- Esme vai ficar tão feliz...
Com um meio sorriso nervoso, Edward deu um abraço rápido em uma sorridente Carmen, enquanto Bella seguia se despedindo das três irmãs Denali, as mulheres loiras cercando-a e abraçando-a com tanta força que pareciam estar com medo de só vê-la novamente dali cinquenta anos. Todavia, sua parceira também parecia bastante emocionada ao se despedir daquelas que eles agora consideravam suas primas. Não havia dúvida de que as quatro haviam criado um laço de amizade inquebrável que jamais pereceria, mesmo que eles estivessem prestes a voltar para Forks e reencontrar os Cullen.
Com aquele mero pensamento, seu estômago se afundou um pouco pela pressão da expectativa, enquanto o alto-falante acima deles anunciava a última chamada para o próximo voo até Washington, o que finalmente levou Tanya a soltar Bella de entre seus braços.
- Venham nos visitar logo, ou vamos nos tornar os primeiros vampiros a morrer de saudade. – a líder dos Denali fungou, dramaticamente – E, por favor, mandem nossas lembranças para todos os Cullen. Sentimos falta deles também.
- Deixe-os ir de uma vez, Tanya. – Kate rolou os olhos, embora fosse óbvio que ela também estivesse triste por ver Bella indo embora – Finalmente nosso telepata dramático tomou a decisão de voltar para a casa. Não lhe dê a oportunidade de mudar de ideia.
- Eu não vou mudar, Kate. Não se preocupe. – Edward sorriu, estendendo o braço para puxar Bella para perto dele, controlando a gargalhada ao ver a careta que surgiu no rosto de Kate.
- Tenham uma boa viagem. – Eleazar sorriu – E, por favor, nos liguem assim que chegarem. Apesar de que eu tenho a sensação de que vão precisar de bastante tempo para se apresentar a todos os Cullen.
Apesar de acompanhar a risada do amigo, Edward se concentrou nas lembranças que passearam pela mente dele, novamente tentando absorver cada pequena parte da personalidade dos "filhos" de Carlisle, para tentar fazer daquele encontro o mais confortável possível – havia Rosalie, loira e bela, mas sempre parecendo altiva e arrogante em todas as lembranças que as pessoas tinham dela; Emmett, o parceiro dela, imenso e sorridente, mas também competitivo e com tendências caóticas, até onde Edward tinha entendido; Jasper, contido e coberto de cicatrizes, além de portador do estranho dom de controlar as emoções alheias.
E então, havia Alice.
A pequena e esfuziante vampira que todos os Denali adoravam, mas que também tinha o dom mais curioso de todos: vidência.
Ele ainda tinha conhecimentos limitados sobre como suas habilidades funcionavam, mas, pelo que os pensamentos dos Denali o haviam ensinado, as probabilidades apontavam para que Alice já soubesse que ele e Bella estavam a caminho de Forks. O que significava que certamente Esme e Carlisle também já sabiam que ele estava voltando para eles. O que eles estariam pensando? Estariam surpresos? Felizes? Enojados? E os demais Cullen? O que pensariam sobre o fato de que um perfeito estranho estava prestes a chegar em seu lar? Especialmente um que podia ler seus pensamentos?
Surpreso, ele sentiu a mão de Bella acariciar seu rosto, trazendo sua atenção diretamente para o tímido e encorajador sorriso que ela lhe oferecia. Imediatamente sentindo grande parte da tensão abandonar seu corpo, ele gentilmente pegou a mão dela e beijou sua palma, permitindo que a maciez de sua pele e seu cheiro doce e inebriante o acalmassem cada vez mais.
- Hora de ir. – ela sussurrou, seu sorriso se ampliando enquanto ela tirava a mão de seu rosto apenas para entrelaça-la na dele e apertá-la delicadamente.
- Sim, tem razão. – ele murmurou de volta para ela, retribuindo seu aperto antes de se voltar uma última vez para os Denali, que os observavam com felicidade e expectativa em seus rostos. Depois de tantos meses, Edward bem sabia que eles estavam profundamente satisfeitos pelos dois estarem prestes a reencontrar seus pais, mesmo que de maneiras diferentes. – Nos vemos em breve. – ele prometeu, com um sorriso profundamente agradecido – Obrigado por tudo o que fizeram por nós.
- Sempre seremos uma família. – Bella completou, a voz tão cheia de emoção que Edward soube que não demoraria muito para que a saudade os trouxesse de volta ao Alaska.
- É claro que sim. – Kate grunhiu, aparentemente tentando disfarçar sua própria emoção com bom humor – Agora, vão logo. Ou terão realmente que ir andando até Washington.
Contendo sua risada, Edward colocou o braço em torno do ombro de sua parceira e beijou sua testa, permitindo-se absorver um pouco mais da paz vinda da presença dela antes de dar um passo à frente naquela nova fase da eternidade dos dois – uma fase que poderia mudar tudo. A imprevisibilidade do que aconteceria naquela visita aos Cullen podia até estar tornando-o ansioso, mas, enquanto ele estivesse com Bella, tudo ficaria bem. Não havia dúvidas.
- Nos vemos em breve, primos. – ele sorriu uma última vez para os Denali, enquanto Bella, com o lábio inferior preso entre os dentes para conter a emoção, acenou hesitantemente para eles, antes que os dois finalmente se virassem, deixando para trás os sorrisos e acenos agridoces daqueles que haviam sido sua família durante quase um ano.
A cada passo que eles davam para dentro do enorme e lotado salão de embarque do aeroporto, Edward sentiu Bella tentar disfarçar a imensa tensão que se apossava dela e transformava seus ombros em pedra. Fingindo se inclinar para dar-lhe um beijo na testa, ele aproximou-se discretamente de seu ouvido e sussurrou.
- Pode prender a respiração, se estiver muito difícil. – ele aconselhou, preocupado.
Durante os últimos seis meses de treinamento, o autocontrole de Bella só havia se fortificando, provando como sua companheira tinha uma tendência natural a conter suas emoções, especialmente as ruins – mesmo que ele não gostasse muito de pensar o quanto disso vinha de sua vida humana. Mais rápido do que qualquer outro recém-nascido existente, ela tinha construído uma resistência ímpar ao desejo por sangue humano e, mais cedo até do que Edward esperara, eles estavam dando longos passeios pela cidade, várias vezes indo até mesmo à cinemas e teatros, enquanto Bella só se tornava cada vez mais confortável com a sede em sua garganta. Todavia, ele sabia que uma estadia cronometrada em lugares cheios de humanos, em que eles facilmente poderiam fugir com apenas uma simples corrida, era muito diferente de passar horas presa em uma caixa de metal voadora cercada por humanos de sangue quente, mesmo que a primeira classe fosse relativamente mais ampla. Eles tinham feito algumas viagens aéreas curtas para pequenas cidades do Alaska, como forma de treinamento, mas aquele sem dúvida seria o maior tempo que Bella passaria ao redor de humanos em um avião – e ele sabia que ela estava temerosa sobre falhar, como sempre ficava.
- Eu estou bem. – Bella engoliu em seco, parecendo ainda concretada demais para olhá-lo – É apenas o nervosismo que está me fazendo exagerar. Não me sinto realmente tão sedenta. Jamais poderia me sentir, depois de tudo o que você me fez beber ontem à noite, Sr. Exagerado. – ela o cutucou levemente entre as costelas, aparentemente querendo aliviar o clima com um pouco de humor.
- Todo o cuidado é pouco. – ele sorriu, tentando se defender – E está na época de reprodução dos leões da montanha. Seis a menos não vão fazer falta.
Satisfeito ao vê-la rir, Edward a guiou por todo o aeroporto, escondendo o rosto dela contra seu pescoço, enquanto fingia beijar seu cabelo, a fim de esconder seu nariz sempre que ela parecia nervosa demais por estar em alguma multidão. Ele sabia que merecia o título de exagerado que ela lhe dera, especialmente sabendo que ela poderia simplesmente prender a respiração, sem precisar de um teatro tão grande. Além disso, era óbvio que Bella estava muito mais nervosa e assustava com a perspectiva de atacar alguém, do que tentada a atacar realmente. Todavia, torturava-o vê-la com problemas e não poder fazer nada para ajuda-la, mesmo que fosse uma ajuda completamente irrelevante.
Ainda assim, Bella pareceu realmente encontrar algum conforto em se apoiar em seu ombro e, assim que eles finalmente se sentaram em suas poltronas, ela enterrou o rosto na curva do pescoço dele, respirando fundo, como se quisesse absorver o seu cheiro, antes que eles finalmente levantassem voo, rumo à Washington. Relaxando contra a cadeira, enquanto se esforçava para se desconectar das centenas de vozes ao seu redor, tornando-as apenas um murmúrio longínquo, ele virou o rosto e também enterrou o nariz nos cabelos dela, respirando seu perfume sem qualquer pudor.
- Está tudo bem? – ele lhe perguntou, a voz saindo em um sussurro tão leve que mesmo as pessoas mais atentas ao redor pensariam tratar-se apenas de um ressonar.
- Sim. – ela suspirou, movendo um pouco a cabeça para poder olhá-lo nos olhos – Estou lidando com tudo isso melhor do que eu imaginava... – o sorriso que ela lhe lançou parecia aliviado – Controle excepcional, certo?
- Você é completamente excepcional. – ele riu sob a respiração, inclinando-se apenas o suficiente para beijar a ponta de seu nariz, descendo os lábios gentilmente pelo rosto dela até chegar ao pescoço, fazendo-a estremecer ao percorrer o lóbulo de sua orelha com a ponta da língua.
- Você está tentando me distrair do cheiro? – ela arfou suavemente, o tom de voz sugerindo um gemido contido.
- Não. Eu sou o único que está sendo distraído por você. – ele ronronou com um sorriso perverso, colocando o braço ao redor dela, fingindo abraça-la castamente enquanto aproveitava a posição para moldar discretamente o formato de seu seio com a palma da mão – É difícil me concentrar em qualquer outra coisa quando você está por perto. – ele sussurrou contra o ouvido dela.
- Edward! – ela arfou quando ele correu o dedo indicador sobre seu mamilo intumescido por cima do suéter – Alguém pode ver...! – ela correu os olhos ansiosamente ao redor dos dois, avaliando as amplas poltronas afastadas uma das outras com distâncias seguras ao longo da primeira classe.
- Eu saberia se estivessem olhando. Eles acham que você dormiu no meu ombro e eu estou simplesmente abraçando você... – lentamente, ele correu a outra mão ao longo de sua coxa, deixando seu dedo indicador traçar levemente a costura do zíper, provocativamente perto de sua i********e, coberta apenas por um tecido jeans tão frágil e fácil de burlar, se ele apenas erguesse a mão e a mergulhasse dentro da cintura da calça... – Quer aproveitar? – ele deu um sorriso de canto, deliciando-se ao vê-la engasgar quando ele desceu a ponta do dedo, com o mais leve dos toques, pelo local onde ele sabia que seu c******s sensível estava.
Por alguns segundos, Bella apenas o observou, o olhar dividido entre o desejo, a inquietação com suas provocações e a diversão com aquela brincadeira quente. Por fim, ela apenas bufou e desceu o rosto até seu peito, aconchegando-se nele, aparentemente tentando parecer irritada enquanto o sorriso brincalhão que se formava em seus lábios a traía.
- Estou quase arrependida por ter apresentado o sexo a você, sabia? – ela o provocou por sobre a respiração – Se dá conta de que está se tornando um ninfomaníaco?
- Você está reclamando? – ele a provocou de volta, sorrindo maliciosamente.
- Não... – ela respondeu lentamente, enquanto mordia os lábios sugestivamente e o olhava por sob os cílios – Só estava me perguntando como vai fazer para conter tanta lascívia quando estivermos na casa dos seus pais.
A menção a Carlisle e Esme o atingiu com uma forte onda de ansiedade e, automaticamente, ele se sentiu congelar. Tentando disfarçar a reação de tensão, ele deu um sorriso torto, descansando o queixo sobre sua cabeça para não ter que olhá-la nos olhos.
- Sempre há hotéis por aí. – ele tentou parecer brincalhão, embora seus pensamentos estivessem indo por caminhos frenéticos – Talvez nós não precisemos incomodá-los, ficando assim tão perto. Na verdade, acho que dificilmente eles se sentiriam confortáveis se ficássemos na casa deles, como fizemos com os Denali. Assim que chegarmos vou procurar um hotel. E, não precisamos nos apressar tanto. É sua cidade, afinal. Você gostaria de fazer algo primeiro? Visitar algum lugar de longe ou conferir como estão seus amigos...?
- Edward. – sua voz suave e preocupada interrompeu sua torrente de palavras e, timidamente, ele baixou lentamente os olhos até a expressão apreensiva dela – Por que tem tanta certeza assim de que eles podem acabar não querendo você por perto? – ela questionou, aflita, enquanto passava os dedos pelas têmporas dele.
- Acho que é justamente uma questão de certeza. – ele confessou com um suspiro – Não estou completamente certo se eles realmente podem me aceitar depois de... Tudo. – seu novo suspiro saiu agoniado – E isso... Me assusta. Saber que eles podem me renegar. E com toda a razão, obviamente.
- Isso não vai acontecer. – ela deve ter percebido a expressão cética que ele tentou conter, pois rapidamente emendou – E, mesmo que aconteça, o que certamente não vai... – ela bufou – Eu vou estar aqui com você. Vai ficar tudo bem, no final. – as carícias dela desceram para sua bochecha conforme ela sorria, carinhosa e confiante – Não tenha medo. Especialmente porque duvido que eles sejam capazes de fazer algo assim, especialmente Esme. – ela balançou a cabeça, divertida – Depois de tudo o que me contou, sinto que os conheço com a palma da mão. m*l parece que vai ser a primeira vez que vou encontra-los oficialmente. E como a família do meu parceiro. – a voz dela foi tornando-se cada vez mais incrédula ao longo da frase.
- Adoro a maneira como você faz parecer que está simplesmente indo conhecer os pais do seu namorado. – ele riu, a tensão abandonando-o conforme as palavras dela confortavam sua alma – E você tem razão.
- Geralmente eu tenho. – ela sorriu brilhantemente – Sobre qual das várias coisas nesse caso, especificamente?
- Que, enquanto eu tiver você, tudo sempre vai ficar bem. – sentindo-se arrebatado pela intensidade do amor que sentia por aquela mulher, ele se inclinou para tomar os lábios dela em um beijo apaixonado, que só foi quebrado quando ela se afastou para lhe dar um sorriso convencido, mas também absolutamente amoroso.
- É claro que eu tenho razão!
- Esse lugar é realmente perfeito para se viver.
Edward elogiou, enquanto olhava ao redor da floresta sombria em que eles caminhavam. O sol no céu nublado tinha um brilho tímido quase inexistente, servindo apenas para iluminar o minúsculo local chuvoso. Ali, entre as árvores, Forks parecia ainda mais pacata e nublada, quase como se um escudo de nuvens estivesse protegendo o chão da claridade.
- Com tão pouco sol, andar pela cidade em plena manhã deve ser mais do que fácil. – ele avaliou, realmente surpreso com o quanto aquele lugar era ideal para um grupo de vampiros se fixar – Deve ser realmente quase como se fôssemos humanos novamente, dadas as devidas proporções.
- Tudo é sempre verde e molhado por aqui. – ao seu lado, Bella deu um suspiro melancólico – Nenhuma probabilidade de expor a existência de globos de discoteca humanos, com certeza.
Apesar de sua piada, Edward se concentrou na tristeza aparente na voz dela.
- Você ainda não gosta daqui? – ele questionou-a, sabendo perfeitamente, depois de tudo o que eles haviam conversado durante aquele último ano e alguns meses, que desde criança Bella sempre preferira o sol do lar onde vivia com a mãe do que a fria e úmida cidade natal do pai. Ainda assim, várias vezes, quando mencionava Forks, havia um saudosismo na voz dela que o deixava curioso.
- Não. Era uma bobagem da minha parte odiar isso aqui. – Bella suspirou, percorrendo o tronco áspero de uma árvore próxima com a ponta dos dedos – É o lar do Charlie e eu nunca verdadeiramente dei valor a isso. Gostaria de ter tido a oportunidade de dizer a ele que eu não o julgava por amar tanto esse lugar. – ela fungou pesarosamente e Edward automaticamente foi para mais perto dela, abraçando seus ombros.
- Ele sabe disso, meu amor. No fundo, ele sabe. – ele a consolou, embora ainda não tivesse tido a oportunidade de ouvir como a mente do pai dela funcionava, já que eles haviam saído direto do avião para ir em busca da casa dos Cullen. Bella não tinha muitas informações sobre onde ela se localizava exatamente, mas eles tinham tempo de sobra para procurar e Edward tinha esperanças de que, quando Carlisle ou Esme sentissem seu cheiro por perto, viessem de encontro a eles.
Seu acalento, felizmente, pareceu surtir efeito, pois Bella sorriu um pouco e pôs-se a andar um pouco mais rápido, enquanto refletia – Ainda m*l posso acreditar que havia uma família de vampiros vivendo em Forks. É claro, os filhos do Dr. Cullen sempre pareceram um pouco misteriosos e intimidadores na escola, além de incrivelmente bonitos, obviamente, mas vampiros era a última coisa que eu pensaria sobre eles.
- Isso é bom, significa que você nunca esteve em perigo. – ele sorriu, aliviado – E é normal que os humanos fiquem facilmente intimidados por nós, quando queremos.
- Eu não fiquei intimidada por você. – ela relembrou, o sorriso em seu rosto se tornando verdadeiro.
- Você não estava condições de ser racional naquele momento. – ele moveu a cabeça para dispersar as lembranças daquela primeira noite – Certamente, se eu estivesse entre os Cullen enquanto você ainda era humana, você teria ficado apavorada comigo. – ele afirmou, convicto.
- É claro que não. – ela franziu o nariz adoravelmente, como se ele acabado de dizer a maior das inverdades – Eu teria me apaixonado do mesmo jeito. A diferença é que você não teria se apaixonado por mim. – ao mencionar a si mesma, o franzido de seu nariz tornou-se enojado, como se ela estivesse cheirando algo repugnante.
- Bella, eu duvido que exista qualquer outra realidade em que eu não termine completa e eternamente apaixonado por você. Talvez não à primeira vista, mas certamente o passar do tempo só me faria ficar cada vez mais fascinado por você. Especialmente em um ambiente tão tedioso quanto uma escola para adolescentes humanos. – a incredulidade no olhar que ela lhe lançou o fez gargalhar – É claro, nada seria tão simples. Seria um amor proibido, afinal. – ele deu de ombros, distraído; aquele cenário era tão improvável e dramático que parecia ter saído diretamente de uma peça shakespeariana. – Mas nós encontraríamos uma maneira, amor, não tenha dúvida. – ele a assegurou, beijando gentilmente sua testa
- Sim, é verdade... – ela sorriu docemente, ficando perdida em seus pensamentos silenciosos por alguns segundos, antes de finalmente voltar-se para ele, com seu sorriso se ampliando – Acho que ao menos tivemos essa vantagem, não é?
- Eu não diria isso. – ele suspirou – Gostaria que você não tivesse perdido tantas coisas. Mas, de fato, sei por experiência própria que as coisas poderiam ser piores. E, além do mais, se há algo que você me ensinou, amor, é que não podemos mudar o passado. Então, sim... – ele sorriu amorosamente para sua linda parceira – Fico grato por não termos perdido tanto tempo, em perspectiva.
- Você é sempre tão técnico. – ela riu, puxando pelo pescoço para poder beijar sua bochecha – E sempre com a mente cheia de mais pensamentos do que é saudável.
Ele estava com a boca já entreaberta, pronto para devolver a fala dela com algum comentário bem-humorado, quando o som repentino de duas mentes próximas o pararam. Surpreso, ele institivamente segurou Bella protetoramente junto a si, enquanto se atentava aos pensamentos que chegavam até ele... Mas o que viu o deixou paralisado pelo choque.
Dentro daquela mente desconhecida, ele viu a si mesmo e à Bella, naquela mesma floresta e com as exatas mesmas roupas que usavam naquele momento, como se a pessoa em questão os estivesse observando bem de perto – o que era impossível, já que ele tinha completa certeza de que aquela mente estava a quilômetros de distância. Com o detalhe de que não era exatamente a cena de verdade: naquela imagem mental, ele e Bella estavam encarando um casal que ele reconheceu ser Alice e Jasper Cullen, dois dos novos filhos de Carlisle. Naquele cenário estranho, ele viu a si mesmo rosnando e protegendo Bella com seu corpo, aparentemente se sentindo ameaçado pelo vampiro loiro, apesar de Jasper permanecer calmo e impassível em frente a eles.
Inquieto, sua mente trabalhou freneticamente para tentar entender o que era aquilo que estava vendo. O formato e a sensação daquelas imagens eram completamente diferentes de tudo o que ele já havia ouvido antes, nos últimos 100 anos... Não era uma lembrança, muito menos uma cena imaginada...
Não seja ridículo, Edward., de repente a imagem que ele estava observando se desvaneceu, deformando-se em uma nova imagem, onde agora os ânimos pareciam mais calmos e ele viu a si mesmo parecendo pasmo, ao invés de ameaçado, Não há nada a temer. Você vai passar uma péssima primeira impressão ao Jasper. Sem contar o fato de que Bella vai pensar que somos perigosos e eu não quero isso. Ela tende a sempre ficar do seu lado... Pelo menos por enquanto.
Os pensamentos petulantes que o repreendiam de repente jogaram luz sobre sua confusão e ele se deu conta do que eram as estranhas imagens que estava vendo se remodelarem a cada segundo, conforme suas escolhas e reações mudavam.
Visões do futuro.
Ele estava lendo a mente de Alice Cullen.
Como se invocada pela simples menção ao seu nome, a vampira apareceu diante deles, terminando em um átimo o último quilômetro que os separavam, mas ainda assim mantendo alguns metros seguros de distância deles, aparentemente motivada pela mente cautelosa do macho ao lado dela – Jasper. Conforme Edward já o havia visto no rosto dos Denali, o parceiro de Alice tinha a pele translúcida coberta de cicatrizes – provas aparentes de quantas lutas ele já havia entrado, e provavelmente vencido. Porém, apesar de ser uma aparência bastante amedrontadora, que inclusive pareceu fazer Bella ficar um pouco tensa entre seus braços, não foi aquilo que fez Edward entender porque estivera tão defensivo naquela visão anterior de Alice.
Olhá-lo pela mente de outras pessoas não era nada comparado ao verdadeiro conteúdo da mente de Jasper em pessoa. Um estrategista nato, seus pensamentos automaticamente já estavam formulando maneiras de incapacitar os dois forasteiros que poderiam ser uma potencial ameaça a sua idolatrada companheira. E, ainda que fosse aparente que aquilo era algo automático para sua mente militar, que o vampiro sequer podia controlar, Edward não ficou nem um pouco confortável ao ter que assisti-lo atacar Bella de diversas maneira em sua mente. Pigarreando para conter o impulso de rosnar, Edward se concentrou em assistir Alice saltitar animadamente até eles, com um sorriso gigantesco no rosto, sendo seguida por um Jasper ainda absolutamente cauteloso.
Finalmente! Alice cantarolou em sua mente antes de pular sobre os dois, surpreendendo-os ao envolve-los em um abraço apertado. Meus irmãos!
Assistir a mente vidente de Alice funcionar era realmente fascinante. Especialmente porque suas palavras eram nada mais do que verdadeiras. Em seus pensamentos, ela já considerava a ele e Bella como seus amados irmãos: não havia distinção para ela entre os sentimentos do presente e os que ela sentiria no futuro. Desde a primeira visão que tivera com os dois, Alice não apenas sabia que os amaria um dia. Ela verdadeiramente passou a amá-los. E esperou ansiosamente pelo dia em que eles finalmente viriam até os Cullen, para tornar realidade todas aquelas visões fantásticas que ela havia tido ao longo dos meses. Fora uma espera exasperante, Edward percebeu enquanto corria por seus pensamentos, mas ainda assim ela esperara pacientemente pelo momento em que eles estivessem prontos para unirem-se à família.
Em apenas alguns segundos, ele viu milhares de visões passarem por sua mente, cenários vindouros e concretos como pedra, que enchiam a pequena vampira de felicidade: Alice e ele, no que parecia ser uma partida de xadrez muito elaborada, se divertindo enquanto cada um tentava ganhar utilizando seu próprio talento acima do talento do outro; Alice e Bella, com os braços ao redor um da outra e rindo de algum assunto misterioso, a amizade e a cumplicidade tão óbvias que eram quase contagiantes; flashes de corridas velozes, risadas altas e discussões acaloradas, mas ainda assim amistosas no que parecia ser... Um jogo de basebol?; flores, música e um grande jardim ornamentado, repleto de pessoas vestidas elegantemente e uma linda mulher de branco...
Não, não qualquer mulher... Bella.
Bella vestida de noiva.
Bella vestida de noiva andado pelo altar até ele... No casamento deles.
Sua cara é ainda melhor ao vivo do que nas minhas visões. Alice riu em sua mente, fazendo questão de destacar a expressão encantada que estava começando a iluminar o rosto dele.
- Hmmm... É bom te rever, Alice. – Bella foi a primeira a quebrar aquele longo silêncio, com um sorriso tímido e nervoso, enquanto corria os olhos entre a óbvia e silenciosa troca entre ele e Alice.
- Fico muito feliz em ver que você está bem, Bella. – Alice sorriu, dando um passo para trás e libertando-os de seu abraço, algumas lembranças da dor do chefe de polícia da cidade, após o desaparecimento da filha, passando por sua mente rapidamente. – E não se preocupe, não há praticamente nenhuma chance de você encontrar com o Charlie enquanto estivermos perto da nossa casa. – a vampira explicou, uma visão antiga surgindo em sua mente, onde Bella, com as exatas mesmas roupas que estava usando naquele dia, lhe perguntava se havia algum risco de ela acidentalmente encontrar-se com seu pai estando na casa dos Cullen – E essa certeza se deve em grande parte graças a mim, já que nos poupei muito tempo vindo buscar vocês. – Alice colocou as mãos na cintura enquanto voltava os olhos exclusivamente para ele, claramente dando-lhe uma bronca – Francamente, Edward. Vagar por aí enquanto espera um de nós sentir o seu cheiro? Não acredito que realmente considerou fazer Carlisle e Esme esperarem ainda mais tempo, depois de mais de 70 anos. – ela rolou os olhos – Passei semanas com dor de cabeça enquanto o futuro mudava a cada minuto por causa da sua indecisão em voltar ou não. Felizmente, Bella... – Alice sorriu, claramente orgulhosa daquela que já era, em seus pensamentos, sua melhor amiga – Conseguiu finalmente te convencer. Agora nem sequer pense em voltar atrás! – ela o ameaçou – Você é a maior e melhor surpresa que eles poderiam ter, seu bobo! Então vamos logo! A família inteira vai adorar conhecer vocês. – algo na maneira como ela começou a se focar em demasia somente nas imagens mentais da felicidade de Carlisle e Esme o fez pensar que talvez aquela última afirmação dela não fosse completamente verdade.
Contudo, aquela hipótese ficou em segundo plano, já que as lembranças que ela trouxe a seguir fizeram a garganta dele apertar. Assistir Carlisle e Esme contarem sobre ele para os Denali já havia sido uma experiência agridoce, mas ver, através dos pensamentos de Alice, a maneira como eles pareciam saudosos e quase destroçados quando falavam sobre ele, como se Edward fosse um pedaço deles que estivesse faltando, o impactou de tal maneira que, por alguns momentos, ele se viu totalmente sem fala. Mais do que criadores falando do recém-nascido que haviam trazido para a imortalidade, eles eram pais falando sobre seu filho perdido para seus outros filhos: amorosos, indulgentes, terrivelmente preocupados e, mais do que tudo, esperançosos de que ele voltasse para eles algum dia. Uma esperança tão profunda que parecia brilhar em seus olhos dourados conforme Alice os havia assistido falar emocionados, ao longo dos anos, sobre seu primeiro filho e como desejavam que ele pudesse fazer parte da família que haviam construído.