado o suficiente de ser feita de "Barbie". Ainda assim, mesmo com todo o humor envolvido, ele não teve como deixar de notar a maneira como ela estava linda em cada uma das cenas e em cada uma das peças que usava, parecendo perfeita como sempre, puramente Bella.
Espere até ver a surpresa que eu reservei para você. Alice riu enigmaticamente em sua mente. antes de começar a traduzir alguns textos em indiano para sânscrito, mandando as visões para longe, uma técnica que ela obviamente já aperfeiçoara para mantê-lo longe de seus pensamentos.